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23 de junho de 2019 - 12:18Fórmula 1

Festival de bocejo

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Dormir é para os fracos? Bem… não em se tratando da Fórmula 1 e do pavoroso GP da França

RIO DE JANEIRO – Era melhor ter dormido até mais tarde. O GP da França de Fórmula 1 foi xexelento até a medula. Que corrida pavorosa, meu Deus… que coisa triste.

Dá pra dizer o que? Seguimos sem manchete: a Mercedes-Benz fez mais uma dobradinha, Lewis Hamilton nada de braçada, os carros prateados ganharam pela oitava vez no ano. É um pé no saco, mas lembro que há 30 anos atrás a história era parecida com a McLaren, mas o torcedor brasileiro não achava ruim porque ali quem fazia parte daquilo era Ayrton Senna.

Não é mais surpresa alguma que, dentro deste atual regulamento, os alemães da estrela de três pontas seguirão dominantes. Também não é surpresa que é necessário – diria que urgente – a FIA e o grupo Liberty Media começarem a tomar medidas drásticas para que a Fórmula 1 não perca mais e mais o interesse dentro do automobilismo mundial.

O próprio público não compareceu como no ano passado ao circuito de Paul Ricard. Também pudera: ir para assistir uma procissão com enredo absolutamente previsível? Melhor ficar em casa ou procurar outro campeonato de automobilismo com mais alternativas, para poder assistir.

A verdade é que também os resultados dos treinos têm sido responsáveis por, diria eu, 90% do que acontece nas corridas. Com esses carros praticamente impossíveis de se conseguir ultrapassagens, exceto pelos artificialismos da asa móvel – e o que esses caras têm na cabeça em pôr uma porra de uma chicane no meio do retão Mistral, cazzo? – tivemos praticamente um autorama.

Na verdade, foi-se o tempo em que se lutava por ultrapassagens de verdade. Há não muito tempo atrás, as ultrapassagens se davam nos boxes. Hoje, pelo rádio, com o #mimimi básico de quem diz ‘eu estou mais rápido, mas não consigo passar’. Também pudera: o regulamento e a aerodinâmica dos monopostos da categoria máxima não permitem.

Hamilton só perderia mais essa se um meteoro caísse na França. Como isso não aconteceu, o inglês se aproxima mais e mais do recorde de 91 triunfos de Michael Schumacher. E não tem culpa nenhuma por isso. Tem o melhor carro nas mãos e sabe tirar proveito disso como vimos poucas vezes nos últimos anos.

Ainda tivemos um pinguinho de emoção quando vimos Charles Leclerc se aproximar no fim de Valtteri Bottas – tardiamente, o que foi uma pena, principalmente para o piloto monegasco e também para a Ferrari, outra vez mostrando falhas de estratégia que só possibilitaram a Sebastian Vettel tentar lutar pelo ponto extra da melhor volta. Conseguiu: na última volta, bateu o melhor tempo de Lewis Hamilton por quatro milésimos de segundo.

Dizer mais o que desta sonolenta oitava etapa do campeonato? Ah, claro: a McLaren foi o destaque pelo bom resultado nos treinos e pela 6ª posição de Carlos Sainz – o que considerando o que (não) faz Pierre Gasly no segundo carro da Red Bull, é digno de registro. E numa Fórmula 1 previsível, é o que dá pra fazer. Lando Norris teve problemas de diferencial e mostrou seu valor resistindo bravamente a Daniel Ricciardo.

E tirante isso, a Renault pontuou com os dois carros numa prova discreta e a Alfa Romeo voltou a figurar no top 10 (com Räikkönen, para variar) após algumas corridas difíceis para o construtor italiano. Tirante isso, um péssimo resultado de Gasly como já citamos e a pouca competitividade de Toro Rosso, Racing Point e principalmente da Haas por ocasião deste domingo. Quanto à Williams, a draga de sempre.

Trocando em miúdos, a vantagem de Hamilton para Valtteri Bottas já está em 36 pontos (187 a 151) – uma bela folga para quem, como ele, alcançou a quarta vitória consecutiva em 2019. A Mercedes alcançou o incrível total de 338 pontos no Mundial de Construtores. A Ferrari, de binóculos, tem 198. É preciso dizer mais alguma coisa?

A Fórmula 1 precisa se salvar. E com máxima urgência. Para o bem de todos: pilotos, equipes, público nos autódromos em casa, jornalistas e todos os envolvidos. Uma reinvenção é necessária e absolutamente premente diante de tudo o que temos visto não só em 2019 como nos últimos campeonatos.

25 comentários

  1. Leandro disse:

    Rodrigo, a corrida foi horrorosa, mas a Globo ajuda a piorar tudo. Não mostrou a briga e as ultrapassagens na última volta entre Norris, Ricciardo, Raikkonen e Hulkenberg, para mostrar a “imagem da corrida”. E agora corta o pódio em todas as corridas. Não sei quem foi o infeliz na Globo que teve essa “brilhante” ideia de transmitir o pódio só pela internet.
    Com relação ao circuito, ele é sensacional, obviamente sem aquela chicane. Era só tirar a chicane e não utilizar a zona de DRS na reta toda que teríamos ultrapassagens reais, como antigamente.
    E esses pneus cada vez mais resistentes e que favorecem o carro da Mercedes abortam a possibilidade de qualquer estratégia diferente.
    A F1 está tomando um caminho cada vez mais triste, e as equipes grandes precisam deixar seus interesses de lado em detrimento da volta das disputas, caso contrário, em 10 anos será o fim de tudo.

  2. Bruno Serafim disse:

    Mattar, não sei por qual motivo ainda se perde tempo com Fórmula 1. Depois de ter assistido uma p*** corridaça em Nürburgring, fica impossível dar audiência para esse circo da F1. Meu ponto aqui não é discutir os problemas da F1, que já estamos carecas de saber, mas perceber que existe “vida inteligente” fora da F1, e que ela é muito mais vibrante inclusive. Estamos vive do a era de ouro das corridas de gran turismo e muitas pessoas continuam pensando só em F1 infelizmente.

    • Antonio Vidal disse:

      Tô com você Bruno Serafim.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Eu concordo plenamente com você, Bruno. Mas se num blog de automobilismo eu não falar de Fórmula 1, vou apanhar e feio. Penso também no leitor. Ele quer ler coisas com as quais ele possa concordar, discordar e até pensar junto. A Fórmula 1 precisa se reinventar. Longe de mim querer dizer o que é que precisa ser feito. Mas algo precisa ser feito sim. E rápido.

      • Bruno Serafim disse:

        Ah sim, concordo. Você está na sua função de cobrir a categoria, até porque continua sendo a principal. Meu ponto é que o público precisa virar a cabeça e olhar um pouco pro lado pra perceber que existe coisa melhor que a F1.

  3. Claudio disse:

    Hoje tivemos a tempestade perfeita. Uma pista horrível, uma equipe dominante e um piloto imbatível. Não me lembro de corrida tão ruim. Talvez já tenham existido piores, mas essa se esforçou bem para ser a pior. Deu sono. Pqp. Achei engraçado que a intenção de mudar a aerodinâmica dos carros para esse ano era aumentar as ultrapassagens. Não está rolando. Ross Brawn é um piadista, até parece que mexer em asinhas vai mudar alguma coisa nesse campeonato terrível. Precisa mudar tudo. Pra ontem!!!!

    • Claudio disse:

      Puniram agora o Risadinha. 2x 5 segundos pela disputa da última volta. Justo, pelas regras atuais. Agora, a pista não deveria ser assim né? As pistas como são hoje, com suas linhas demarcadoras de limites e amplas áreas de escape permitem isso. Os erros deveriam ser punidos de maneira mais contundente, NA PISTA. Parafraseando o Vettel, queimem o livro de regras

  4. Wedson disse:

    Rodrigo só posso agradecer por sua felicidade nas palavras para descrever a atual formula 1 e essa corrida cujo o processo parecia uma crise de cálculo renal . Nossa nem sei o que dizer, só posso repetir o que eu disse a uns dias de que graças a Deus existem as corridas de turismo porque se não …………….

  5. Ivair disse:

    A corrida toda foi um porre de chatice. Quem viu as 24 h de Nurburgring terminando e cheia de emoções e alternativas e começou a ver a F1….que lixo! E nada a ver com Hamilton e os pilotos. O Regulamento atual e as chatices excessivas de uma parido-segurança cada dia mais atrapalham a corrida. Ou esses caras mudam esses Regulamentos ou a tendência é essa categoria virar uma chatice. Uma pena!

  6. walter disse:

    24 Horas de Nurburgring: sen – sa – cio – nal!

    Respeito aos que assistem F1, mas, hoje,, claramente, foi um erro perder as últimas duas horas da corrida de Nurburgring.

    F1? Não caio nessa.

  7. Igor Fonseca disse:

    ” e o que esses caras têm na cabeça em pôr uma porra de uma chicane no meio do retão Mistral, cazzo?” Simplesmente leu o meu pensamento! Sobre essa corrida de merda, nem preciso falar mais nada. Mas essa maldita chicane num dos retões mais emblemáticos do autódromos afora é simplesmente INCOMPREENSÍVEL.

    Infelizmente, do meu ponto de vista, enquanto a FIA continuar sob administração Jean Todt vai continuar esse cenário lamentável: Uma obsessão com segurança e politicamente correto que geram punições absurdas e descabidas e um artificialismo que somados acabam com o esporte. Uma entidade extremamente soberba, que caga e anda para os fãs, e nem sequer enxerga os males que causa a categoria máxima com essa política esdrúxula e paranoica.

  8. WESLEY ANDRADE disse:

    É inacreditável como um Grande Prêmio chamou muito mais atenção pelos defeitos de uma categoria do que qualquer outra coisa. É triste demais. Se eu não estivesse acessando a Internet, eu teria dormido de tanto tédio.

    • Claudio disse:

      Concordo. Escancarou a ruindade atual. A era híbrida é de longe a pior de toda a história do esporte. Se quiser continuar relevante, vão precisar mudar muita coisa para o próximo período. Carros. Pistas. Regulamento.

  9. Renato Ariano disse:

    Li uma entrevista da revista Car and Driver com o Stirling Moss. Quando pergunto pelo repórter o que fazer para tornar a fórmula um atual mais atraente ele falou : tirem essas asas dos carros na minha época sem essas asas conseguíamos perseguir os carros sem problema. Pra quem nunca viu vale a pena ver o filme grand prix uma excelente oportunidade de ver as perseguições limpas sem ar sujo kkk

  10. Antonio Seabra disse:

    Soluções simples, que qualquermenino de 15 anos saberia apontar::

    1 – reduzir cara e arrasto aerodinamico dos carros
    2 – acabar com a troca de pneus. Pneu tem de durar a corrida toda, dai não se ultrapassa mais nos boxes, pois ultrapassagem deve ser na pista.
    3 – a mais importante: permitir a equipes particulares a usar carros comprados dos principais fabricantes. Ou seja, uma equipe adicional para cada marca. Ou então 3 carros por equipe.
    4 – acabar com o radio/mensagens via radio, para diminuir gerenciamento de corrida feito pelos team managers e não pelo piloto

    Essas 4 coisas trariam a emoção de volta

  11. Gustavo disse:

    Essa corrida na França foi das mais rápidas da história para mim: assisti a largada e as três primeiras voltas. O resultado já estava definido, conforme verifiquei mais à noite pelo noticiário.

    Provável que Lewis Hamilton, entre outros pilotos, percebam a ausência de sentido nos resultados que têm obtido, simplesmente porque nada disso tem qualquer significado para quem conheceu a F-1 de fins da década de 1970, e da primeira metade da década de 1980.

    Verdade que tudo isso envolve muito dinheiro e tecnologia, mas para quem está assistindo nas arquibancadas, ou em casa, não há qualquer emoção ou fato relevante que prenda a atenção.

    Só lamento que tenhamos de esperar ainda mais de 1 (um) mês para a próxima etapa da Endurance Brasil e da Turismo Nacional BR. Mas essas categorias, definitivamente, merecem a espera.

  12. Danir disse:

    Autodromo ruim e esteticamente horrivel. Vá lá que seja seguro, mas não contribui para o espetáculo na trilha negra de asfalto, que é o que interessa. A formula 1 virou uma ação entre amigos, com regras para crianças e não para pilotos. As especificações técnicas não contribuem para que haja competitividade real, dada a disparidade de recursos entre os participantes. Hoje em dia vale muito mais a pena assistir Moto GP, Endurance, monopostos de outras categorias, Indy e ate Nascar. Acompanho F1 desde quando ainda não era transmitida pela televisão, e de uns tempos pra cá, eu durmo nas corridas, como aconteceu neste domingo (sou velho mas não sou caquético). Os pilotos podem ser muito bons, mas não dá para haver competição se os meios não forem pelo menos equiparados. Asa móvel é uma aberração, halo, por mais que se fale em segurança, tambem é uma aberração.
    Uma lástima, estou iniciando a transição para outros habitos que não incluem a F1 no elenco.

  13. Ricardo disse:

    Mattar, por qual motivo você não cobre também as provas da Indy? Vejo muito pouca matéria a respeito no seu blog, e este fim de semana tivemos uma puta corridassa em Road América, roda com roda, ultrapassagens por fora da curva, da pista, em alta velocidade, foi o completo oposto dessa corrida ridícula da França, vale um post

    • Rodrigo Mattar disse:

      Eu gosto de aproveitar o tempo livre para fazer outras atividades. Também não falo da MotoGP, que está entre as melhores competições do planeta.

  14. ags disse:

    Se essa prova foi um desastre… acho que a Dona dos direitos da F1..procurar outra desculpa..que vergonha… o bom é ver a Ferrari levar pau..mas assim não teve graça..o alemãozinho… nem sabia onde estava.. parecia pato sem agua..
    o segundo da SF.. foi até o fim pq não tinha nada que fazer naquela tarde..
    Ate LH..não sabia de nada..corrida ou treino ou fazendo comercial em PR..
    Cada dia que passa, parece que a F1 não dá mais liga…………………………………….

  15. Alvaro Ferreira disse:

    Muito bem colocado, Rodrigo. Ao longo dos anos vi esse marasmo acontecer algumas vezes na F1; McLaren com Senna e Prost, Ferrari com Schumacher, Red Bull com Vettel… Mas agora tá demais, não só em termos de duração do domínio Hamilton/Mercedes, mas também porque deve continuar até o final da temporada 2020, com a manutenção desse regulamento. Tá chatíssimo.
    Também não vou me aventurar a dizer quais as mudanças e soluções, isso deve vir de uma discussão em conjunto. Mas continuar assim por mais um ano e meio vai afastar muito público do esporte.

    • Danir disse:

      Resumindo a atitude dos dirigentes: Ignorancia tem cura, já a burrice é um patrimônio inalienável do indivíduo. O que voces acham; eles são ignorantes, burros ou alienados?

  16. Vinicius disse:

    E não adianta colocar a culpa na pista, porque as corridas preliminares da F-2 e da F-3 foram muito boas.

    A F-1 precisa tirar o gesso. Algumas medidas bobinhas já ajudariam: a simplificação da aerodinâmica dos carros, com a consequente redução do downforce, e a uniformização do padrão dos pneus em todas as pistas, dando liberdade para que os pilotos possam usar o mesmo tipo de borracha a corrida toda.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Eu não sou capaz de culpar Paul Ricard, porque eu adoro o traçado. Sou da velha guarda, sempre gostei. Mas as áreas de escape são um horror com aquele desenho. É impossível gostar.

  17. Gabriel Medina, O outro disse:

    Chatice imensurável. Acompanho a F1 desde 93, e em 70% do tempo ela foi assim, chata que dói, mas pelo menos os carros eram arrojados, apaixonantes, não propriamente bonitos, mas esguios, compactos, davam uma impressão de desenvolvimento tecnológico e extremo, tinham um barulho lindo e era legal de ver.

    Hoje, além da chatice ter aumentado exponencialmente e estarmos vivendo uma sequência insuportável de dois reinados, os carros são gigantescos, horrendos e dão a nítida impressão de que a F1 se auto devorou, não a toa, simplesmente ninguém se interessa em entrar na categoria a anos, algo que sempre existiu.

    O esporte está mudando radicalmente e, dada a sua suma imcompetencia, é bem capaz da F1 não fazer a transição e ficar pelo caminho.

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