Cassidy “varre” no automobilismo japonês

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Imperial: em quatro anos, Nick Cassidy faturou tudo o que viu pela frente no automobilismo japonês. Domingo, consagrou-se o primeiro estrangeiro campeão do Super Formula desde Andre Lotterer

RIO DE JANEIRO – O neozelandês Nick Cassidy é um dos grandes nomes do automobilismo japonês dos últimos anos. Aos 25 anos, o piloto nascido em Auckland chega ao seu terceiro troféu em quatro anos na terra do Sol Nascente.

Campeão da Fórmula 3 em 2015 e já nas graças da Tom’s (leia-se Toyota), ele ganhou também o Super GT dois anos depois em dupla com Ryo Hirakawa. Agora, foi a vez do título do Super Formula, conquistado no último domingo em Suzuka, pista da rival Honda.

Nas primeiras posições do grid, Cassidy era uma ilha da Toyota cercada de Honda por todos os lados. Teoricamente, Álex Palou – o pole position – era o grande favorito. Mas de forma inexplicável, o espanhol teve uma performance terrível em Suzuka. Acabou em último, mais de um minuto atrás do vencedor.

A explicação veio depois de uma análise do equipamento na oficina da TCS Nakajima Racing: uma mangueira do intercooler do turbo se soltou e bloqueou o difusor do carro, causando uma carga extra de downforce equivalente a 70 kg, o que foi responsável pelo excessivo desgaste de seus pneus.

“Comecei a perder dois, três, cinco segundos por volta … cinco ou seis carros passaram por mim, voltei aos boxes para mudar e mudar a pressão [dos pneus], ​​mas o campeonato estava perdido. O mesmo aconteceu novamente com outro jogo de pneus, que era quase novo”, explicou Palou.

Isto abriu a possibilidade de Tomoki Nojiri vencer a prova após superar Palou na oitava volta e seguir na mesma estratégia de Cassidy – largando de pneus macios e fazendo os compostos sobreviverem até o máximo de rendimento. O piloto do Team Mugen fez seu pit na 33ª volta e dominou a disputa até o final.

Cassidy fez o suficiente para superar o então campeão Naoki Yamamoto por três pontos de vantagem (36 a 33), para se tornar o primeiro piloto estrangeiro desde Andre Lotterer – em 2011 – a ganhar a série.

Outro piloto que acabou prejudicado na disputa – mas por uma escolha equivocada (pra não dizer bizarra) de pneus foi Kamui Kobayashi. Largando em 16º, o piloto da KCMG fez a primeira volta com – acreditem – pneus biscoito, numa pista completamente seca. A intenção era fazer duas paradas e contar com entradas de Safety Car.

Pois bem: Koba fez os dois pit stops. Só que o carro de segurança não deu o ar da graça (na prova de estreia do campeonato, foram quatro intervenções) e assim o antigo piloto da Fórmula 1 chegou apenas em 12º na última etapa.

A Super Formula teve o seu campeonato mais equilibrado de sempre. Sete pilotos diferentes venceram as sete provas da categoria nesta temporada, que contou com a presença de 24 pilotos diferentes – com 20 deles pontuando.

Jüri Vips foi um dos últimos estreantes na categoria e pagou um preço muito caro pela falta de experiência, já que veio da Fórmula 3 e praticamente não fez testes. Conseguiu pelo menos terminar a disputa à frente do desiludido Álex Palou e de Harrison Newey, que foi o último colocado.

Apesar da frustração pela perda do título de Naoki Yamamoto, a DoCoMo Dandelion Racing levou o título de campeã entre as escuderias, derrotando o Vantelin Team Tom’s por dois pontos – 50 a 48.

Os 10 primeiros colocados da última etapa:

1 – Tomoki Nojiri (Dallara-Honda) – Team Mugen – 43 voltas em 1’14’24 “627
2 – Nick Cassidy (Dallara-Toyota) – Vantelin Team Tom’s – 2″532
3 – Nirei Fukuzumi (Dallara-Honda) – DoCoMo Team Dandelion – 3″883
4 – Yuhi Sekiguchi (Dallara-Toyota) – Hitochu Enex Team Impul – 6″254
5 – Naoki Yamamoto (Dallara-Honda) – DoCoMo Team Dandelion – 18″744
6 – Hiroaki Ishiura (Dallara) -Honda) – P.Mu/Cerumo-Inging – 22″129
7 – Koudai Tsukakoshi (Dallara-Honda) – Real Racing – 31″628
8 – Ryo Hirakawa (Dallara-Toyota) – Hitochu Enex Team Impul – 32″101
9 – Kenta Yamashita (Dallara-Toyota) – Kondo Racing – 32″830
10 – Sho Tsuboi (Dallara-Toyota) – P.Mu/Cerumo-Inging – 45″204

Classificação final do campeonato:

1. Nick Cassidy – 36 pontos
2. Naoki Yamamoto – 33
3. Álex Palou – 26
4. Tomoki Nojiri – 24
5. Kenta Yamashita – 21
6. Kamui Kobayashi – 19
7. Nirei Fukuzumi – 18
8. Yuhi Sekiguchi – 16
9. Lucas Auer – 14
10. Ryo Hirakawa, Sho Tsuboi e Kazuki Nakajima – 12
13. Hiroaki Ishiura – 10
14. Kazuya Oshima – 7
15. Harrison Newey e Tadasuke Makino – 6
17. Yuji Kunimoto – 5
18. Patricio O’Ward – 3
19. Koudai Tsukakoshi – 2
20. Dan Ticktum – 1

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

8 Comentários

  • o chato desses campeões da superformula é que eles não pensam em correr na europa, naoki yamamoto campeão 2 vezes da categoria que testou uma toro rosso no 1 treino do gp do japão adoraria ver ele na wec ou gt open correndo, mas ele não quer sair do japão, se acomodou,pois ganha bem correndo la, nick cassid pelo jeito será a mesma coisa, uma pena isso, adoraria ver eles correndo fora do japão

  • não quis dizer isso mattar, mas se não acharia interessante eles correrem as vezes no wec, num gt open, ter uma experiencia de correr fora do japão?

  • uma opinião minha, não sei se você concorda mattar, o pizzonia está a pé esse ano, não correu de nada, ele podia tentar correr no japão, ele é amigo pessoal do joao paulo oliveira, mas para o pizzonia só a stock interessa acho pequeno o pensamento do pizzonia

  • “Pensamento pequeno”. Caramba, o Pizzonia já andou por várias categorias na Europa e EUA e seus resultados foram aqueles que conhecemos: medíocres. O tempo passou, o mercado fechou pra ele. No Japão, aposto que os caras lá não teriam o mínimo interesse. Então pro antigo ‘jungle boy’, a realidade é buscar correr por aqui mesmo, onde conhece muita gente e ainda tem certo apelo com o público de automobilismo.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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