Reunião poderá decidir os (novos) rumos do regulamento do WEC

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RIO DE JANEIRO – Nesta quinta-feira em Paris, capital da França, os responsáveis pelo regulamento técnico do Mundial de Endurance (FIA WEC), leia-se Automobile Club de l’Ouest, além de representantes de diversas montadoras, estiveram em reunião para definir os novos rumos a se tomar por um consenso visando o campeonato de 2020/21.

Pelo visto haverá mudanças a caminho na filosofia original apresentada há quase um ano: nas 24h de Le Mans de 2018, o ACO e a FIA lançavam com pompa e circunstância a proposta dos Hypercars, que teoricamente aproximaria os protótipos LMP1 dos conceitos de Grã-Turismo, com sistemas híbridos e custo mais baixo. Também havia o objetivo de fazer os carros menos rápidos por uma questão de segurança.

Só que ninguém embarcou pra valer na proposta. Ninguém sabe para onde vai a ideia. Nem a Toyota, único fabricante oficial hoje envolvido com a LMP1 e que vem se posicionando diante do ACO, exigindo clareza quanto aos rumos do regulamento – até porque os japoneses já se manifestaram “comprometidos futuramente” com a competição.

ByKolles e a Scuderia Cameron Glickenhaus chegaram a se manifestar com propostas de projetos para o regulamento Hypercars, do qual fabricantes como Aston Martin, Ferrari e McLaren pelo visto querem distância.

Sem o apoio dos fabricantes, não está claro que o regulamento dos Hypercars irá vingar: FIA e ACO têm que agir rápido em busca de uma solução e o CEO do Mundial de Endurance, Gérard Neveu, já fala em “plano B” para salvar a classe principal – sem entrar em maiores detalhes.

Duas das ideias que circulam à larga são factíveis. A primeira seria aproveitar o conceito dos Daytona Prototype International em conjunto com a IMSA, transformá-la numa espécie de DPi 2.0 – e isso seria uma derrota fragorosa para os franceses.

Por que?

Porque eles nunca deram o braço a torcer de que a proposta de multiplataforma dos ianques é mais adequada do que uma LMP1 com apenas um construtor oficial e vários independentes. É claro que marcas como Acura (Honda) e Mazda têm seus times oficiais, mas os construtores envolvidos podem ter quantos clientes quiserem por lá.

O que pode ser proposta é a mudança da regra dos próprios DPi não só para atrair os times dos EUA para as 24h de Le Mans como também adaptá-la ao WEC e fazer com que os carros tenham sistemas híbridos padrão – o que vai de encontro ao proposto para os Hypercars.

Uma segunda possibilidade é a GTE Plus, uma classe LMGTE mais, digamos, anabolizada. O Grupo Técnico do WEC não teria discutido essa proposta em momento algum até o fim de semana das 6h de Spa-Francorchamps. Mas há um lobby descarado de algumas montadoras para que esse conceito seja utilizado a partir do campeonato de 2020/21.

O Automobile Club de l’Ouest, em sua tradicional coletiva de imprensa da sexta-feira que antecede a disputa das 24h de Le Mans, marcada para o dia 14 de junho, deve adiantar novos detalhes acerca dos rumos do novo regulamento.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

6 Comentários

  • To na torcida pra irem pelo cominho mais logico no atual momento, que é aproximar os DPi dos atuais LMP1 não hibridos, porque no fundo são quase a mesma coisa , o chassi são dos mesmos fabricantes e o motor é fácil de nivelar, porque na verdade é tudo farinha do mesmo saco, os fabricantes dos chassis são os mesmo, e de motor também , ora bolas, quem faz o motor da Mazda no DPi é nada mais nada menos que a propria AER que tem motor turbo no LMP1 , Dallara e Oreca também são bilaterais neste mundinho fechado dos sports cars ………só mesmo o WEC é que está complicando as coisas.

  • Tomara que não façam mais besteiras. Os “franceses” e sua interminável soberba! O DPI (IMSA) está aí prontinho; é só aplicar. E como disse de maneira correta o Jonny’o.; os mesmos fabricantes tanto de motores como de chassis (Oreca, Ligier, Dallara). Está tudo pronto! Acordem franceses!!!!

  • Ué, deviam juntar os DPi com a LMP1, num padrão de chassis ou com chassis homologados pela FIA, assim a IMSA e a ACO nerfa os motores, os sistemas híbridos e outros itens de performance, assim teriam um maior equilíbrio entre os protótipos.

    Não gosto muito de um mesmo chassis para diversos clientes…fica um carro engessado, limitado e até fraco.

    A disputa de chassis, de motores e sistemas deve ser a filosofia de Le Mans.

  • Quando eu vi que faltando um ano pra próxima temporada, não tinha um carro apresentado, sabia que a ideia não tinha pegado. Faz o DPI Plus, dê o braço a torcer.

  • E não entendo porque forçar algumas coisas que tem que acontecer naturalmente, lembro que quando a Renault entrou na F1 com seu motor turbo, no inicio foi a duras penas , motor quebrava mais que cristal , depois colheram os frutos da iniciativa, imaginem na época se a federação dá uma canetada e obriga todos a usarem o turbo já em 1979 alegando a tendencia no futuro, ia ter 6 carros no grid e olha lá!!!!
    Dentro desse raciocínio imagino que poderia criar uma categoria para híbridos e aos poucos com o avanço natural passaria pra categoria principal , mas nunca forçar , a Formula E esta dando certo porque começou de baixo , ela na verdade é lenta ainda ,fraca de potencia, mas está evoluindo e deve chegar a um patamar viável de velocidade pra colocar no futuro em pista de verdade , mas não é assim na canetada com valores inviáveis de investimento , ninguém tá colocando fogo em dinheiro nestes tempos difíceis .

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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