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13 de outubro de 2019 - 14:56Fórmula 1

Uma corrida estranha

Mais uma vitória da Mercedes-Benz em Suzuka, agora com Valtteri Bottas. E pelo sexto ano consecutivo, a turma de Stuttgart leva o caneco do Mundial de Construtores

RIO DE JANEIRO – O GP do Japão deste domingo, madrugada pra nós, foi no mínimo estranho.

Primeiro teve toda aquela história do tufão Hagibis e havia que se preocupar muito com os possíveis estragos e com o rescaldo. Felizmente, o plano de contingência deu certo. O treino oficial foi transferido do sábado para o domingo, quatro horas antes da disputa.

A Ferrari deu um banho na qualificação e monopolizou a primeira fila.

Pra depois fazer o que fez na corrida. E principalmente na largada. O pole Sebastian Vettel e Charles Leclerc não puderam conter o fulgurante arranque de Valtteri Bottas, que emergiu líder na curva 1. E de lá não saiu mais.

Leclerc foi se meter com quem não devia. Verstappen, também. Acho que o risco foi todo do holandês, em tentar uma manobra por fora. E na saída da curva 1, feita em duas tomadas, os dois se enroscaram. Um chamou o outro de “irresponsável” e “idiota”.

#TretaDetected, pois.

A FIA fez que não era com ela e deixou seguir o jogo. Fez vista grossa com uma suposta queima de largada de Vettel, justificando a não-punição porque o alemão agiu “dentro do tolerável”. Sei…

O incidente Charles-Max foi avaliado a posteriori pelos comissários, que lhe aplicaram duas punições – relativamente inócuas. A primeira pelo entrevero com o piloto da Red Bull (punição da qual discordo, porque a intepretação é discutível). Depois, o piloto da Ferrari se desculparia por conta do toque.

A segunda, por conta da inspeção de segurança em razão do contato entre os dois carros, que danificou a asa dianteira da Ferrari do monegasco. Leclerc deu de ombros às instruções e ainda perdeu o espelho retrovisor do lado esquerdo.

Como efeito, levou pênaltis de 15 segundos, a equipe foi multada em 113 mil talkeys e Leclerc acabou na 7ª posição.

Com Bottas disparado na frente, a Mercedes-Benz falhou na tática com Lewis Hamilton, que largou de pneus macios e, com o desgaste pronunciado dos mesmos, parou para a troca pelos compostos médios. O pentacampeão esbravejou pelo rádio, disse que era melhor ter mudado para os duros e isso de nada adiantou.

Com a cara mais amarrada do mundo, o líder do campeonato subiu ao pódio sem se conformar por ter sido pelo menos segundo. E olha que a equipe que ele defende foi, pela sexta vez consecutiva, campeã por antecipação do Mundial de Construtores.

Sem “Valtteri, it’s James” no rádio – desta vez, aliás, foi exatamente o inverso, com muito bom humor, o finlandês conquistou uma merecida sexta vitória na Fórmula 1. Foi a 99ª conquista dos carros prateados na categoria e o centésimo GP de Bottas nos pontos.

Sobre os demais, novamente dou meus parabéns à Alex Albon e Carlos Sainz Júnior. Tirando os cinco protagonistas do início do campeonato, são os grandes nomes de 2019. O tailandês vai se firmando na Red Bull sem sentir a pressão de ter Verstappen como companheiro de equipe. Sainz, por sua vez, desfruta do bom momento que a McLaren vive. A equipe britânica, podem escrever aí, está no ótimo caminho para daqui dois anos.

De resto, há ainda uma reclamação formal e bem veemente da Force India sobre a Renault, que levou seus dois carros aos pontos após um treino oficial pavoroso. E Gasly de novo bem, à frente de Kvyat. Pelo visto, o francês é mais piloto de Toro Rosso mesmo do que da matriz…

E para completar uma corrida estranha, a direção de prova se embananou toda e ainda mostrou a quadriculada uma volta antes do final. Como sempre digo, parabéns aos envolvidos.

Agora, a matemática aponta Hamilton com 338 pontos e Bottas com 274. Pelo numerário, são 64 pontos de diferença entre eles e faltam quatro corridas – EUA, México, Brasil e Abu Dhabi.

Será que temos o direito de acreditar que o título, desta vez, pode ser definido em Interlagos?

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2 comentários

  1. Antonio Seabra disse:

    Foi mesmo uma corrida estranha, com todos esses acontecimentos que voce mencionou.
    Acho que a Mercedes “devolveu” ao Bottas alguns favores que ele fez nessa temporada, ao não atender o pedido do Hamilton, pelo rádio, por volta da metade da prova: “O que eu tenho de fazer pra ganhar essa corrida ?”. Se ele ficasse até o fim com os pneus medios, e não parasse novamente, tinha grande chances de vencer, ou, na pior da pior das hipóteses, chegar em,,,,,,terceiro !!!! Então, porque pararam ele ?????
    Simples, ficou claro quando o engenheiro do Bottas respondeu ao finlandês pelo radio: “O Lewis vai ter de parar também, isso é certo”. Logo depois, o inglês parou….
    Pra bom entendedor, pingo é letra.

  2. Cristiano disse:

    Sobre a Red Bull, em 5 corridas Albon fez 48 pontos, contra 63 que Gasly havia feito em 12 corridas. Tirando o erro na Rússia, que depois compensou com ótima recuperação na corrida, aparentemente tem a constância que a equipe não via no francês. E ainda EMPATOU com Verstappen no treino de classificação. Nunca se sabe o humor de Horner e Marko, mas parece que está se encaminhando para ficar na equipe de cima. E o melhor desempenho da McLaren esse ano, e sem tantas lamúrias quando a coisa sai aquém do esperando, realmente é animador para os próximos anos. Inclusive é divertido observar as galhofas dos pilotos na internet.

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