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6 de junho de 2019 - 11:45Fórmula 1, Memorabilia

Robin Herd (1939-2019)

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Robin Herd trabalhou na Fórmula 1 a partir dos anos 1960 e muitas de suas criações serviram à March, onde era um dos sócios-fundadores. Aqui na foto, ele posa com Ronnie Peterson e Max Mosley diante do modelo 721X, um dos projetos de Herd na Fórmula 1 que não deu certo

RIO DE JANEIRO – Informa o jornalista britânico Andrew Benson, da BBC, que a Fórmula 1 e o automobilismo mundial acabam de perder nesta semana outro de seus nomes mais relevantes. Morreu ontem aos 80 anos de idade o engenheiro Robin Herd, que fez parte de três escuderias da categoria máxima entre as décadas de 1960 e 1980. Ele lutava há algum tempo contra um câncer.

Nascido em 23 de março de 1930, graduou-se engenheiro em Oxford e aos 31 anos, em 1961, já trabalhava na área de aeronáutica. Foi um dos responsáveis pelo projeto do sensacional avião supersônico Concorde, focado na área de Computational Fluid Dynamics (CFD). Fez parte do projeto por quatro anos e trocou as aeronaves pelos carros de corrida, que voavam mais próximos ao solo.

Em 1965, alertado por Alan Rees de que havia vagas disponíveis numa nova organização que se chamava Bruce McLaren Motor Racing, Herd assumiu o posto de engenheiro na equipe fundada por Bruce McLaren para estrear na Fórmula 1 em 1966. Fez o primeiro carro, o M2A, com o uso de um material compósito chamado Mallite, para dar mais rigidez e resistência à estrutura do chassi.

O M2B, carro com que a McLaren estreou no GP de Mônaco, primeiro daquela temporada, também foi construído em monocoque de Mallite e Alumínio, passando então para os projetos mais evoluídos como os modelos M4B, M5A e M7, usados até 1968, quando deixou a equipe – não sem antes projetar o belíssimo M6A Protótipo para a Série Can-Am.

Projetou para a Cosworth um Fórmula 1 com tração nas quatro rodas e foi chamado por Frank Williams para atualizar um chassi Brabham BT26 entregue a Piers Courage, antes que se associasse ao amigo Alan Rees, a Graham Coaker e a Max Mosley para fundar a March Engineering.

Os carros do construtor britânico – com suas frentes “limpa-trilhos” ou de “nariz grávido”, como alguns costumavam apelidar –  ganharam espaço em todas as categorias que vocês puderem imaginar – de monopostos a Protótipos. Na categoria máxima, foram três as vitórias – uma com Jackie Stewart (Espanha/1970), outra com Vittorio Brambilla (Áustria/1975) e depois com Ronnie Peterson (Itália/1976).

E se houve momentos de glórias e domínio em várias categorias, a March experimentou também períodos de profundo descrédito. No campeonato de 1977 da Fórmula 1, foram incapazes de oferecer material competitivo a Alex Dias Ribeiro e Ian Scheckter, incinerando a carreira dos dois. Principalmente porque grande parte do investimento foi destinado a um projeto ineficaz: o March 2-4-0, concebido com quatro rodas motrizes na traseira.

O problema de Alex com a equipe, contudo, não passava por Herd, de quem nunca desgostou – e sim com Max Mosley, que julgava o brasileiro um piloto incapaz de estar ali.

Quem já leu o livro “Mais Que Vencedor” sabe que Alex recebeu uma missiva de seu patrão que lhe dizia as maiores barbaridades, deixando o ego do piloto ao patamar mais próximo possível do chão.

Entre idas e vindas, a March competiu na Fórmula 1 em três períodos – o primeiro entre 1970 e 1977; o segundo entre 1981 e 1982; e o terceiro e último, entre 1987 e 1993. Mas aí Herd já havia vendido a companhia – não sem antes ter um curto período como diretor técnico da ATS, em 1978.

A marca cofunadada por Robin disputou 197 GPs, alcançando, além de três corridas, cinco poles, sete recordes de volta em prova e 21 pódios.

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Modelos como o 83C projetado por Robin Herd foram um filão de vendas, mercado, vitórias e títulos para a March Engineering, nos EUA

O último projeto de Herd para a Fórmula 1 foi o modelo 821, guiado inclusive pelo brasileiro Raul Boesel. Nessa mesma época, a companhia ganhou um outro ótimo mercado de vendas: a Indy. O construtor de Bicester foi rivalizar com a Lola, inclusive com vitórias nas 500 Milhas entre 1983 e 1987, sem contar inúmeros triunfos noutras corridas da série ianque – afora Fórmula 2, Fórmula 3, IMSA e World SportsCar Championship.

Após a venda da March para a Leyton House em 1989, Herd montou um escritório de design, abandonando temporariamente o automobilismo ao se tornar dono e CEO de um clube de futebol – o Oxford United. Sua última tentativa no esporte a motor aconteceria em 1998 na IRL, mas ele não alcançou êxito.

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7 comentários

  1. Alex disse:

    Lá se foi mais um nome de peso na história da F-1. Apesar de não ser muito vitoriosa, a March cumpriu um outro papel importante: enchia o grid da F-1 de carro e, na década de 80, fez o mesmo na Indy.
    Peterson, Lauda, José Carlos Pace, James Hunt e muitos outros estrearam na F-1 usando March.

    • Rodrigo Mattar disse:

      O automobilismo mundial deve muito a essa fábrica, porque veja só em quantas categorias eles competiram na história: Fórmula 1, Fórmula 2, Fórmula 3, Fórmula Atlantic, Fórmula 3000, Fórmula Indy, Can-Am/Intersérie, Esporte-Protótipos 2 litros, Fórmula 5000, Fórmula Ford, Fórmula Renault, World SportsCar Championship (Grupo C) e IMSA GTP.

  2. Jonny'O disse:

    Sem duvida, Herd fez parte de um grande time, eles sacudiram o mundo a F1 em 1970, se enumerar os pilotos daquele ano era uma constelação de grandes estrelas, algo que jamais se repetirá!

  3. Antônio Cabral disse:

    March é uma sigla que reúne os nomes dos fundadores da fábrica. No caso Robin Herd é a letra H que fica no final da palavra March. Max Mosley no caso é a letra M.

  4. Ivair disse:

    Uma notícia bem triste. Mais um dos bons do automobilismo se foi. Foi protagonista de uma época marcante do esporte a motor. Conviveu com gênios, tanto pilotos como projetistas.

  5. Caio Gruber disse:

    Esse March é muito bonito, uma lenda com o Peterson pilotando.

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