Domingos Piedade, 75

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Homem de confiança de Reinhold Joest, Domingos Piedade (à direita, de óculos), ganhou com a equipe alemã as 24h de Le Mans em duas oportunidades nos anos 1980: o “Senhor Fórmula 1”, como o chamam os amigos portugueses, morreu hoje aos 75 anos

RIO DE JANEIRO – Um dos mais importantes nomes do automobilismo de Portugal se despediu hoje da vida e entrou definitivamente na história. Morreu neste sábado, aos 75 anos, Domingos Piedade.

Vítima de um câncer de pulmão, lutava em silêncio contra a doença e não foi possível resistir.

Dentre todos os nossos patrícios envolvidos com o esporte a motor, Domingos foi, sem dúvida e sem demérito algum a qualquer um, o mais proeminente de todos. Trabalhou com Emerson Fittipaldi e desempenhou com competência e propriedade o papel de mananger da carreira do brasileiro – um dos primeiros do esporte, mas não o pioneiro, já que Bernie Ecclestone fora empresário de Jochen Rindt antes do austríaco chegar à Lotus em 1969.

Em menor nível, Domingos também se envolveu com outros campeões mundiais de Fórmula 1. Ajudou Nelson Piquet e Ayrton Senna, além de Michael Schumacher. E foi muito útil na carreira do italiano Michele Alboreto.

Além de gerir carreiras, ele se destacou também no jornalismo e também em cargos esportivos e executivos.

Na Joest Racing, onde seu nome era lembrado e celebrado pela presença do filho Marc nas provas do WEC aqui no Brasil por 2012/14, tornou-se chefe de equipe. Venceu duas vezes as 24h de Le Mans em 1984/85 e quase foi tri em 1986. Foi através dele que Senna fez a única prova com um protótipo Grupo C – os 1000 km de Nürburgring, em 1984, com o inconfundível Porsche 956 nas cores dos jeans New Man.

Faltou dizer também que, em 1975, fez com muito sucesso sua primeira incursão no Endurance: foi diretor esportivo da equipe de Willi Kauhsen, que levou os protótipos Alfa Romeo ao título daquela temporada.

Não obstante, nos tempos de DTM, foi alçado à condição de vice-presidente da AMG-Mercedes, o braço desportivo da montadora da estrela de três pontas.

E também foi através de seu empenho e dedicação que os lusos teriam a satisfação de ver a categoria máxima de volta àquelas plagas, com a aprovação do Autódromo do Estoril como sede de Grandes Prêmios, no período que durou de 1984 a 1996.

Os portugueses, com orgulho, o chamavam de “Senhor Fórmula 1”. O amigo João Carlos Costa, por sua vez, confessou em redes sociais a tristeza por não poder imortalizar a vida e a carreira de Domingos Piedade em livro, como ambos desejavam.

As memórias não vão para o papel. Mas Domingos fica para a eternidade.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

1 Comentário

  • Se vai mais uma das pessoas que tiveram importante participação na fase do transição do automobilismo romântico para o automobilismo super profissional.
    Domingos teve estreita ligação com o automobilismo brasileiro, não só através dos pilotos brasileiros de Formula 1 como também pelo envolvimento no radio e na imprensa no no Brasil

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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