Neil Peart, O Baterista

N

RIO DE JANEIRO – Qualquer coisa que eu escrever aqui pode soar exagerada. Que seja… foda-se o que pensarem!

Estava no final do meu treino na academia – voltei à atividade física depois de trocentos anos parado – e estou postando um vídeo no Instagram fazendo esteira, quando um dos perfis que segue minha conta por lá avisa que Neil Peart morreu – há três dias atrás, registre-se.

Puta que pariu…. 67 anos… puta que pariu… Câncer no cérebro.

Doença maldita. Por que não existe cura pra isso? Tem cura pra tanta coisa, não pro câncer.

E um dos maiores músicos da história, talvez o baterista que mais marcou toda uma geração no rock, de fãs a músicos, não espera muito o ano de 2020 começar e se despede da vida.

Cada vez mais lamento não ter ido aos shows do Rush no Brasil. Vê-lo em ação ao vivo seria uma experiência mais fodástica do que ouvi-lo na banda canadense montada em 1968, mas que só contaria com o talento e o virtuosismo de Neil no segundo disco, Fly by Night. Antes dele, John Rutsey gravara o primeiro álbum, auto-intitulado, em 1974.

Neil moldou um estilo – inspirado em dois monstros, Keith Moon e John Bonham, sem contar referências do jazz como o lendário Buddy Rich – e nele deitou e rolou. Fez misérias com seus kits de bateria. Performances como as de “La Villa Strangiato” e “YYZ” são lendárias, só pra citar algumas músicas instrumentais do grupo que gosto muito. Afora em outras canções como “Spirit of Radio”, que inclusive ouço agora no momento em que escrevo esse post.

Além de tocar pra caralho, o baterista ainda compunha muitas das letras das canções que o grupo gravaria. Ele era um mestre em falar de temas universais, fantasia, filosofia, ficção científica e também em assuntos humanitários e libertários.

Nos últimos anos, o Rush já não vinha se apresentando com a mesma frequência de antes – às vezes Geddy Lee e Alex Lifeson iam a shows de outros artistas e faziam jam sessions: uma delas é lendária – o baterista do Foo Fighters, Taylor Hawkins, é grande fã do grupo e tocou “YYZ” em Toronto, terra dos integrantes do Rush, com o baixista e o guitarrista.

Também no dia em que o Yes foi indicado ao Hall da Fama do Rock em cerimônia realizada no Barclays Center em Nova Jersey, só estavam Lee e Lifeson. Geddy tocou baixo com a banda em “Roundabout”, num dos mais bonitos momentos de congraçamento entre dois grupos que deixaram uma marca indelével no rock progressivo.

Além do tumor – do qual eu só soube hoje – Neil tinha problemas crônicos de tendinite por conta dos movimentos repetitivos a bordo do seu instrumento de trabalho. Em 2015, ele anunciou que o grupo “daria um tempo”. Ano retrasado, o Rush definitivamente saiu de cena face os problemas de saúde de seu baterista.

Vai, Neil Peart. Voa e alcança o infinito com seu talento inigualável. Você foi grande, cara. Pode ter certeza disso.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

6 Comentários

  • Fui nos 2 shows do Rush no Morumbi, em 2003 e 2010, o cara era um monstro, simplesmente o melhor…Queria escrever um texto legal sobre ele, mas não consigo, estou muito triste…

  • Sem palavras para a perda desse batera top …. ja gostava do Rush desde o primeiro álbum, mas quando ele entrou, combinou demais…muita técnica e bom gosto..

  • No show de 2010 no Morumbi eu estava lá, ver o trio tocar “Moving Pictures” inteiro e ao vivo foi sensacional!!!

    Sobre Peart, aquela entrevista no início da MTV americana onde ele coloca uma moeda na parede e fica o tempo todo conversando com a reporter batendo com as baquetas e sem deixar a moeda se quer se mover é o resumo desse músico fantástico!!!

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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