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3 de junho de 2019 - 18:19Fórmula 1, Memorabilia

Há 35 anos, o primeiro pódio de Senna

Toleman-Senna-1983-Monaco-740x357RIO DE JANEIRO (Saudade do que a gente viveu…) – Seria uma heresia de minha parte mencionar esta ocasião que é especial apenas como mais um post da seção Túnel do Tempo o que se viu há 35 anos, no dia 3 de junho de 1984.

Naquela data, num pouco comum GP de Mônaco disputado neste mês, Ayrton Senna apresentava seu cartão de visitas à Fórmula 1. Aquele garoto de 24 anos fez o possível e o impossível numa pista difícil de ultrapassar e, com aquela água que caía naquele domingo.

Era apenas a quinta participação do brasileiro na temporada – a segunda com o modelo TG184 da Toleman, projetado por Rory Byrne. A equipe mostrara uma ascensão no ano anterior que lhe permitiu marcar alguns pontos – foram 10 nas últimas quatro etapas, deixando a escuderia em 9º no Mundial de Construtores de 1983.

Mesmo contando com um motor não muito forte em comparação com fábricas como BMW, Ferrari, Porsche e Honda – o propulsor era um Hart Turbo quatro cilindros em linha, com cabeçote no bloco do motor e potência de cerca de 900 HP em ritmo de classificação, o chassi do TG184 parecia ser dos mais competitivos daquele ano.

Nos treinos, Ayrton fez o 13º tempo. Virou em 1’25″009 – a pole de Alain Prost foi 1’22″661. Mas o aguaceiro no dia da corrida foi o que Senna precisava para uma atuação épica.

Na largada, as Renault de Derek Warwick e Patrick Tambay se autoeliminaram na curva Ste. Devote. Andrea De Cesaris quebrou a suspensão de sua Ligier e Senna passou em 9º na primeira volta, já que Nelson Piquet, que largava também à sua frente, ficou parado no grid e despencou para penúltimo.

A primeira vítima da Toleman #19 foi Jacques Laffite, da Williams. E seguiriam-se outros: Manfred Winkelhock, da ATS e até Keke Rosberg, o campeão de 1982, foi ultrapassado sem a menor cerimônia por aquele rapaz atrevido de capacete amarelo. A manobra de Senna sobre o finlandês é um clássico daquela corrida.

Mas nada supera o passão de Ayrton em Niki Lauda, depois do brasileiro deixar para trás a Ferrari de René Arnoux e Nigel Mansell, que liderava, rodar tresloucadamente no molhado e bater sua Lotus.

O segundo posto já parecia bom demais. Alain Prost liderava com relativa facilidade, mas Senna, instruído pelas placas de sinalização, reduziu de forma drástica a diferença que o separava do piloto da McLaren.

A política falou mais alto: Ron Dennis fez pressão – e não me surpreendo se Jean-Marie Balestre (sempre este homem fatal!) também estivesse atrás dessa história toda. O certo é que Jacky Ickx, que era o diretor de prova em Monte-Carlo na ocasião, acabou mostrando bandeira vermelha junto à quadriculada, na 31ª volta.

Senna deu de ombros. Passou reto enquanto Alain parava. Para ele, a corrida estava ganha. Punho cerrado, comemorou como se fosse realmente a primeira conquista na Fórmula 1.

Na hora do pódio, porém, o brasileiro teve que se contentar em ser o 2º colocado. Os pontos foram ofertados pela metade e, para Alain Prost, teria sido negócio melhor se a corrida terminasse dentro do limite de duas horas – com 31 voltas, o GP de Mônaco tinha 1h01min, faltando ainda 59 minutos de disputa.

Com os 4,5 pontos que marcou na ocasião, Prost perdeu o título em 1984 para Niki Lauda por meio ponto, apenas. O destino foi cruel com o francês.

E Senna, com sua atuação histórica, abriu caminhos para uma bela temporada de estreia, com mais pódios nos GPs da Inglaterra e Portugal, afora outras boas atuações e alguns problemas – inclusive com a própria Toleman.

Como diz o poeta, o resto é história…

 

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10 comentários

  1. Jonny'O disse:

    Pista e condições ideais para Senna mostrar seu talento em ano de estreia, Mônaco na teoria era a pista perfeita para o ótimo chassi da Toleman , e com a chuva ficava eliminado a diferença para o motor Hart, Senna não desperdiçou a oportunidade ,como convêm aos campeões!!!

    O chassi Toleman era tão bom que Teo Fabi fez pole com o Toleman Hart em 85, por trás da pequena equipe estava nada mais nada menos que Bori Byrne , o mago das Benetton e Ferrari da era Shumacher , algo semelhante ao Neway fez na March dos tempos do Capelli.

  2. Rodrigo disse:

    Só 900 hp, tadinho.

    O que mais me agrada nesse GP é que ele é completo exatamente por ter sido disputado pela metade. Se Senna, Lauda, Bellof, ou mesmo Prost venceriam no full mode não importa, porque muita coisa que se desdobrou depois foi definida nesse meio GP.

  3. Wilton Sturm disse:

    Caro Rodrigo. Bela lembrança de una igualmente bela corrida.
    Rodrigo, você sabe por que o Stefan Bellof não compareceu ao podium nessa corrida?
    Obrigado. Deixo um abraço!

    • Rodrigo Mattar disse:

      Wilton, nem sabia deste detalhe da ausência do Bellof, pra te ser sincero.

      • Wilton Sturm disse:

        Bom… agradeço você me responder… e fica então essa curiosidade como presente!!! :)
        Já pesquisei muito e nada obtive de resposta razoável. Cheguei a perguntar para o “dono” do fã clube do alemão e sequer obtive resposta! Fica o mistério!!

    • Cristiano disse:

      Já pesquisei o motivo da ausência do Bellof no pódio e nada. Também tem aquela história que na época o Pat Symonds, que era diretor técnico da Toleman, revelou que o TG-184 do brasileiro estava com a suspensão deteriorada devido às zebras da Chicane du Port e da Piscina, e não aguentaria mais do que duas ou três voltas além da bandeira vermelha.

  4. Wilton Sturm disse:

    Me permita outra observação…
    Durante bom tempo apenas o vencedor subia no podium para receber seu troféu e ser cumprimentado pelo princípe! Até aí tudo bem, basta ver o podium de 1981. Em 83, já é possível ver os 3 primeiros com suas taças na mão! No entanto, no podium de 1982, estão lá os 3 primeiros mas somente o Patrese com uma taça!!! Provavelmente devido a famosa confusão das voltas finais, o podium de 1982 virou um momento único…
    Aliás, li declaração do Patrese que se encaminhou para o local e lá ficaram por algum tem 4 pilotos!!!! Ninguém sabendo exatamente a posição certa!!
    Um forte abraço!

  5. Antonio Seabra disse:

    Essa corrida é um poço de ‘”IF”s and “BUT”s….
    – existe a historia de que a suspensão do Toleman de Senna estava quebrada devido a um toque no gurd rail, e não suportaria mais algumas voltas.
    – existe o fato de que Bellof era o piloto mais rapido na pista nas ultimas voltas (ajudado pela aplicação de potencia mais suave do motor Ford aspirado), e estava reduzindo a distancia para Senna muito mais rapidamente do que Senna reduzia para Prost…..logo, se a corrida prosseguisse Bellof iria dispuar a liderança com eles, com grande chance de vencer…(quem sabe por isso não foi ao podio ?)
    – existe o fato de que Ickx, muito tempo depois, assumiu que Balestre o forçou a dar a bandeira de encerramento, que ele era contrario a dar…

    A verdade é o que ficou para historia: bandeira dada, corrida encerrada, `Prost vencedor e Lauda campeão…

  6. Marcelo de Castro disse:

    “saudade do que vivemos”. Sensacional!!!
    Quanto a corrida me lembro de cada detalhe dela, e tinha 10 anos!!!!. Bons tempos

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