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20 de novembro de 2019 - 22:48Nascar

O adeus do hepta

RIO DE JANEIRO – Já tem data para terminar uma era na história da Nascar. Quando o último ronco de motor ou os últimos ruídos forem ouvidos no Arizona em 8 de novembro de 2020, dia da decisão da próxima temporada no ISM Raceway (Phoenix), será encerrada uma página gloriosa da Stock Car dos Estados Unidos da América.

Nesse dia, Jimmie Johnson irá pendurar definitivamente o capacete. Será a despedida do piloto sete vezes campeão da divisão principal – o maior vencedor junto a Richard Petty e Dale Earnhardt.

Com 44 anos completados em setembro último, o californiano de El Cajon soma 83 vitórias – um dos números mais significativos de todos os tempos, empatado com Cale Yarborough. Afora os títulos, que falam por si só.

Johnson foi o mais competente piloto da era dos playoffs da Nascar, inaugurada em 2004. Nos vários formatos de disputa, ganhou em todos. Formou com Chad Knaus uma dupla que parecia invencível. Mas como tudo na vida, houve desgaste e fadiga. A dupla dinâmica separou-se para este ano. E agora, JJ anuncia que o próximo será seu último ano na categoria.

Jimmie é um grande piloto? Inquestionavelmente, sim. Mas considerá-lo GOAT, acho um exagero.

Se for por títulos e vitórias, Richard Petty já seria o maior de todos. Não à toa é chamado de “The King”, o Rei da categoria. Dale Earnhardt, o pai, poderia ter quebrado esse recorde de títulos se não fosse sua morte besta em 2001 na Daytona 500.

E até acho que Johnson não é o grande piloto de sua geração. Esse papel pertence a Jeff Gordon que, na minha análise, foi quem redefiniu os conceitos nos quais Johnson e tantos outros surfaram na onda.

Quando a Nascar atingiu um alto grau de exigência e profissionalismo, sem nenhuma crítica embutida a ninguém do passado – afinal, para encarar o desafio de guiar num oval você tem que ser do ramo – Gordon foi o exemplo a ser seguido, o cara a ser batido.

Pra mim, foi o piloto mais completo. Se hoje o pessoal faz menos piada com as curvas à direita feitas nos autódromos em que a Nascar disputa suas provas de misto, é graças a Gordon.

Não estou negando Johnson, longe disso. Mas daí a colocá-lo num patamar acima de Richard Petty vai uma distância bem grande.

Talvez umas 117 vitórias a menos.

BTW, Johnson quer o oitavo título para provar – talvez a si mesmo – que ainda é um grande campeão. Primeiro, terá que combinar com os que fizeram a final de 2019, além de Brad Keselowski e Joey Logano.

Além disso, há os jovens da Hendrick pedindo passagem.

A tarefa de JJ não será das mais fáceis. Mas quem disse que ele quer se render?

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2 comentários

  1. Claudio disse:

    Nitidamente o cara cansou nesses últimos anos. O conjunto da Chevrolet já tem tempos que é o mais fraco da Cup e a motivação diminuiu muito após o sétimo título. Normal, a vida de um piloto da Nascar é muito puxada, e chega uma hora que o foco muda mesmo. Mais um grande do automobilísmo que se vai. Aliás, vários estão parando. Deve ser acompanhado por Valentino Rossi ao final de 2020

    • Rodrigo Mattar disse:

      Rossi faz 41 anos em fevereiro. Não sei como não parou ainda. Possivelmente ele não quer quebrar o contrato.

      A Yamaha já tem o substituto dele em suas barbas: Quartararo.

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