Direto do túnel do tempo (465)

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Sensação nas Mil Milhas de 1970: a Ferrari de Gianpiero Moretti foi o primeiro carro a andar abaixo dos 3 minutos em Interlagos

RIO DE JANEIRO – Morto há oito anos, no dia 15 de janeiro de 2012, Gianpiero Moretti foi um piloto italiano mundialmente conhecido não por seus feitos dentro das pistas (e olhe que alcançou alguns bastante significativos) – mas fora delas.

A lendária marca de rodas e artigos de competição Momo (sigla para as iniciais de Moretti-Monza) foi criada por Gianpiero em 1966 e a primeira cliente, como não podia deixar de ser, foi a Ferrari. Foram muitos os equipamentos comercializados e a Momo virou uma griffe como muitas outras no esporte a motor ao longo dos anos.

Gianpiero, nascido em 1940, foi um gentleman driver na mais pura acepção da palavra. Já perto dos 60, enfileirou vitórias nas provas de Protótipos nos EUA que o deixaram marcado na história: em 1998, ganhou as 12h de Sebring, as 6h de Watkins Glen e as 24h de Daytona – nesta última, após quinze tentativas infrutíferas que o fizeram exclamar ao pódio.

“Este foi o mais caro relógio que já ganhei”, referindo-se ao Rolex que os pilotos vencedores na Flórida fazem jus.

Moretti foi inclusive um dos que contribuíram para que a Ferrari voltasse a construir modelos Esporte-Protótipos, em meados dos anos 1990. Se a 333 SP existiu, temos de ser gratos a ele.

Em sua trajetória como piloto, teve ligações com o Brasil.

Duas, aliás. Um de seus companheiros de equipe nos EUA foi Antonio Hermann.

Mas foi a passagem de Moretti pelo país em 1970 que ficou mais marcada.

Há quase meio século, ele trouxe uma Ferrari 512S, carro que ainda era competitivo no World SportsCar Championship e nas 24h de Le Mans, para disputar as Mil Milhas e a Copa Brasil.

Nas Mil Milhas, correu com Corrado Manfredini. A dupla partiu da pole por deferência do Centauro Motor Clube, mas o carro teve problemas técnicos com a injeção de combustível do motor e perdeu várias voltas nos boxes.

Já de manhã, a Ferrari voltou à pista e, mesmo muito atrasada, Moretti quebrou os cronômetros. Nunca nenhum carro havia feito o traçado de Interlagos com seus quase 8 km em menos de três minutos. O italiano virou em 2’58″5. Chegou com Manfredini na 20ª posição. Mas ficou na história.

O italiano disputaria ainda no fim do ano duas das quatro provas da Copa Brasil, organizada pelo folclórico Antonio Carlos Avallone. Mesmo com a 512S, acabou derrotado nas duas provas por Emerson Fittipaldi, que seria campeão da competição – quebrando inclusive o tempo de Moretti com 2’53″2 a bordo de uma pequena Lola T210 de 1,9 litro.

Moretti foi o 4º colocado na classificação com 14 pontos, atrás de Emerson, Jorge de Bragation e Alex Soler-Roig.

Há 49 anos, direto do túnel do tempo.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

1 Comentário

  • Ótima estória. Impressionante como há causos e personagens interessantes e pouco conhecidos no automobiismo. Pelo menos para os não tão bem informados.
    Eu não tinha ideia das origens da Momo.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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