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29 de setembro de 2019 - 22:23Fórmula 1

De quina pra lua

RIO DE JANEIRO – “De quina pra lua” foi o título de uma das mais fracas novelas da Dona Globo. Exibida em 1985/86, tentou colocar o saudoso Agildo Ribeiro, mestre do humor, como protagonista de uma trama que jamais deixou saudades.

Hoje, em 29 de setembro, aproprio-me da expressão para falar da vitória de Lewis Hamilton neste domingo de GP da Rússia de Fórmula 1.

Uma corrida que tinha todos os ingredientes para o domínio da Ferrari. Pole position de Charles Leclerc, liderança de Sebastian Vettel nas voltas iniciais e aí começou o #mimimi.

Pelo que se notou, havia uma combinação de que o alemão teria a pista livre para assumir o comando, puxaria o “train” e Leclerc, vindo no encalço, teria depois disto total condição de, com um carro mais rápido, assumir a liderança e partir pro abraço.

Não foi exatamente isso que aconteceu. Aliás, não aconteceu: Charles não seguiu a toada de Vettel, se vestiu de lamúrias na comunicação via rádio com a equipe e o piloto do carro #5 fez a parte que lhe cabia, até que a equipe ‘ordenasse’ a troca de posições.

Leclerc parou primeiro na volta 23. Montou pneus médios quando a diferença entre ele e o companheiro de equipe já estava em quatro segundos. A Mercedes começara a corrida em Sóchi exatamente de médios, esperando um golpe de sorte contra a rival italiana.

E o golpe veio.

Vettel, o líder, tinha quase seis segundos para Hamilton e foi aos pits, para trocar dos macios para os médios. Conforme o planejado, Leclerc ‘ultrapassou’ o alemão e a tendência apontava para a quarta vitória dos vermelhos, terceira do monegasco.

Mas o motor do carro #5 entrou em pane. Um desconsolado Tião teve que parar. A direção de prova, ao invés de chamar o Safety Car normal, acionou o VSC. Foi perfeito para os alemães: Hamilton e seu escudeiro Valtteri Bottas foram aos boxes e retornaram à pista com pneus macios.

Outro golpe de sorte foi o Safety Car – esse sim real – acionado após a relargada quando George Russell bateu, no segundo acidente consecutivo do piloto da Williams, o único a não marcar pontos nesta temporada. Leclerc foi de novo aos pits, voltou aos pneus macios, mas depois Bottas fez o papel que lhe cabia e segurou o piloto da Ferrari.

Com esse presente saído dos céus (ou do motor de Vettel, como queiram), Hamilton conquistou uma improvável vitória com pontuação máxima, já que foi também o autor do giro mais rápido. Pela 143ª vez na carreira, aliás e a propósito, o “Comandante” liderou pelo menos uma volta – novo recorde histórico da Fórmula 1.

Numa corrida que achei bem morna (aliás, já existiu corrida boa em Sóchi, de fato?), há que se destacar Max Verstappen recuperando posições e Alexander Albon – largando dos boxes – para ser um ótimo 5º colocado. Dá o que pensar o que teria feito o tailandês na disputa se tivesse largado mais à frente, se não batesse no qualifying.

Carlos Sainz Jr. merece citação por ter sido o melhor do resto em ótima atuação com a McLaren – que terá motores Mercedes de novo a partir de 2021, dentro do novo regulamento. A equipe seguirá como cliente Renault, mas já se prepara para se aliar de novo à marca que lhe deu performances consagradoras entre os anos 90, 2000 e parte da última década.

E paremos por aí. O resto não merece mais nenhum tipo de citação, a não ser que Hamilton agora tem 73 pontos de frente para Bottas após a nona vitória na temporada e a Mercedes não só nada de braçada para levar mais um título de construtores como – mesmo não tendo mais o melhor carro – fará do britânico campeão pela sexta vez com a mesma folga de sempre.

4 comentários

  1. Claudio disse:

    Ferrari sendo Ferrari. Quanta bobagem esses “combinados”. Só servem para deixar ainda mais latente a animosidade entre seus pilotos. Foi uma corrida bem ruim, esse circuito de Sóchi, apesar de bonito, não oferece boas corridas. Li que em 2021 podem mudar para São Petersburgo a corrida.

  2. Antonio Seabra disse:

    Noticia que veio a tona, dizendo que não houve de fato uma pane que parou o carro de Vettel: ele foi parado por problemas de (falta de) isolamento do sistema eletromotriz, o que podeira causar uma descarga no piloto. Qustão de segurança,como foi dito.
    Esse fato abre duas corentes de pensamento possiveis:
    1 – uma seguindo a teoria da conspiração, com a qual não concordo, de que a Ferrari poderia ter parado Vettel propositalmente. Hipotese chula, mas que vai ter gente falando nisso, vai.
    2 – eu não sou propriamente um fã do Vettel, mas tenho que concordar com ele: “tragam os V12 de volta !”.

    Antonio

  3. Antonio Vidal disse:

    Fala galera….
    O que esperar de uma “equipezinha” como está?
    Os “capos” da Ferrari deveriam ter vergonha na cara de alinhar seus carros no próximo grid, apesar que depois do caso de Rubinho em A1 RING, esta qualidade ou defeito simplesmente desapareceu em Maranello.
    Contrariando e muito jornalistas e torcedores que insistem em colocar a F1 como a categoria máxima, ratifico minha opinião que há muito tempo a categoria deixou de ocupar este lugar….categoria trituradora de talentos, categoria que hoje, não fede e nem cheira, apresentando “corridinhas” insossas….
    Pergunto aos ferrenhos torcedores ferraristas como pode uma equipe temer pela derrota antes mesmo da largada?… e como ainda podem acreditar que são o biscoito mais gostoso do pacote ao exigir o tal poder de veto?
    ferrari…isso mesmo, ferrari com f minúsculo…!!!!

    • Danir disse:

      Olá Antonio Vidal. Você disse tudo. A corrida foi uma porcaria, a ferrari não tem esta bola toda, e a formula 1 meio elétrica meio a explosão não tem personalidade. Tudo por uma pressão política estúpida representando um ambientalismo infantil e ignorante dos fatos. Alguem já sabe como vamos nos livrar dos resíduos muito mais tóxicos e dificeis de reciclar das baterias. Alguem já parou para se informar que o CO2 é benéfico para a vegetação e acelera o desenvolvimento vegetal? Alguem já pensou que com a velocidade da tecnologia, as emissões dos motores a explosão são cada vez menores? Haja visto a diferença entre os motores Diesel de hoje e os de 10 anos atrás. Eu tambem sou por uma F-1 a explosão; nem precisa ser V12, pode ser V10 ou V8, com turbo ou sem turbo. Saudades de meu Dojão. Na minha modesta opinião, eles deveriam transformar a formula E em carros hibridos, para continuar o desenvolvimento da tecnologia, e voltar a F-1 para os motores a explosão. Pessoalmente não vejo muita vantagem em um carro com autonomia de 200km e que pode se transformar em uma cadeira elétrica. Quando estivermos com tudo elétrico, e os ecopentelhos forçarem a restrição do uso do petroleo e das usinas hidroelétricas, onde acharemos energia para toda esta parafernália e a que custo?
      Sauydações

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