Speedy Gonçalves

S
Paulo Gonçalves (1979-2020)

RIO DE JANEIRO (Que tristeza…) – É muito tênue a linha que separa o sucesso do risco nas competições automobilísticas e motociclísticas.

Ainda mais quando falamos do Rally Dakar, que por muitos anos carregou a pecha de “Rally da Morte”.

Afinal, desde a edição inaugural em 1979, vinte e oito competidores perderam a vida durante a competição. 

Nem mesmo o criador daquele que se transformou no maior evento off-road do planeta escapou: Thierry Sabine faleceu num acidente de helicóptero em 1986.

Sim, também há vítimas entre os que não pilotam. Inclusive a última da lista fora em 2016, quando um argentino morreu em Córdoba atingido por um veículo de assistência de um competidor que atropelara – e matara – um boliviano, três dias antes.

Entre os pilotos, o último até hoje era Michal Hernik, encontrado sem vida durante a especial San Juan-Chilecito, no Rally Dakar de 2015.

Hoje, acordo cedo com a notícia da morte devastadora do português Paulo Gonçalves, o Speedy Gonçalves.

Campeão mundial Cross-Country da FIM, vencedor do Rally dos Sertões em 2013, vice no último título de Marc Coma no Rally Dakar em 2015, Paulo sempre foi dentre os competidores e o público do off-road em geral, uma pessoa muito querida e respeitada.

A imagem desesperadora de Paulo Gonçalves assistindo sua moto ser tomada pelas chamas no Rally Dakar em 2014 foi um dos momentos marcantes de sua trajetória no off-road

Sempre simpático, aquele piloto de apenas 1,68 metro era um gigante nas pistas, de alma e de coração. Uma das grandes imagens de sua trajetória que contabilizou 13 participações no Rally Dakar aconteceu em 2014, quando sua Honda foi tomada pelo fogo e Paulo caiu em desespero.

No ano seguinte, conquistaria o melhor resultado dele na prova… 

E agora, neste 12 de janeiro de 2020, um dia após os quinze anos da perda monumental do italiano Fabrizio Meoni, o Dakar chora a morte de Paulo Gonçalves, após uma queda no quilômetro 273 da especial entre Riyadh e Wadi Al-Dawasir.

A bordo de sua Hero, ele tentava a recuperação numa prova já arruinada por uma quebra de motor que o jogou para o 46º lugar geral. Há três dias, no site oficial do Dakar, havia a seguinte declaração do português:

“Eu tive um problema mecânico, praticamente fiquei fora da competição, mas eu não vou desistir. O objetivo agora é dar o meu melhor, porque o resultado no fim… bem, não há um jeito de alcançar um bom resultado. Mas tentarei me empenhar em alcançar os melhores resultados possíveis nas especiais. Esse é o meu objetivo.”

Tenha certeza, Paulo, que você sempre se empenhou. Até o fim.

Obrigado, Speedy. Descanse em paz.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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