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6 de outubro de 2019 - 21:28Mundial de Endurance

Dever de casa: Toyota fatura 6h de Fuji com dobradinha

Tranquilidade: vitória dominante da trinca Hartley/Buemi/Nakajima nas 6h de Fuji, segunda etapa da temporada 2019/20 do Mundial de Endurance

RIO DE JANEIRO (Pule de dez) – Na 60ª corrida da história do Mundial de Endurance (FIA WEC), deu a lógica e também o único construtor que seguiu vivo na LMP1 dentro do atual regulamento técnico para chegar pronto à fase Hypercars que se inaugura em 2020/21.

A Toyota fez valer sua superioridade, a despeito das mudanças que deixaram os carros mais lentos e levou, em dobradinha, mais uma edição das 6h de Fuji, disputadas diante de um público que, pelo que pude ver nas arquibancadas, foi o mais fraco da história da categoria desde sua primeira aparição por lá em 2012.

E dessa vez, com direito a domínio por completo do carro #8 guiado por Brendon Hartley/Sébastien Buemi/Kazuki Nakajima que, menos prejudicado pela tabela de equivalência de performance elaborada a (supostamente) equilibrar as forças entre híbridos e não-híbridos, deitaram e rolaram para vencer com quase 34 segundos de vantagem para a trinca do #7, vitoriosa em Silverstone.

O início da corrida até iludiu: a Rebellion Racing começou bem e pelo menos na primeira meia hora, Bruno Senna, que largou com o carro #1, andou perto e até à frente de Kamui Kobayashi no TS050 Hybrid que tinha um cálculo de 1,4 segundo/volta de deficit de performance a cumprir em Fuji.

Bruno Senna animou a corrida ao andar em segundo no início, mas a realidade da Rebellion no resto da disputa foi outra por causa da performance dos pneus em Fuji

Mas a diferença de ritmo, potência e principalmente conservação de equipamento e consumo de pneus fez a diferença. Os nipônicos ganharam a prova com duas voltas inteiras de vantagem – e para Bruno e seus parceiros Gustavo Menezes e Norman Nato sobrou o segundo pódio seguido da Rebellion, com mais uma 3ª colocação.

E houve um outro problema, com os pneus oferecidos pela Michelin para esta etapa, o que causou queixas de Bruno Senna.

“Foi o que deu para fazer. Estávamos com os pneus errados. Fomos dois segundos mais lentos no qualifying que no ano passado. A temperatura influenciou muito na performance do carro, porque os compostos que pedimos à Michelin não foram os que eles trouxeram ao Japão. Isso comprometeu principalmente o começo da prova, no período mais quente, porque nossos pneus estavam um pouco fora da janela. Consegui esquentar os pneus antes que os outros, mas depois eles passaram da temperatura e fiquei na mão. No final, quando a temperatura estava mais baixa, o carro voltou a ficar competitivo, mas aí já era tarde”, disse.

“Brigamos um pouquinho, deu para me divertir um pouco, o que não acontecia há algum tempo, e agora temos de ir para cima deles em Xangai na próxima etapa. Essa é uma pista que combina mais com nosso carro e a temperatura por lá deve nos ajudar a ser um pouco mais competitivos. De qualquer forma, a última vez que subi ao pódio havia sido aqui mesmo, no ano passado, e deu para manter os 100% de aproveitamento”, comentou o piloto.

Os Ginetta do Team LNT não conseguiram acompanhar o ritmo da Rebellion e muito menos da Toyota. O carro #5 ainda conseguiu segurar o quarto lugar até o fim da quarta hora, quando o freio falhou no fim da longa reta do circuito com Ben Hanley a bordo. Os 17 minutos perdidos no conserto levaram o carro a ficar fora do top 10. O #6 largou dos boxes, enfrentou problemas semelhantes aos ocorridos na abertura do campeonato em Silverstone – mas pelo menos chegaram em nono na geral.

Muita festa de Nyck de Vries, Giedo Van der Garde e Frits Van Eerd: foi a primeira vitória do Racing Team Nederland na classe LMP2

A disputa pela vitória na LMP2 envolveu diversos carros, mas quem riu por último foi o Racing Team Nederland, graças a uma monstruosa performance de Nyck de Vries em seu retorno à categoria após o título antecipado da Fórmula 2. O holandês guiou uma enormidade e por mais da metade do tempo, salvando a equipe quando o compatriota e patrão Frits Van Eerd entrou na pista para cumprir o tempo mínimo de 1h15min a bordo numa corrida com seis horas de duração.

A primeira vitória do #29 no FIA WEC veio com uma vantagem de 26 segundos para a equipe Jota Sport, que mostrou a competitividade dos pneus Goodyear na pista japonesa – assim como a Jackie Chan DC Racing e a High Class Racing, que eventualmente lideraram.

Entretanto, o carro #38 de Antônio Félix da Costa/Anthony Davidson/Roberto González acabou excluído do resultado final e perdeu o 2º lugar na classe, por uma irregularidade relativa à chave externa que coloca o bólido em neutro e que não “desconectou” a transmissão. O artigo 11.3.2 do regulamento técnico da categoria não foi respeitado e com isso procedeu-se à desclassificação.

De modos que a Jackie Chan DC Racing ascendeu ao segundo posto da classe e ao 5º lugar geral com Will Stevens/Gabriel Aubry/Ho-Pin Tung chegando à frente de Filipe Albuquerque/Oliver Jarvis/Phil Hanson – que somaram os primeiros pontos da United Autosports na temporada, mesmo depois de uma corrida um tanto quanto atribulada do #22.

Mas não menos que a da Signatech Alpine Elf, que por conta de um erro de Pierre Ragues logo no primeiro turno de pilotagem do francês jogou a corrida da equipe campeã mundial fora. Ragues mergulhou por dentro na curva 1 no meio do tráfego e acertou a Ferrari LMGTE-AM da Red River Sport guiada por Bonamy Grimes.

Como efeito, foram perdidos mais de oito minutos (cerca de cinco voltas) por conta de um braço de suspensão danificado e um furo de pneu. Thomas Laurent e André Negrão recuperaram o que dava para a trinca do #36 terminar em 10º na geral e salvar pontos pro campeonato.

“O carro estava bom”, garante André. “Não sei se chegaríamos ao pódio, mas dava pra batalhar lá na frente, sabe? Agora, torcer pra Xangai ser boa pra gente. Caímos de segundo pra sexto no campeonato e precisamos dar um jeito de recuperar na China e no Bahrein pra não chegar no Brasil defasado em pontos, pra poder brigar pelo campeonato”, avalia.

Dane Train: Marco Sørensen e Nicki Thiim levaram a melhor na LMGTE-PRO

Na classe LMGTE-PRO, sempre equilibrada, a tática da Aston Martin de conservação dos pneus, da estratégia de utilização dos limitados jogos disponíveis e o bom uso dos períodos de FCY durante a disputa deu certo: Nicki Thiim/Marco Sørensen chegaram à frente, com os carros do construtor de Gatwick dominando a corrida desde a quarta hora, com uma volta inteira de vantagem sobre o Porsche dos atuais campeões Kévin Estre/Michael Christensen.

Alex Lynn/Maxime Martin fecharam a disputa em terceiro e foram ao pódio, deixando a melhor Ferrari – com James Calado/Ale Pier Guidi, em quarto. Richard Lietz/Gianmaria Bruni, que estiveram na jogada nas voltas iniciais, foram penalizados por abuso de track limits e depois se atrasaram o bastante pra ficar em último entre os seis da divisão.

Sob controle: a TF Sport faturou a disputa entre os LMGTE-AM, em que Felipe Fraga e parceiros de Project 1 foram ao pódio após largarem do fim do pelotão

A Aston Martin venceu também na LMGTE-AM, graças à equipe cliente TF Sport e mais um bom desempenho do trio Salih Yoluç/Jonathan Adam/Charlie Eastwood, que triunfaram com uma volta inteira de vantagem sobre os vencedores em Silverstone – a Ferrari #83 da AF Corse.

Mérito para o trio da Project 1 com o brasileiro Felipe Fraga e os parceiros Jeroen Bleekemolen e Ben Keating. Partindo de último, a trinca fez uma bela corrida a bordo do Porsche #57 e chegou ao pódio da classe com o 3º lugar e a nona posição entre os LMGTE.

Além da pressão de Fraga em cima de Nicklas Nielsen, que no fim não resultou em troca de posição, louve-se a tocada de Bleekemolen com a pista escorregadia por conta de uma leve chuva que chegou a cair na pista. O holandês andou quase duas horas sem cometer um único erro.

Pena que por conta de compromissos já assumidos com a Stock Car, Fraga não vai disputar a próxima etapa: os únicos brasileiros confirmados para as 4h de Xangai, marcadas para o próximo dia 10 de novembro. Ele também não estará a bordo nas 8h do Bahrein, em dezembro. A Project 1 deve anunciar em breve o nome de seu substituto.

Os canais Fox Sports vão exibir um compacto das 6h de Fuji nesta terça-feira, com reprises ao longo da semana.

4 comentários

  1. Antonio Seabra disse:

    Acho o De Vries um tremendo piloto, que não recebe da mídia e do publico holandês a devida atenção, já que estão focados apenas no Verstappen.
    Pena que ele seguiu o caminho da FE e não da F1….Acho que merecia uma vaga na F1, com certeza muito mais do que Giovinazzi, Grosjean, Magnussen, Stroll. E talvez ate mais do que Kvyat e o Raikkonen (atual). Mas, numa F1 que dispensa Hulkenberg e mantem esses “pilotecos” ai….tudo é possivel

    Antonio

    • Felipe Fugazi disse:

      Cara, concordo com você e ainda amplio a questão.
      Eu penso que deveriam haver apenas dois tipos de pilotos na F1.
      Os campeões.
      E os que dão sinais que um dia podem brigar pra ser campeões.
      É uma visão radical, concordo.
      Mas isso já eliminaria na segunda, quiçá terceira temporada muitos caras que só ocupam assentos.
      Grosjeans, Strolls, Magnussens, etc etc etc…

  2. Fernando Silva disse:

    Nao vi a corrida por conta de compromissos no fim de semana, mas vou tentar ver os VT’s. Tinha grande expectativa de os Rebellion se aproximarem mais da Toyota…quem sabe na próxima etapa em Xangai.
    Nas classes GTE parece que a Aston Martin vai borar as garras de fora…na Am o carro da TF Sport ja vinha se destacando desde as 4h de Silverstone…e é uma pena o encontro de datas que impedira o Fraga de participar de Xangai…sabe, se eu fosse ele pensaria seriamente em priorizar o WEC e as séries Blancpain, onde está indo muito bem.

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