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18 de setembro de 2019 - 12:53Fórmula 1, Memorabilia

Luigi Colani, 91

Luigi-Colani

Luigi Colani (1928-2019)

RIO DE JANEIRO – Recebi anteontem a notícia via mensagem privada de um seguidor nas redes sociais: morreu aos 91 anos em Karslruhe, na Alemanha, o designer Luigi Colani.

Ele tinha um estilo muito peculiar de trabalhar formas e estilos de suas criações. Nascido em Berlim, trabalhou em carros-conceito para diferentes marcas, como por exemplo Fiat, Alfa Romeo, Lancia, BMW e Volkswagen.

“A terra é redonda, todos os corpos celestes são redondos; todos eles se movem em órbitas redondas ou elípticas. Essa mesma imagem de mini-mundos circulares em forma de globo orbitando um ao outro nos segue até o microcosmo. Somos ainda despertados por formas redondas no erotismo relacionado à propagação de espécies. Por que devo me juntar à massa perdida que quer tornar tudo angular? Vou seguir a filosofia de Galileu Galilei: meu mundo também é redondo”, dizia.

E foi buscando essas formas que Colani tentou inovar – e acabou fracassando na Fórmula 1.

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A Eiffelland Caravans, um fabricante de trailers de propriedade de Gunther Hennerici (1924-2000), patrocinava o piloto alemão Rolf Stommelen (1943-1983) nas equipes Brabham e Surtees. Para 1972, foi encomendado um projeto para a principal categoria do automobilismo e coube a Colani transformar um modelo já existente num carro de design inovador.

Com base no March, o designer concebeu o Eiffelland Type 21, que foi visto nas mais variadas formas. Em destaque, sempre, o espelho retrovisor montado em posição central e a entrada de ar bem à frente, na altura do castelo do cockpit – assim eliminando o periscópio que era usado pelas demais equipes.

Teoricamente, seria um carro de penetração aerodinâmica avançada, o que em princípio influenciaria em boas performances.

Não foi exatamente isso o que se viu.

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A estreia do estranho carro que, quando concebido foi apelidado “A Baleia”, aconteceu no GP da África do Sul. Na verdade, o primeiro modelo Eiffelland E21 – nova denominação do bólido – era uma adaptação do March 711, que tinha o aerofólio dianteiro parecido com uma tábua de passar roupa. Stommelen classificou-se em 25º no grid e terminou a disputa em 13º lugar.

A partir do GP da Espanha, o carro assumiu o formato mais ou menos próximo da ideia inicial, mas sempre com o espelho retrovisor central e a entrada de ar bem visível na seção dianteira. Para piorar, o March 721 X, carro que Robin Herd desenhara para aquele ano para o construtor de Bicester era tão ruim, mas tão ruim, que Ronnie Peterson recusou-se a andar nele e sobrou para Niki Lauda a difícil tarefa de guiar um bólido pouco competitivo.

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Assim, foi difícil esperar performances sólidas do Eiffelland E21. Como efeito, o melhor resultado num grid de largada foi o 14º lugar (em Nürburgring, pista que Stommelen conhecia bem) e em prova, o décimo lugar – em Mônaco, num temporal e em Brands Hatch, na Inglaterra – foi tudo que o piloto alemão conseguiu.

O GP da Áustria, em que Rolf classificou em 17º no grid, terminando a prova em décimo-quinto, foi o oitavo e último em que o estranho carro, considerado por muitos o mais feio Fórmula 1 já concebido, competiu.

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