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RIO DE JANEIRO (Hora de dizer tchau…) – Tony Kanaan confirmou hoje que deixa a Fórmula Indy após a temporada 2020.

O brasileiro de 45 anos recém-completos em 31 de dezembro estará presente em um número limitado de eventos da categoria estadunidense e depois – ele deixou claro que não é a aposentadoria definitiva – deve anunciar planos para o futuro.

O presente, infelizmente, é marcado por muita mágoa entre TK e a equipe de A.J. Foyt, representada pela lenda texana e pelo filho Larry, presidente da escuderia – que já dispensara Matheus Leist e contratara Charlie Kimball.

Na hora de discutirem os termos para a permanência, o brasileiro soube tinha levado uma facada pelas costas: a equipe acertara com Sébastien Bourdais também por um calendário limitado de eventos – quatro, ao total. E também chegou um canadense chamado Dalton Kellett, de 26 anos, já muito rodado na Indy Lights, que compareceu com dinheiro e pagou pelo cockpit para as corridas restantes do calendário.

A negociação entre Tony, A.J. e Larry avançou, mas com um travo amargo que dá a impressão que será um final de relação bem infeliz.

Kanaan merecia muito mais pelo currículo alentado que apresentou em 23 anos de EUA. Foi campeão da Indy Lights em 1997, vencedor da temporada 2004 da Indy Racing League, campeão das 500 Milhas de Indianápolis em 2013, vencedor de 17 provas e dono de 15 poles – que superará 380 corridas disputadas com as cinco que fará neste ano – Indy 500, Texas, Richmond, Iowa e Gateway. A corrida de 22 de agosto marcará sua despedida da categoria.

“Quando paro para pensar em todos estes anos que estive na Indy, a primeira coisa que vem em minha mente é como sou uma pessoa de sorte por ter ficado tantos anos na categoria máxima do automobilismo americano. Entrei nesse esporte com 23 anos, cheio de sonhos e vontade de vencer. Posso dizer, sem a menor dúvida, que conquistei todos os meus objetivos”, disse o piloto.

“Tenho 45 anos, tenho fãs ao redor do mundo, vitórias, pódios, recordes, um campeonato e uma vitória nas 500 Milhas. Sei e sinto que posso continuar fazendo isso por muitos anos, mas como tudo na vida, no automobilismo também temos um ciclo. Por muito tempo tenho sido perguntado quando que iria me aposentar, e minha resposta sempre foi a mesma: o dia que eu acordar e sentir que não sou mais competitivo, esse será o dia que vou me aposentar”, comentou.

O anúncio da saída de Tony da Fórmula Indy liga definitivamente o alerta vermelho que já deveria estar tocando por conta do fim do contrato entre a categoria e o grupo Bandeirantes. E de fato será a primeira vez em mais de 30 anos que ninguém do país disputará a temporada completa da principal categoria de monopostos dos Estados Unidos.

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Rodrigo Mattar

6 Comentários

  • E o que a Foyt fez com Tony foi infinitamente pior do que a Andretti fez com ele ao final de 2010. Foram bem FDP ao quadrado com Tony que pelo que fez e representa não merecia tamanha calhordice.

  • O mesmo que comentei para o Rossi vale para o Tony. O agravante aqui é ele correr pela Foyt, de longe a pior equipe do grid. Que ele se divirta nas últimas corridas dele

  • E ele é um queridão mesmo. Outro dia eu estava vendo uma entrevista com um cantor inglês chamado Howard Donald. Ele é integrante do Take That (banda pop Inglesa) e um dos maiores DJ’s na Alemanha desde 1998-99. E ele tem um programa com o Dario Franchitti., e corre em algumas categorias amadoras na Europa. E nessa entrevista, citei no início, perguntaram para ele quais pilotos que ele mais gostava. Ele disse do Franchitti e falou so Tony. Ahhhh mano… que legal ver isso. Eu nem tinha pretensão de ver a entrevista, vi por acaso e um dos meus ídolos desde a adolescência fala que gosta um dos nossos pilotos. Porra é demais.

  • Uma pena, o que a AJ Foyt, fez com o Tony Kanaan, dando a ele esse final de carreira na Indy, com o pior carro do grid. Tony é um grande nome do automobilismo mundial, venceu a Indy 500, com uma equipe que não era uma das favoritas, entrado para a história do automobilismo americano e foi campeão, em 2004, pontuando em todas as provas. Uma pena que mais uma categoria famosa de monoposto vai ficar sem um brasileiro disputando o campeonato todo, já tinhamos a F1, sem brasileiros, agora a Indy. Será que a CBA, não abriu o olho, que está precisando investir mais em categorias de monopostos aqui no Brasil? tome uma atitude Dadai.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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