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12 de janeiro de 2020 - 09:33Rali Dakar

Speedy Gonçalves

Paulo Gonçalves (1979-2020)

RIO DE JANEIRO (Que tristeza…) – É muito tênue a linha que separa o sucesso do risco nas competições automobilísticas e motociclísticas.

Ainda mais quando falamos do Rally Dakar, que por muitos anos carregou a pecha de “Rally da Morte”.

Afinal, desde a edição inaugural em 1979, vinte e oito competidores perderam a vida durante a competição. 

Nem mesmo o criador daquele que se transformou no maior evento off-road do planeta escapou: Thierry Sabine faleceu num acidente de helicóptero em 1986.

Sim, também há vítimas entre os que não pilotam. Inclusive a última da lista fora em 2016, quando um argentino morreu em Córdoba atingido por um veículo de assistência de um competidor que atropelara – e matara – um boliviano, três dias antes.

Entre os pilotos, o último até hoje era Michal Hernik, encontrado sem vida durante a especial San Juan-Chilecito, no Rally Dakar de 2015.

Hoje, acordo cedo com a notícia da morte devastadora do português Paulo Gonçalves, o Speedy Gonçalves.

Campeão mundial Cross-Country da FIM, vencedor do Rally dos Sertões em 2013, vice no último título de Marc Coma no Rally Dakar em 2015, Paulo sempre foi dentre os competidores e o público do off-road em geral, uma pessoa muito querida e respeitada.

A imagem desesperadora de Paulo Gonçalves assistindo sua moto ser tomada pelas chamas no Rally Dakar em 2014 foi um dos momentos marcantes de sua trajetória no off-road

Sempre simpático, aquele piloto de apenas 1,68 metro era um gigante nas pistas, de alma e de coração. Uma das grandes imagens de sua trajetória que contabilizou 13 participações no Rally Dakar aconteceu em 2014, quando sua Honda foi tomada pelo fogo e Paulo caiu em desespero.

No ano seguinte, conquistaria o melhor resultado dele na prova… 

E agora, neste 12 de janeiro de 2020, um dia após os quinze anos da perda monumental do italiano Fabrizio Meoni, o Dakar chora a morte de Paulo Gonçalves, após uma queda no quilômetro 273 da especial entre Riyadh e Wadi Al-Dawasir.

A bordo de sua Hero, ele tentava a recuperação numa prova já arruinada por uma quebra de motor que o jogou para o 46º lugar geral. Há três dias, no site oficial do Dakar, havia a seguinte declaração do português:

“Eu tive um problema mecânico, praticamente fiquei fora da competição, mas eu não vou desistir. O objetivo agora é dar o meu melhor, porque o resultado no fim… bem, não há um jeito de alcançar um bom resultado. Mas tentarei me empenhar em alcançar os melhores resultados possíveis nas especiais. Esse é o meu objetivo.”

Tenha certeza, Paulo, que você sempre se empenhou. Até o fim.

Obrigado, Speedy. Descanse em paz.

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