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19 de setembro de 2019 - 11:14Fórmula 1

Saídas e ficadas

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Ninguém esperava por essa: a temporada da Haas beira o desastre, mas Gene Haas e Gunther Steiner pagaram para ver e a equipe anunciou hoje a renovação de Romain Grosjean e Kevin Magnussen para a temporada 2020

RIO DE JANEIRO – Véspera de GP de Singapura e a Fórmula 1 tem novidades para a temporada 2020. Nem todas são positivas.

A começar pela surpresa que veio da Haas. Simplesmente incompreensível a decisão de permanecer com a mesma dupla para o próximo campeonato.

Em termos de resultado, o que fizeram e o que têm feito Romain Grosjean e Kevin Magnussen juntos, neste ano?

A não ser que a equipe dos EUA reconheça que errou a mão, que o seu modelo deste ano, o VF-19, é uma bela bosta e que estão dispostos a ter no próximo ano o mesmo desempenho da última temporada – quando aí sim a Haas fez um campeonato até bem razoável.

Honestamente, acho que nada justifica a permanência de ambos.

Grosjean faz “hora extra” na Fórmula 1. Ao franco-suíço de 157 GPs disputados e 33 anos de idade, falta constância e, por vezes, maturidade. Ele quase sempre é um para-raio de coisas esquisitas ao seu redor. Günther Steiner, no comunicado oficial que anunciou a renovação do contrato da dupla falou em “experiência, continuidade valiosa e base sólida”. Vai entender, né?!?

E Magnussen não deixa por menos. Veio com pinta de piloto muito promissor, mas não se importa nem com a própria reputação. Comporta-se como uma autêntica ‘vaca brava’ nas pistas e não faz questão alguma de não ser repulsivo – inclusive com os próprios colegas de profissão.

A temporada da Haas é um escárnio. Grosjean somou apenas oito pontos. Magnussen, dezoito. Olha só o contraste com o último ano antes de chegar a Singapura: o nórdico tinha 49 pontos somados e estava no top 10 da classificação do campeonato. Grosjean tinha 27. Não era tão melhor quanto o companheiro de equipe, mas muito superior ao que tem neste ano.

Nas redes sociais as reações foram as piores possíveis. Choveram piadas sobre a Haas querer ser a estrela-mor da série “Drive To Survive”, do Netflix. E, pelo visto, querem ser mesmo.

E muito me admira que Gene Haas não queira um piloto de seu país, com uma geração tão promissora surgindo na Fórmula Indy. Até parece que Colton Herta, Alexander Rossi e Josef Newgarden não têm capacidade para fazer mais e melhor do que Magnussen e Grosjean.

Além disso, há algo muito bem observado pelo repórter da TV Globo Marcelo Courrege, que inclusive chamou a atenção para o fato de Romain e Kevin dividirem o mesmo empresário (parabéns aos envolvidos!): é incrível como a imprensa de fora capricha na passada de pano aos pilotos europeus e não enxerga os fracassos e as nulidades de muitos.

Se fosse um sul-americano, como Maldonado era ou Montoya, só para citar exemplos de pilotos não-brasileiros e que nasceram neste continente, o mundo inteiro desabaria sobre eles. Choveriam críticas de todos os lados.

Aliás, o mundo desabava, principalmente no Montoya – para mim o mais injustiçado piloto que a Fórmula 1 teve imenso prazer em incinerar.

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Fim da linha: após voltar à Fórmula 1, no que considera a “maior conquista” de sua carreira, Robert Kubica prefere ‘não ficar a qualquer preço’ e anunciou que está fora da Williams ao fim do campeonato; o polonês tem negociações iniciadas para andar no DTM com a Audi

Outra notícia da quinta-feira diz respeito a Robert Kubica.

O polonês comunicou de voz própria que não seguirá na Williams em 2020. Diz ele que voltar à categoria foi sua “maior conquista” profissional e que não quer “ficar a qualquer preço”.

De mais a mais, está certo ele. Para que permanecer e ainda ser criticado por uma meia-dúzia que não valoriza seu regresso às pistas mesmo com tantas limitações físicas que o acidente de Rali lhe impôs – especialmente com um braço direito atrofiado?

As novidades de hoje são dois claros recados: um, a Nico Hülkenberg. Dificilmente o piloto alemão será titular em alguma equipe no ano de 2020.

Restaria a Alfa Romeo, mas não sei se a equipe que tem a estrutura da Sauber chutaria Antonio Giovinazzi, ligado à Ferrari, para escanteio.

Ir para a Williams no lugar de Kubica? Esse é o segundo recado claro: está mais com cara de Nicholas Latifi pegando essa vaga com os dólares do papai, dono da Sofina (indústria alimentícia), do que propriamente por talento e material humano.

É por essas e outras que Nyck de Vries e tantos outros jovens buscam alternativas fora da Fórmula 1. Enquanto insistirem nos Magnussens e Grojãs da vida, não haverá um novo sopro de renovação como o que nos trouxe, de uma só batelada, gente como Charles Leclerc, Lando Norris, Alex Albon e George Russell.

13 comentários

  1. Claudio disse:

    A saída do Kubica já era esperada. F1 para ele não dá, mas com os rumores de do DTM em vista, espero que lá ele consiga melhores resultados. Admito que estou surpreso pela renovação do Grosjean. Não por a Hass não fechar com o Hulkenberg, que, sinceramente, não é melhor que o franco-suiço. Me surpreendeu sim manter a dupla explosiva com o Magnussen. De toda forma, o carro desse ano é fraco e eles não sabem o que fazer para melhorar. Essa é a maior restrição que o modelo de negócio que a Hass trouxe para a F1 apresenta. Eles não tem ideia de como desenvolver um carro.

    • Claudio disse:

      Só complementando, concordo com sua opinião a respeito dos pilotos não europeus serem bem mais cobrados. O próprio Hulkenberg, fosse um sul americano, já estaria fora do grid faz tempo

  2. wilson carpini disse:

    Que saudades da F-1 de outrora, quando os pilotos eram contratados pelos seus talentos, tanto na capacidade de pilotar quanto na capacidade de acertar o carro… Ok, sempre teve pilotos pagantes na F-1 (Lauda com empréstimo bancário, Piquet com patrocínios caracu, brastemp, etc, Emerson e Wilsinho Fittipaldi, com bardahl, café do brasil, Pace com brahma, só para citar alguns) mas logo mostravam seus valores e não dependiam de dinheiro para se manter lá, ao contrário de hoje em dia em que pilotos como Hamilton, Leclerc, Raikkonen, e um outro que estão lá atualmente… bons tempos em que o piloto tinha que correr de forma mais inteligente economizando o carro, usando o booster em alguns momentos somente…
    É, numa coisa tenho de concordar com Flávio Gomes: O mundo tá muito chato….

    • Claudio disse:

      Com todo o respeito, acho esse saudosismo bobagem, achar que o passado era melhor. O próprio Raikkonen, recentemente, quando perguntado se o carros atuais eram mais fáceis de pilotar do que quando ele começou, disse que a diferença era mínima.

  3. CARLOS GIACOMELLO disse:

    Ao meu ver a Hass não quis ficar com o Hulk pois não sabem se estarão no grid em 2021. Pra não contratar e depois ter que deixar à pé.

  4. Rodrigo Keke disse:

    Aplaudo e endosso, Mattar! Injustificável a permanência da ‘dupla do barulho’ na Haas. E como assim eles tem o mesmo empresário? Hahahahaha, pra mim foi a cereja do bolo fecal. Muito bem pinçada a observação de que os jovens americanos de destaque na Indy fariam mais e melhor. Aliás, o grid da Indy como um todo vai muito bem, obrigado.

    Gene Haas, tendo as empresas e o time da Nascar pra cuidar, parece deixar todas as decisões na mão do austríaco Steiner, e aí me soa compreensível a manutenção do francês e do dinamarquês.

    E o Hulkenberg, quem diria, tem tudo pra ficar a pé. Talvez tenha pedido muita grana para a Haas… De minha parte, não deixará saudades, apesar de ser melhor que alguns que ficam no grid.

  5. Zé Maria disse:

    (Chovendo no molhado. . .)
    Rodrigo Mattar, “só para variar”, produzindo mais uma análise perfeita do cenário de mediocridade que se apresenta.
    Congrats!

  6. OZZMAIR disse:

    Kubica , muito talento nesse cara , é uma pena o que aconteceu , poderia até não ter sido campeão , mas que iria brigar , iria. Quanto ao Magnussen , bem , faz bem o pai dele , pilotando aquela maravilha de Corvette.

  7. Fernando Silva disse:

    Sobre a Haas, parece até o meu time (o tricolor do Morumbi) na inacreditável capacidade de fazer escolhas erradas…e o carro nem é tao ruim…na mao de outros pilotos chegariam muito mais a frente…
    Sobre a “cuestao” – como diria um indivíduo que usa atualmente a faixa presidencial – dos pilotos nao europeus na F1 ainda faço um adendo: a F1 tem prazer em desmerecer e queimar tambem pilotos vindos da Indy, mesmo europeus…que o digam Zanardi e Bourdais, que moatraram todo seu talento nos USA mas foram sempre sacaneados na F1…Montoya, alem de campeão da Indy era sul-americano…sempre achei que jamais permitiriam que ele fosse campeão.

    • Rodrigo Keke disse:

      Fernando, é o bom e velho nariz empinado europeu no automobilismo… A F1 é o máximo, o topo. Mas eles se acham muito mais do que são. E quando sofrem concorrência reagem da pior forma: sabotando as categorias adversárias. Vide o que ocorreu com o WSC no início dos anos 1990.

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