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17 de novembro de 2019 - 18:00Fórmula 1

Para a eternidade

RIO DE JANEIRO (UAU!) – Amigos, que GP do Brasil!

Mais um… que corrida.

A melhor de toda a temporada. Aliás, não houve corrida considerada ruim desde o horroroso GP da França.

Não vou me ater muito à detalhes do início da disputa, até porque disputas mesmo não havia pela liderança.

Mas foram as estratégias que deram um rumo do que seria – e também do que acabou não sendo, pra muita gente.

Lewis Hamilton tentou o undercut para cima de Max Verstappen – porque por desempenho, seria difícil. A altitude de São Paulo favoreceu os motores Honda em detrimento dos propulsores alemães.

Por isso parou primeiro.

A Red Bull percebeu a intenção. Chamou o líder rápido para o pit stop. Só que quando Verstappen saía, deu de cara com a Williams de Robert Kubica, que o atrapalhou.

Mesmo assim, Verstappinho, na primeira oportunidade que teve, jantou Hamilton e foi embora.

Leclerc, por seu turno, conseguiu as posições que dava pra alcançar após sair de décimo-quarto por troca de motor. Foi para pneus duros – mesma opção de Valtteri Bottas, enquanto Sebastian Vettel, visando talvez dois pits, foi para médios.

Jogo de xadrez a 300 km/h.

Verstappen voava. Hamilton não tinha potência. E não nos esqueçamos que havia o discreto e eficiente Alex Albon, pronto para tentar morder alguma coisa se necessário.

A corrida chegou à sua metade com Lewis a pouco mais de três segundos de Verstappen. Vettel era terceiro, seguido por Albon, Bottas e Leclerc, este a mais de meia pista do piloto da Red Bull.

Foi um período em que a disputa teimou em resvalar no marasmo. Mas aí a Mercedes resolveu criar uma nova situação e chamou Bottas aos boxes. O finlandês trocou a estratégia que não deu certo e montou pneus macios, em tese mais velozes mas menos duráveis que os de composto duro (C3).

Como os líderes claramente optariam por duas paradas, a Mercedes, meio sem pai e nem mãe em Interlagos (fruto da ausência de Toto Wolff, talvez?) chamou Lewis para mais um pit. Pneus macios montados no lugar dos duros. Atenta, a Red Bull fez igual na volta seguinte, sem dar espaço para Hamilton respirar.

Nisso, Bottas, com toda a sua garra (SQN) veio para cima de Charles Leclerc e buscou a ultrapassagem.

Uma, duas, três tentativas. Nada feito.

Vettel, já de macios após uma segunda troca, voltou em quarto atrás de Albon. E depois de tanto insistir e não conseguir, algo se quebrou na Mercedes e Bottas desistiu.

Parecia que o carro #77 estava num lugar seguro, mas os comissários e a direção de prova disseram não e assim o Safety Car entrou na pista.

Decisão mais mandrake, impossível.

Que fez a Mercedes? Blefou. Fez que chamou Lewis pra box e o hexacampeão não foi. Veio Verstappen. Era o líder provisório contra todo mundo atrás dele, de macios – até porque Leclerc TAMBÉM optou por uma segunda parada.

Na hora do tudo ou nada, Verstappen atropelou Hamilton, passou e foi embora. Albon, brilhante na defesa de posição, segurou como pôde as duas Ferrari.

E na equipe italiana, reinou o caos. Fruto da falta de comando do time de Maranello.

Volta #65. Seis para o final. Leclerc vem com mais ação da Curva do Sol rumo à reta oposta e a frenagem para a Curva Chico Landi, a Descida do Lago. Justamente no ponto onde o público das arquibancadas provisórias já viu tantos acidentes no passado, aconteceu mais outro.

Difícil colocar a culpa em qualquer um dos dois. Vettel não cedeu, Leclerc também não e a Ferrari do monegasco teve a suspensão dianteira direita quebrada. Um furo de pneu enquanto tentava voltar para os boxes fez Tião rodar.

Mais um Safety Car. Oferecimento de uma equipe sem rumo nenhum.

Stroll conseguiu a façanha de, na neutralização, quebrar a suspensão. Coitado, atropelou um detrito. Só foi visto na corrida dessa forma, porque por resultado, deixa quieto…

Hamilton foi para o “arrisca tudo”. Pôs um novo jogo de pneus e aí sim ficou em pé de igualdade com os demais. E o pódio que se avizinhava era surreal. Verstappen líder, Albon SEGUNDO e Gasly TERCEIRO!

Um 1-2-3 de carros patrocinados pela Red Bull. Um 1-2-3 da Honda que não se via na Fórmula 1 desde 1988. (N. do blog: último pódio com três pilotos com motores da marca ainda é o GP da Austrália – Prost primeiro, Senna segundo, Piquet terceiro).

Relargada para duas voltas decisivas. E no “arrisca tudo”, Hamilton fez caquinha. No Bico de Pato, ponto difícil e até improvável de ultrapassagen, tirou Albon do caminho.

Coitado do Albon… não merecia.

Lewis foi com tudo para cima de Pierre Gasly e, na pista, ainda tentou pelo menos ser 2º colocado. Não deu. E a Honda fez sua dobradinha com dois carros de times diferentes, pela primeira vez em 32 anos. A última fora no GP da Itália de 1987 – Piquet com Williams e Senna de Lotus.

Aí entra a crítica.

A FIA, rápida ou eficiente (entendam como quiserem) quando anunciou as punições a Kubica pela saída insegura à frente de Verstappen e antes a Ricciardo pelo toque com Kevin Magnussen no início da disputa, resolveu mandar um “a investigação do incidente entre Hamilton e Albon seria DEPOIS da corrida”.

É. Poderia ser depois, sim. Mas NA HORA. Antes do pódio, de preferência.

E por que? Porque premiaria o esforço de Carlos Sainz Jr., que de último veio para quarto na chegada e levaria o troféu de terceiro colocado, subindo pela primeira vez a um pódio na Fórmula 1.

Só que não.

Michael Masi e seus Blue Caps foram para a “salinha do VAR”. E nem precisava muito: na entrevista pós-prova conduzida por Rubens Barrichello, Hamilton CLARAMENTE admitiu o erro na abordagem a Albon.

Nesse doido GP do Brasil, uma pena que o pódio não fosse o mais justo.

Moral da história: Hamilton foi punido em cinco segundos, baixou de terceiro para sétimo na classificação e Sainz aumenta o cordão de pilotos na história para 211 no top 3.

É o primeiro “pódio” da McLaren em cinco anos – o último foi no GP da Austrália, em 2014. E também lá aconteceu de Jenson Button herdar o terceiro lugar por conta de uma desclassificação de Daniel Ricciardo. Na época a Red Bull recorreu – e perdeu.

Com essa loucura toda, a Alfa Romeo fez o melhor resultado da temporada com Räikkönen em quarto e Giovinazzi em quinto! Até Ricciardo salvou pontos depois de ser punido e cair pra último. E com o pódio de Gasly, o primeiro de um francês na Fórmula 1 desde Grosjean em 2015, a Toro Rosso passou a Racing Point no Mundial de Construtores e se aproxima da Renault.

Para encerrar, gostaria de deixar claro neste texto que, sem NENHUM viés político embutido nisto, não embarquem na onda de Deodoro.

Esqueçam Deodoro! Esqueçam Fórmula 1 no Rio de Janeiro.

Deodoro não vai sair do papel.

O GP do Brasil, creiam e entendam, NÃO PODE sair de Interlagos. Compreendem?

Interlagos é um templo. É um patrimônio histórico do esporte. A corrida deste domingo ficou para a eternidade.

Ouviu, Liberty Media?

É uma ordem renovar a continuidade do GP do Brasil, este lindo e maravilhoso!

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21 comentários

  1. Leandro disse:

    Recentemente raros GPs conseguem unir uma prova estratégia e de ação como foi este GP Brasil, fiquei feliz pelo pódio de Gasly, que fez belo trabalho, fiquei triste pelo pódio “perdido” por Albon, seria merecido também, faz um belo trabalho e infelizmente or ter zerado, caiu 2 posições no campeonato.

    Uma pena que a McLaren e Sainz Jr. não puderam comemorar devidamente seu pódio, também depois de belo trabalho.

  2. WESLEY ANDRADE disse:

    Foi um GP do Brasil inesquecível, principalmente na parte final.

    A pequena Interlagos é muito mais emocionante do que a aborrecedora Adu Dhabi.

  3. Leandro disse:

    Vi depois de ter escrito aqui Rodrigo kkkk Mas foi depois né, mas a festa valeu vai rsrs com troféu e tudo!

  4. Felipe disse:

    Nem hoje nem nunca contra Interlagos. Tudo a favor.
    Faltou uma chuvinha aí!

    Só acho que Interlagos carece de mais eventos internacionais (WEC, MotoGP, Indy (pq não??)).

    É um circuito ímpar, de fato!

  5. Luiz Angelo disse:

    Felipe, o WEC voltará a correr em fevereiro no circuito de Interlagos.

  6. Danir disse:

    Olá Rodrigo. Concordo com você, Interlagos deveria ter um lugar permanente na Fórmula-1. Muito mais que Mônaco por exemplo. Esta é a minha opinião. Entretanto o que fizeram com o Rio de Janeiro, transformando um autodromo de primeira em uma vila olimpica sucateada é uma abominação. Com certeza deveria ser feita uma campanha de apóio a um autódromo no Rio, mesmo que não fosse para F-1 (poderia até ser) mas apto a abrigar competições de monopostos, turismo, protótipos e até motos. Se a politica não fosse o abrigo de pessoas totalitárias e ideologicamente maniqueistas, poder-se-ia tentar convencer o presidente a apoiar um autódromo no Rio não necessariamente para F-1.
    Quem destruiu o autódromo do Rio não foi alguem de direita, foi um governo que independentemente de qualquer outra coisa, era corrupto e mal intencionado. O problema neste caso não foi a orientação política, mas a postura moral. O fato de não ser socialista ou comunista não transforma alguem em um monstro, e dois erros não fazem um acerto. Sou por Interlagos manter sua tradição e pela ressurreição de um autódromo de respeito no Rio, mesmo que seja com a demolição da Vila Olímpica que hoje é um elefante branco que não serve a ninguem.
    Saudações..

  7. Leonardo Silva Conrado disse:

    A corrida de hoje em Interlagos, foi para sepultar essa ideia de levar a F1 para o Rio de Janeiro. Tenho certeza que o contrato com SP vai ser renovado.

  8. Antonio Seabra disse:

    Eu estive lá. Voltei a ver um GP de F1 em Interlagos, ao vivo, depois de 44 anos !!! O ultimo que tinha ido foi na vitoria do Moco em 1975. Interlagos estava bem cheio, mas não estava lotado.
    Fiquei no setor A, entre a curva do café e a entrada dos boxes. Foi fácil entrar, foi fácil comprar bebidas e comidas, foi fácil sair. Diria que a organização foi nota 10.
    Embora não seja propriamente um fã do Verstappen, tenho de registrar que ele fez uma corrida sensacional. Venceria em qualquer condição, mesmo sem os Safety Cars, talvez desnecessários, mas que deram um colorido extra a corrida. Max foi perfeito nos treinos e na corrida, e era o piloto mais rápido na pista. As ultrapassagens sobre Lewis foram ambas espetaculares, e o inglês deve estar até agora com gosto de cabo de guarda chuva na boca. A Red Bull certamente era o melhor carro na pista, atestado pela excelente performance do Albon, mais isso não embaça os méritos do Max, que tirou tudo do carro, e controlou a corrida de forma perfeita. Cronometrei a diferença entre ele e o Hamilton em todas as voltas em vários pontos da pista, até o momento da segunda troca, e era claro que ele estava controlando: Bastava Lewis iniciar uma tentativa de aproximação, e e Max acelerava mais e retornava a diferença ao patamar anterior. Mereceu o resultado, os aplausos e vibração da torcida, mereceu a invasão de pista na hora do pódio.
    Hamilton também andou muito bem….até fazer a besteira que fez. Não era o fim de semana dele. Sainz foi fantástico, nem tanto pelo terceiro lugar, mas pela atuação em si. Seria o primeiro do resto, mesmo sem acidentes e sem Safety Cars.
    Por fim, embora também não goste do Marko, ele andou muito perto de acertar a previsão (que na época soou esdruxula) de 5 vitorias no ano. E do jeito que o carro da Red Bull está bom, é possivel uma quarta vitoria em Abu Dabhi…

    Por fim, Interlagos merece uma revisão de traçado, coisa que eu já proponho a mais de 4-5 anos, Em discussões aqui e no blog do Flavio, eu mandei por e-mail croquis sugerindo um esse de alta a direita, em subida (tipo Eau Rouge), no fim da reta oposta, acessando o trecho final do antigo retão, depois 2 curvas de alta no lugar das antigas 3 e 4, a volta pela antiga retinha para a Ferradura, com conexão ao traçado atual na saída da segunda curva do Lago atual, num esse da alta em leve subida, para a reta que leva ao Laranjinha. Algo muito parecido com o que o Flavio apresentou essa semana (quem sabe tenha sido o embrião da sugestão dele), mas um pouco mais elaborado e mais de alta.

    Quanto ao autódromo no Rio, diria que o Rio merece de volta sua pista, independentemente do envolvimento politico, independente da discussão de sediar ou não a F1 (existem outros eventos Classe A, deixem a F1 em Interlagos), independentemente do local a ser erigido (Deodoro, pela vizinhança, é uma má escolha). A destruição do antigo autódromo foi, este sim um ato politico SUJO, que na época não rendeu a revolta da imprensa que a construção de um novo autódromo vem provocando agora. Só o Rodrigo, aqui no blog, foi um voz constantemente contra a destruição da pista, um D. Quixote contra a bandalheira que fizeram, tendo algum dos seus leitores assumido o papel dos Sanchos Pança de plantão, eu entre eles.

  9. Antonio Seabra disse:

    Faltou elogiar o Gasly, não pelo segundo lugar, mas pela prova toda. Andou entre os primeiros o tempo todo !!! Até que enfim uma prova a altura das expectativas que todos tinham dele.

  10. Leandro Fontes disse:

    Grande Rodrigo! Pra variar, excelente texto! Apenas complementando a informação sobre o pódio da McLaren na Austrália em 2014, o então estreante Kevin Magnussen chegou em 2º, fazendo um pódio duplo da equipe.

  11. Alan Ambrosini disse:

    Que corrida!
    Fazia muito tempo que eu não assistia uma corrida que me levasse a vibrar, gritar e “correr junto” aos pilotos.
    Interlagos tem a magia de nos trazer corridas espetaculares, independentemente de clima, diferenças entre carros e pilotos, é sempre uma caixinha de surpresas, mas sempre nos trazendo grandes emoções e grandes corridas.
    Uma pista que nós amamos, uma pista em que pilotos e equipes amam.
    Uma pista que, mesmo com as devidas mudanças exigidas pela FIA para sediar F1, ainda continua com aquela pegada raiz onde se passar do ponto ou come grama ou beija o guard-rail.
    Enfim… a Liberty não deveria nem ao menos cogitar uma ausência de Interlagos em seu calendário e acredito que eles nem pensam, pois são americanos os donos e é disso que o americano gosta, do espetáculo puro sangue do automobilismo.

    Interlagos é tão impressionante, que foi capaz de nos propiciar a ver o todo poderoso motor AMG Mercedes ARREGANDO para o motor Honda na subida.

    Simplesmente SENSACIONAL!!!

  12. Alan Ambrosini disse:

    Só mais uma coisa:

    Depois das Mercedes chorarem para acompanhar os Hondas, não duvido se não vão começar falar que os motores Honda estão “adulterados”, igual estão falando sobre as Ferraris.

  13. Vinicius disse:

    Interlagos, Silverstone, Monza, Montreal e Spa deviam ser “imexíveis”. Das modernizadas & moderninhas, Hermanos Rodríguez é legal. Dou mais uma chance pra Suzuka. Com o resto, podem fazer o que quiserem.

  14. Alan Ambrosini disse:

    Red Bull Ring também trazem corridas sensacionais todos os anos.

  15. Antonio Seabra disse:

    Concordo. Alias essa pra mim é uma das pistas que foram estragadas, junto com Imola e, lamento ser voz discordante, Interlagos. Zandvoort é a proxima que vem mutilada.
    O velho Osterreichring era uma pista que separava os homens dos meninos, essa A1 é só um arremedo dela.
    Quanto a Interlagos, apesar da corrida ter sido otima, e de ter lá os seus desafios (freadas dificeis, etc) hoje é uma pista em que o carro conta mais do que o piloto. Não sobrou uma curvinha de alta que fosse, pra premiar os pilotos diferenciados.
    Interlagos, a maravilhosa Interlagos, a épica Interlagos, não merecia isso.

    Antonio

    • Rodrigo Mattar disse:

      Zeltweg era uma pista ESPETACULAR. Não merecia ter sido retalhada como Interlagos foi. Com muito boa vontade, seria possível criar alternativas de traçado. Talvez mais duas, usando a antiga reta, as antigas curvas 2 e 3, talvez trazendo de volta parte da Ferradura.

      Uma pena que por um capricho do Senna e também pela imposição do Bernie (que tinha medo da Indy correr no anel externo de Interlagos) tenha se jogado parte da nossa história no ralo.

  16. Cristiano disse:

    Foi mesmo um GP divertidíssimo. Sobre o safety car, mandrake ou não, somando os dois da corrida foram 10 voltas, e além de juntar o pelotão e anular vantagens, deve poupar um bom tanto de combustível, o que ajudou a animar o final. Gostei inclusive das estratégias dos líderes segurarem a hora de acelerar.

  17. TARCISIO FRASCINO FONSECA disse:

    Belo texto.

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