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30 de novembro de 2019 - 23:03Automobilismo Internacional

Domingos Piedade, 75

Homem de confiança de Reinhold Joest, Domingos Piedade (à direita, de óculos), ganhou com a equipe alemã as 24h de Le Mans em duas oportunidades nos anos 1980: o “Senhor Fórmula 1”, como o chamam os amigos portugueses, morreu hoje aos 75 anos

RIO DE JANEIRO – Um dos mais importantes nomes do automobilismo de Portugal se despediu hoje da vida e entrou definitivamente na história. Morreu neste sábado, aos 75 anos, Domingos Piedade.

Vítima de um câncer de pulmão, lutava em silêncio contra a doença e não foi possível resistir.

Dentre todos os nossos patrícios envolvidos com o esporte a motor, Domingos foi, sem dúvida e sem demérito algum a qualquer um, o mais proeminente de todos. Trabalhou com Emerson Fittipaldi e desempenhou com competência e propriedade o papel de mananger da carreira do brasileiro – um dos primeiros do esporte, mas não o pioneiro, já que Bernie Ecclestone fora empresário de Jochen Rindt antes do austríaco chegar à Lotus em 1969.

Em menor nível, Domingos também se envolveu com outros campeões mundiais de Fórmula 1. Ajudou Nelson Piquet e Ayrton Senna, além de Michael Schumacher. E foi muito útil na carreira do italiano Michele Alboreto.

Além de gerir carreiras, ele se destacou também no jornalismo e também em cargos esportivos e executivos.

Na Joest Racing, onde seu nome era lembrado e celebrado pela presença do filho Marc nas provas do WEC aqui no Brasil por 2012/14, tornou-se chefe de equipe. Venceu duas vezes as 24h de Le Mans em 1984/85 e quase foi tri em 1986. Foi através dele que Senna fez a única prova com um protótipo Grupo C – os 1000 km de Nürburgring, em 1984, com o inconfundível Porsche 956 nas cores dos jeans New Man.

Faltou dizer também que, em 1975, fez com muito sucesso sua primeira incursão no Endurance: foi diretor esportivo da equipe de Willi Kauhsen, que levou os protótipos Alfa Romeo ao título daquela temporada.

Não obstante, nos tempos de DTM, foi alçado à condição de vice-presidente da AMG-Mercedes, o braço desportivo da montadora da estrela de três pontas.

E também foi através de seu empenho e dedicação que os lusos teriam a satisfação de ver a categoria máxima de volta àquelas plagas, com a aprovação do Autódromo do Estoril como sede de Grandes Prêmios, no período que durou de 1984 a 1996.

Os portugueses, com orgulho, o chamavam de “Senhor Fórmula 1”. O amigo João Carlos Costa, por sua vez, confessou em redes sociais a tristeza por não poder imortalizar a vida e a carreira de Domingos Piedade em livro, como ambos desejavam.

As memórias não vão para o papel. Mas Domingos fica para a eternidade.

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1 comentário

  1. Antonio seabra disse:

    Se vai mais uma das pessoas que tiveram importante participação na fase do transição do automobilismo romântico para o automobilismo super profissional.
    Domingos teve estreita ligação com o automobilismo brasileiro, não só através dos pilotos brasileiros de Formula 1 como também pelo envolvimento no radio e na imprensa no no Brasil

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