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30 de maio de 2019 - 00:03Miniaturas

Pequenas maravilhas – especial 24 Horas de Le Mans: Nissan GT-R LM Nismo (2015)

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RIO DE JANEIRO – O carro cuja miniatura vemos acima neste post foi alvo de muita controvérsia e, por que não dizer, até de chacota.

A Nissan investiu uma soma vultosa na construção e no desenvolvimento de um Esporte-Protótipo LMP1 dotado de motor dianteiro, para marcar o seu retorno às 24 Horas de Le Mans e participar do Mundial de Endurance em 2015 contra Toyota, Audi, Porsche e mais duas equipes independentes – Rebellion e ByKolles.

Lançou o carro com estardalhaço. Botou comercial até no intervalo do Superbowl XLIX. Contratou gente de peso.

Mas…

Na hora do vamos ver, foi um dos maiores fracassos contemporâneos em termos de execução de projeto e falta de competitividade. Nível Aston Martin AMR-One, outro carro que, no jargão do automobilismo, chamamos de “cadeira elétrica” ou “cheque sem fundo”.

Projeto de Ben Bowlby, com participação direta da All American Racers na execução e desenvolvimento, o carro também trazia de volta o conceito adotado por Don Panoz ao lançar o seu lendário modelo LMP1 Roadster-S, com motor Ford V8 dianteiro de 6 litros de capacidade cúbica. Isso, doze anos antes de vir o Nissan com powertrain XP30 V6 Biturbo 3 litros, com sistema de recuperação de energia (KERS) desenvolvido pela Torotrak e atuando num sistema de dois volantes – diferente do Supercapacitor da Toyota, do sistema Flywheel da Audi e também do projeto Porsche com o calor do turbo alimentando o sistema híbrido.

O carro tinha câmbio Xtrac de apenas cinco marchas e pneus bem mais estreitos na traseira – com nove polegadas contra 14 dos dianteiros.

A estreia seria nas 6h de Silverstone – mas, preocupada com o desempenho (ou melhor, a falta dele) – adiou a primeira aparição para as 24 Horas de Le Mans, mesmo. Foram feitos testes em circuitos dos EUA e Marc Gené, que era o piloto mais experiente do lote de contratados, estranhamente foi afastado.

Com os dois carros fixos para o WEC e mais uma inscrição extra, a Nissan levou três protótipos para La Sarthe e olha… foi um negócio constrangedor.

Os três bólidos do construtor japonês falharam em alcançar os 110% do tempo do pole position da LMP1 – 3’21″119, o Porsche #18 de Marc Lieb/Romain Dumas/Neel Jani. O mais rápido Nissan no combinado das sessões classificatórias marcou 3’36″995. O segundo ficou na casa de 3’37” e o terceiro, em 3’38”. Eram 33 protótipos entre LMP1 e LMP2 – os três Nissan foram lá pro fim da fila, de castigo, junto aos carros da ByKolles e da Ibanez Racing.

Surgiram então as justificativas para um desempenho tão ruim: embora fosse muito rápido de reta, o Nissan GT-R Nismo LMP1 não fazia curva. Ademais, tinha um deficit de potência porque o KERS foi desativado. O conjunto deveria transferir 1267 HP de potência líquida (em Le Mans ela seria limitada a 1000 HP), mas havia tantos problemas que os engenheiros optaram por tentar minimizar os enormes prejuízos.

Na corrida, um rosário de dificuldades. Um dos carros, o #22 de Harry Tincknell/Alex Buncombe/Michael Krumm, perdeu uma roda a quase 300 km/h. Foram necessários reparos na seção dianteira. O #21 enfrentou uma quebra de supensão e também se atrasou na disputa – entretanto, a falha foi insolúvel e após 115 voltas o primeiro Nissan abandonava.

O #23 conseguiu ficar um pouco mais de tempo, embora visitasse constantemente os boxes e as garagens do circuito de Le Mans. Com 234 voltas, muita fumaça e a quebra da caixa de câmbio provocaram o abandono do carro tripulado por Jann Mardenborough/Olivier Pla/Max Chilton. O #22 ainda sobrou na disputa, mas no mesmo esquema dos demais. Perdeu um sem número de voltas: acabou com 242, recebeu a quadriculada, mas não foi classificado por percorrer uma distância inferior a 70% do vencedor.

A Nissan tentou minimizar os problemas, fez novo forfait – desta vez para as 6h de Nürburgring – e procurou concentrar-se em mais testes. O programa foi adiado “sine die”, com esperanças de voltar em 2016 sob novo comando. O falastrão Darren Cox foi afastado, entrou Michael Carcamo. Mas logo depois, o projeto LMP1 foi cancelado. Até Bruno Junqueira e Nelsinho Piquet foram escalados para testes – que não sei se realmente aconteceram e, se aconteceram, não resultaram em nada – infelizmente.

Muito bem: quem mandou a miniatura do controvertido protótipo de motor dianteiro foi o Dr. Derci Reiche, leitor assíduo do blog. A miniatura dele é em resina, fabricada pela Spark e na escala 1/18.

Você quer ver sua miniatura de Le Mans publicada no blog? Então envie foto, tamanho e fabricante para [email protected], que eu me encarrego do resto. Tá valendo?

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7 comentários

  1. Zé Maria disse:

    Ajuda aí, Rodrigo!
    Estou trocando as bolas ou até o Ricardo Divila teve alguma participação nesse fiasco?
    Abraço.

  2. jorge disse:

    Feios para muitos, mas eu achei o AMR-One e o Nismo LMP1 lindões. Uma pena não terem ido bem.

  3. Leandro disse:

    Torcia muito por este projeto, assim como pelo Delta Wing, infelizmente foram deixados de lado.

    Será falta de paciência? Em algum momento poderiam render frutos?

    Qual limite de “torrar” dinheiro em um projeto sem a certeza de sucesso?

  4. Alan disse:

    Este protótipo Nissan GT-R LM Nismo com motor dianteiro era “horrorível” até no simulador Gran Turismo 6. Perdi as contas do tanto que tentei “ajustar” ele pra tentar competir conta a Inteligencia Artificial, sem nenhum sucesso hahaha.

    Acho que era por isso que o simulador dava este carro de “presente” no inicio da carreira!

  5. Gabriel Medina, O outro disse:

    A Nissam foi muito ingênua, não na proposta do carro em sim, mas em medir o tamanho do desafio. Começaram tarde, quiseram entrar cedo e tinham parceiros muito aquém do objetivo. Uma das maiores provas disso é que o construtor do carro (AAR) não sabia as especificações da caixa de câmbio antes de vê-la.

    Em suma, uma claro exemplo de projeto muito mau gerido, o oposto do projeto LMP1 da Porsche. Com planejamento, parceiros mais qualificados e uma gestão profissional da coisa, poderíamos ter uma ideia se a proposta do carro era realmente válida.

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