MENU

27 de janeiro de 2020 - 10:46Fórmula 1, Memorabilia, Vídeos

Moco, 45 anos

RIO DE JANEIRO  – Ontem, no triste 26 de janeiro por conta da tragédia envolvendo Kobe Bryant e sua filha Gianna, completou-se 45 anos desde uma vitória histórica no GP do Brasil de Fórmula 1.

No ano de 1975, Interlagos veio abaixo com o triunfo de José Carlos Pace, o eterno “Moco”, com a Brabham BT44 – em dobradinha com o então campeão mundial Emerson Fittipaldi, da McLaren.

Foi a primeira do Brasil na história da categoria. E depois viriam tantas outras que alegraram os fãs do esporte.

No vídeo abaixo, o grande Castilho de Andrade, diretor de comunicação do GP do Brasil, na época trabalhando no Jornal da Tarde, relembra aquele domingo inesquecível.

Compartilhar

15 comentários

  1. Wilton Sturm disse:

    Eis um GP que eu queria ter assistido in loco, ou ao menos visto ao vivo na TV.
    Mas nasci em 73…

    Curiosidade: li que o Moco, na volta de consagração, não completou o circuito todo.
    Provavelmente por causa da emoção, ele cortou caminho pela junção.
    E o Emerson, para evitar que isso pudesse gerar alguma discussão, também cortou de propósito por ali!

  2. Antonio Seabra disse:

    Nunca é demais lembrar do Moco.
    Como já disse varias vezes aqui, eu (felizmente) estava lá. E, aliás, foi a ultima corrida de F1 que assisti em Interlagos, até a prova desse ano (2019), quando fui lá de novo. E. a despeito do calor, da falta de água pra beber, da multidão que acompanhou Moco ao pódio, das lágrimas de tanta alegria de finalmente ver a Vitoria de um idolo, eu não queria sair do autodromo !!!! Fiquei lá até não ter mais quase ninguém, até não aguentar mais. Quando saí de lá já estava quase na hora de aparecerem as corujas do Comendador Ceregatti…..(quem não souber do que se trata, me pergunte outra hora…kkkkk).

    Essa primeira vitoria prometeu muitas outras mais. Mas o BT44B, apesar de ser um excelente carro, era um devorador de pneus dianteiros. Moco naquele ano marcou excelentes tempos nos treinos, fez largadas sensacionais, liderou, mas não venceu de novo. Após as primeiras voltas o carro perdia rendimento por conta dos pneus, e começava a cair de posição. Tanto é que a unica outra vitoria do ano foi com Reutemann, num atribulado GP da Alemanha,em Nurburgring, 22 km de extensão, em que todos os principais pilotos tiveram pneus furados longe dos boxes, menos o argentino, em seu dia de sorte.
    O BT45 Alfa, de 1976, era um caminhão, e só fez os fãs do Moco passarem raiva. Mas no final do ano, Moco já estava acertando o carro. Finalmente o BT45 B de 1977 prometia as outras vitorias tão desejadas pela Torcida do Pace (vide as camisetas em Interlagos 1975). Na Argentina Moco iniciou bem, liderava desde o meio da prova até as ultimas voltas, e só perdeu a vitoria por conta de uma desidratação, causada pelo calor infernal que fazia em Buenos Aires. Se arrastava no final, sem forças pra guiar, quando Scheckter passou. Foi um segundo lugar de gosto amargo. No Brasil, liderou até ser atingido por James Hunt na saida da curva 3, apos ter derrapado no asfalto que se deteriorava (e que terminou sendo o causador de um cemiterio de monopostos que ali se acidentaram). Na Africa, largou na primeira fila, em segundo, mas o forte calor não foi amigo da Brabham, fazendo-a perder desempenho. Porém, o carro prometia muito na temporada européia, e as vitorias finalmente viriam, era certeza !!!
    Não vieram…depois da Africa, Moco veio ao Brasil, e junto com o amigo Marivaldo , foram passar um fim de semana na fazenda do “Fiapo”, em Araraquara. As mulheres e crianças foram de carro, e os 2 foram no Corisco, monomotor, de propriedade do veterano amigo. Marivaldo estava brevetando, e precisava fazer horas de voo.. Moco também. O piloto contratado iria leva-los e trazer a aeronave de volta ao Campo de Marte. Chegando lá, em vez de desembarcar, os 2 resolveram fazer mais uma perna de treino, e voltaram até Marte com o piloto. E como esse piloto tinha comprimissos pre assumidos, contrataram lá mesmo um outro piloto, para leva-los de volta a fazenda, em mais uma perna de treino.. Essa foi a perna de voo fatal. Uma tempestade se formava sobre Mairiporã, e, não se sabe por que motivos, eles conduziram o pequeno avião bem pro meio dela. Voando em condiçoes não visuais, atingiram um morro, e perderam as vidas. Devia estar escrito.
    Talvez (eu acredito) se não tivessem voltado a SP com o piloto, se não tivessem resolvido treinar mais um ´pouco a pilotagem de avião, o Brasil teria em 1977 um outro campeão do Mundo.
    Moco era um dos grandes, meu idolo desde as Berlinettas, dos KG Porsche, do Bino. Pra mim estava, e está ainda, num panteão onde pontuam Ronnie e Gilles. Só os tres. Os tres cuja velocidade estava na alma, no sangue, nós pes e nas mãos. De carro igual, dificil andar na frente desses ai.
    Pra finalizar, lembro – de novo – o Trovão (Luis Antonio Greco) que dizia: “eu só vi 3 ET’s guiando, Clark, Pace e Senna)” E o Bernie, que sempre repetiu: “Se o Pace não tivesse morrido eu não precisaria ter contratado o Lauda”.

    Antonio

    .

  3. Wilton Sturm disse:

    Antonio, tuas contribuições são espetaculares!

    *** não estou conseguindo responder diretamente ao comentário do colega! Mas espero que leia meus elogios!!

  4. walter disse:

    Aqui tem o GP Brasil de 1977.
    Vejam, em 22’56”, a falta de sorte do lance descrito pelo Seabra.
    Pace não perdeu o controle; poderia perder uma posição, talvez duas, e voltaria para a briga (como disse o Seabra, na Argentina, Pace quase venceu).
    O Brabham passa numa mancha de cal, perde a traseira, mas não perde o controle, mas Hunt e Pace se tocam; Hunt segue, como se nada acontecesse, Pace perde o bico e a corrida.
    Em 1h10’48” temos algo bizarro daqueles tempos: Pace, com a torcida e a PM, num ponto perigosíssimo, assistindo à corrida.

  5. Antonio Seabra disse:

    Bacana.
    De fato, numa fase mais adiantada da prova o Moco foi mais um dos que saiu e bateu na curva 3, por conta do asfalto deteriorado. Mas já estava totalmente fora da prova por conta do tempo perdido no reparo do bico do carro e dos radiadores. Vários carros se acidentaram ali.
    Em 1974, com o fraco Surtees TS 16 o Moco também fez uma bela corrida em Interlagos, chegando em quarto. Estava se aproximando rapidamente do Jackie Ickx, para lutar pelo terceiro lugar, quando a prova foi suspensa por causa da chuva forte (se a memoria não me trai).
    Em 1973, com o Surtees TS 14, que era um carro até rápido, mas mas que sofria com os pneus Firestone, Moco fez uma grande largada, pulando de sexto pra terceiro e pressionando Stewart pelo segundo lugar. Mas a suspensão do carro cedeu e ele teve de abandonar cedo.

    Sobre o GP de 1973, houve uma curiosidade, envolvendo “cortar caminho pela junção”, similar ao fato que o Wilton citou no primeiro post ai acima: Ronnie estava muito rápido com o Lotus 72 e tinha marcado 1.30 e 5/10, tempo que o Emerson tentou, tentou e não conseguiu nem aproximar. Dai, esperto como ele só, Emerson deu uma volta pelo anel externo e partiu pra marcar tempo. Com isso, ele passava no trecho de saida da Junção com maior velocidade do que se ele tivesse vindo do circuito interno, fazendo o traçado normal da Junção. Assim, em todo o trecho da subida para o atual Café e até a curva 1, a Lotus 72 trafegava bem mais rápido que o normal, o que o ajudou a marcar 1..30 e 7/10, muito próximo do tempo do sueco. Na corrida veio a “vingança” ; Emerson largou na frente, e o sueco veio babando atras. Ronnie estava muito rápido, e la pela terceira volta começou a tentar passar. Mas esqueceu da turbulência causada pelos aerofolios: fez a curva 1 mais rápido que o Rato e colou na 2, para aproveitar bem o vacuo e tentar passar na freada da 3. So que na saida da 2, a mais de 280 por hora, ficou sem pressão aerodinâmica e saiu da pista, tendo muita sorte de não ter se envolvido em um acidente serio, já que a área de escape ali era pequena. Deixou o caminho livre para a vitoria tranquila do Emerson.

    Bons tempos, de grandes pilotos e carros sem “gizmos” eletrônicos. E com o MARAVILHOSO traçado original de Interlagos !!!!
    Foi um grande CRIME terem acabado com aquele traçado !!!! Interlagos sem as curvas 1, 2, 3 , 4 e Curva do Sol (nem vou falar na Subida do Lago e Curva do Sargento, nem no antigo traçado mais rápido da Junção) é igual a uma mulher linda a quem extirparam os peitos, a bunda e os quadris.

  6. Wilton Sturm disse:

    Caros Antonio e Walter, vocês conseguem responder diretamente no post/resposta de cada colega?
    Não estou conseguindo, mas vou por aqui.
    Quero agradecer o ótimo papo!
    Conhecia muita coisa de 77, mas o Walter agregou com o vídeo.
    E, Antonio, essa do Emerson cortar a junção visando mais velocidade na subida do café, eu nunca tinha ouvido falar!

    Nessa de 77 meu irmão foi, levado por um primo. Puxa, o quanto esses dois me influenciaram a gostar de fórmula 1!!!
    Esse primo chegou a se vestir de gari, para ir varrer Interlagos e assim ser penetra em um dos primeiros testes do Copersucar… rsrsrs
    A gente precisava se encontrar um dia, com o Rodrigo junto!!

  7. Jose Paulo de Macedo Soares Junior disse:

    Absolutamente inesquecível!
    Assisti esse GP em Interlagos; foi emocionante!
    Jose Carlos Pace
    ( O único piloto brasileiro contratado pessoalmente pelo comendador Enzo Ferrari
    para disputar o Campeonato Mundial de Marcas pela Ferrari )

    Verdadeiro Campeão Mundial sem titulo!

    Para os fans do Pace recomendo o livro escrito por Luiz Carlos Lima (1985)

  8. Zé Maria disse:

    Comentários do mais alto nível!
    Os do Antonio Seabra então!
    Bacana poder participar de um espaço tão diferenciado como é o “A Mil por Hora”.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Zé, o Antonio é um amigo muito querido e um aficionado que conhece muito das coisas. Também aprendo com ele. Não nasci sabendo. E que bom que você sempre vem aqui.

      Discordando ou concordando, fazemos desse espaço o melhor para os leitores.

  9. Antonio Seabra disse:

    Zé, Wilton, Walter, obrigado.
    Eu apenas tento dividir aqui algumas coisas que vi e vivi, e a minha forma de ver esse esporte, com pessoas como vocês, gente que ama de verdade e conhece bem esse mundo maravilhoso das corridas de carro. E me sinto feliz de poder tentar contribuir de alguma forma com o Rodrigo, a quem reputo o maior cronista atual de automobilismo.

    Jose Paulo, o livro é realmente bom, bastante completo, e eu tamb´ém recomendo. Merecia uma reedição com com mais qualidade de impressão, em tamanho e maior e com as fotos em papel cromo. O meu (que a muitos anos atrás eu emprestei a alguém, e que nunca o vi de volta….já era), tinha até paginas de cabeça para baixo…
    Penso que o Moco merecia uma novo livro. com uma abordagem mais atual. Enquanto ainda temos vivos pessoas como Sir Frank, Bernie, Gordon Murray, Bird, Paulão, Chiquinho, Lian, Fritz, e outros, que poderiam ser entrevistados, pra contar algumas estorias sobre ele….caso contrario essas estorias, talvez desconhecidas por nós, irão embora com eles.

    Abraços

  10. Antonio Seabra disse:

    Rodrigo,

    Além da nossa amizade, alem da admiração que eu nutro pelo cronista, profundo conhecedor e estudioso do automobilismo, um dos grandes prazeres de vir aqui diariamente é encontrar nos comentários, entre aqueles que te seguem, 99% de pessoas que conhecem e amam esse esporte !

    E se aqui se encontra uma elite de conhecedores apaixonados, o mérito é todo teu.

    Grande Abraço

  11. Jose Paulo de Macedo Soares Junior disse:

    Prezado Antonio Seabra, realmente existe um outro livro em homenagem a José Carlos Pace, Editora Tempo & Memoria de 2007.

    Jose Carlos Pace a busca de um sonho

    Foi patrocinado pela Mahle Metal Leve S.A
    Uma obra muito bonita

  12. Antonio Seabra disse:

    Eu tinha me esquecido: também tenho !!!!
    Gosto mais das fotos do que do texto….

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *