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30 de junho de 2019 - 22:07Fórmula 1

Bom senso!

Austrian Grand Prix, Red Bull Ring 27 - 30 June 2019

RIO DE JANEIRO – Até que enfim a FIA e a Fórmula 1 deram uma dentro. Max Verstappen, com merecimento, conquistou a primeira vitória de um piloto que não fosse da Mercedes-Benz neste ano – e também a primeira do motor Honda na categoria em quase 13 anos.

Desde o longínquo 2006 que o construtor nipônico não via um carro com seus propulsores cruzando a linha final à frente da concorrência – na oportunidade, Jenson Button triunfou no Hungaroring, na Hungria, com um carro da própria Honda, que adquirira a British American Racing.

E precisou ser numa corrida que, felizmente, lavou a alma depois do horroroso GP da França. Eu estava em preparação para a transmissão das 6h de Watkins Glen pela IMSA, mas assistindo pelo aplicativo do celular, achei que o GP da Áustria foi muito mais interessante e movimentado que a corrida anterior. Só as primeiras voltas valeram o ingresso: Verstappen dormiu ao partir da primeira fila junto ao pole position Charles Leclerc e caiu para sétimo. Outros, em contrapartida, largaram bem – Lando Norris e Kimi Räikkönen, especialmente.

Com equipamento superior a estes acima citados, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel, além de Verstappen (óbvio), fizeram várias ultrapassagens e a corrida parecia tomar um rumo já bastante diferente do que vínhamos vendo nas oito primeiras etapas da temporada (pelo resultado, já que o GP do Canadá teve Vettel cruzando na ponta), a partir do momento em que Charles Leclerc assumiu a liderança novamente na 32ª volta.

Mas havia alguém que pensava diferente e esse alguém era Max Verstappen, cuja presença arrastou uma multidão vestindo laranja ao Red Bull Ring.

O holandês nunca deixou de acreditar que fosse possível chegar à vitória e ao superar a Mercedes de Valtteri Bottas na 56ª volta, iniciou a caça ao monegasco da Ferrari. Que cometeu um erro que não deveria: deixou a porta da sacristia aberta e Max, por dentro, executou a manobra de ultrapassagem.

Verstappen não tomou conhecimento do adversário e cruzou a linha final para delírio completo de seus compatriotas, que comemoraram nas arquibancadas como se fosse um gol da Laranja Mecânica numa Copa do Mundo. Além da vitória, sexta da carreira, a joia da Red Bull “copou” ao marcar também a melhor volta.

A manobra suscitou dúvidas e protestos. Foi legal? Não foi legal?

O que ficou claro é que Leclerc jamais deveria ter permitido ao rival uma manobra como aquela. E Verstappen fez o que qualquer piloto, nas mesmas circunstâncias, faria. Mergulhou por dentro e ‘espalhou’ a trajetória para não dar hipóteses ao ferrarista. Desde que o mundo é mundo, no automobilismo é assim.

Leclerc ficou de tromba no pódio, a Ferrari protestou, et cetera e tal. Mas no fim das contas, prevaleceu o bom senso – que faltou à FIA no GP do Canadá, quando deveria ter agido como agiu hoje na Áustria. Vettel não deveria ter sido punido. E nem Verstappen, hoje.

A polêmica demorou algumas horas e Max teve o triunfo enfim confirmado, numa atitude digna e correta dos comissários esportivos. Se o holandês tivesse seu triunfo cassado, era melhor desistirmos de vez da Fórmula 1 e procurar outra categoria para acompanhar.

O mais legal é que, depois de 10 provas seguidas, a Mercedes teve sua invencibilidade perdida e a própria equipe do construtor de Stuttgart, em momento algum, teve chance de discutir a vitória. Lewis Hamilton teve seu pior resultado do ano e Valtteri Bottas, outra vez, não mostrou estofo de campeão.

O GP da Áustria, em que todos os 20 pilotos terminaram, deixou bem claro que dos times de ponta, só há cinco pilotos capazes de tentar andar juntos – Pierre Gasly teve mais uma atuação vergonhosa. E o resto foi o resto: mas nesse ‘resto’, a McLaren tem mostrado grandes progressos.

Lando Norris repetiu o 6º lugar conquistado logo em sua segunda prova, no Bahrein e Carlos Sainz, saindo do fundo do pelotão, ainda foi oitavo. Pela terceira vez, os dois pilotos pontuaram juntos e os bólidos de cor laranja chegaram no top 10 pela sétima corrida. Com isso, no Mundial de Construtores, a equipe de Zak Brown se consolida como a quarta força do campeonato.

A Alfa Romeo, após alguns contratempos, respira: Kimi Räikkönen chegou entre os dez primeiros pela sexta vez em nove etapas e Antonio Giovinazzi tornou-se não só o 342º nome na história a pontuar em pelo menos uma etapa, como também o primeiro italiano a figurar na zona de pontos no Mundial de Fórmula 1 desde 24 de outubro de 2010, quando Vitantonio Liuzzi, então na Force India, terminou o GP da Coreia do Sul daquele ano em 6º lugar.

E para algunas escuderias, o GP da Áustria só comprovou a incompetência – vide Renault, Racing Point e, principalmente, Haas – com um carro ok de classificação e simplesmente pavoroso em ritmo de corrida. Kevin Magnussen e Romain Grosjean provam e comprovam que não têm mais condição de figurar no grid da categoria.

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6 comentários

  1. Antonio Vidal disse:

    Bastou o mundo gritar e o Papa pedir, que já na próxima etapa, a Mercedes não venceu.
    Numa pista como a da Áustria a Mercedes não andar bem?
    Valeu pelo suspiro, pela tomada de fôlego e principalmente, pela festa holandesa nas arquibancadas.
    Não assisti a prova, não deu….larguei o plim plim na mão e fui ver as 6 HORAS de WATKINS GLEN….não me arrependi.

  2. Leandro disse:

    Rodrigo, concordo que foram dois pesos e duas medidas nas análises dos comissários, o que só comprova o quanto foi injusta a punição a Vettel no Canadá.
    Acho que Leclerc deixou espaço por dentro para poder fazer um bom contorno de curva e sair mais rápido, como foi na primeira tentativa de ultrapassagem, mas ele acabou sendo muito ingênuo ao pensar que Verstappen não faria nova tentativa dessa forma. Na minha opinião, a manobra foi no limite da legalidade, mas pelo bem do esporte, deixaram essa passar.
    Talvez, se o caso Vettel não tivesse acontecido, o veredicto dos comissários fosse diferente. Mas espero que o que ocorreu no Canadá tenha servido para mudar a avaliação dos comissários daqui pra frente.
    Abraços!

  3. Bruno Serafim disse:

    Grande prova, mordi minha língua ao dizer que a “Fórmula 1 morreu” após o GP da França! Finalmente tiveram bom senso, como você bem citou. Já disso antes no GP do Brasil do ano passado e volto a dizer agora – Verstappen me lembra muito o estilo de Ayrton Senna e Gilles Villeneuve, pilota com garra e atitude. Esse vai longe, basta ter o melhor carro na mão. Ainda sobre a ponta, justo quando a Mercedes não vence, quem vence não é a Ferrari, que várzea…. Sobre o resto, bela prova do “Chuck” Norris e pavorosa prova de Gasly (o que ele está fazendo na RBR ainda?) e da equipe Haas. Esta última me chamou muito a atenção, fico intrigado e querendo saber o que está havendo nos bastidores dessa equipe que de uma hora para outra está tendo um desempenho melhor apenas que a moribunda Williams.

  4. Ivair disse:

    A corrida foi muito boa, verdade. Mas….o domínio da Mercedes e da Ferrari devem voltar nas próximas corridas e a “eterna” monotonia! Afinal as duas e as vezes a Red Bull tem o que as outras tem em bem menor escala: $$$$$$$$. Simples assim

  5. wilson carpini disse:

    faltou mencionar williams… pedradas em 3 2 1 fire!!!
    :))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))))
    falando sério, foi um misto de sentimentos, pois queria muito uma vitoria do leclerc, porém também queria uma vitória da honda, uma vez que os niponicos deveriam colocar uma ferradura numa luva de boxe e dar um upper de esquerda tanto em ron dennis quanto em fernando alonoso…. belíssima vitória da Red Bull empurrada pela Honda com a vontade e talendo de Verstappen…

  6. Alan Ambrosini disse:

    Gasly conseguiu tomar uma volta do Verstapen (durante a aproximação do #33 ao Leclerc). Sei não se a Red Bull não vem com alguma surpresa não tão surpresa assim em 2020.

    Sobre a “polemica” que nem deveria existir, só deixa escancarado que de tempos em tempos a FIA e a F1 tem seus pilotos preferidos: teve a época com Prost; depois foi o período do Schumacher e, por fim, estamos vivendo a época do Hamilton.

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