Vídeos Históricos – GP da Holanda de 1980

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Entre 1952 e 1985, foram disputadas 30 edições do GP da Holanda e Nelson Piquet é até hoje o único brasileiro a ganhar em Zandvoort

RIO DE JANEIRO – Antes da pandemia do Coronavírus, a Fórmula 1 foi sacudida com a volta da Holanda ao calendário e também do circuito de Zandvoort. Há 35 anos o país não recebia a categoria máxima. A última vez foi em 1985.

Mas há, contudo, uma corrida que nunca mais saiu da minha memória afetiva. Aconteceu em 31 de agosto de 1980. Era a 11ª etapa de uma temporada que, até aquele momento, parecia encaminhada. Alan Jones liderava com 47 pontos após a prova anterior na Áustria e Nelson Piquet, seu principal rival, tinha onze a menos.

Ao brasileiro, na época com 28 anos e assumindo o papel de primeiro piloto da Brabham, ganhar era fundamental. Era a mesma pista onde somara seus primeiros pontos com um 4º lugar em 1979 e nos treinos classificatórios, muito equilibrados, ele foi quinto no grid de 24 carros, a quatro décimos do pole René Arnoux, da Renault Turbo. Sete pilotos estavam dentro do mesmo segundo. Quinze, separados por um segundo e meio.

Dada a largada, o público presente ao circuito e também o que via em seus lares assistiu a um início de corrida avassalador. Foram pelo menos 13 voltas com trocas de posição, ultrapassagens sensacionais ao fim da grande reta que levava à Curva Tarzan e disputas palmo a palmo entre grandes pilotos.

Alan Jones veio de quarto, alcançou a liderança na primeira volta e, subitamente, ao terminar a segunda, desacelerou e foi aos boxes. Um problema numa minissaia, danificada após uma excursão mais agressiva numa zebra da curva Hugenholtz, custou duas voltas ao australiano.

Piquet não tinha sossego no início. Caiu pra sexto, mas ao mesmo tempo que superou Carlos Reutemann com a outra Williams, teve de lidar com o ímpeto de um alucinado Gilles Villeneuve, que deu tudo em sua pavorosa Ferrari 312 T5 no início da disputa. Outro em ascensão era Bruno Giacomelli, com a Alfa Romeo.

Arnoux herdou a ponta – por pouco tempo: Jacques Laffite o ultrapassou e comandou a disputa, enquanto o francês da Régie sustentava o segundo posto. Primeiro à frente do companheiro Jabouille, que teve de ir aos boxes. Depois, de Villeneuve – que já enfrentava problemas de pneus – e por fim de Piquet, que se livrou do canadense, partiu pra dentro do carro #16 e assumiu o segundo lugar.

De quarto na sexta passagem, Nelson demorou apenas sete voltas para chegar a primeiro, ultrapassando o carro azul e branco de Laffite. Daí pra diante, Piquet não seria mais incomodado.

A corrida foi ainda marcada por uma excepcional performance de Giacomelli até tentar superar Laffite e rodar com seu carro e por um pega épico entre Mario Andretti e Carlos Reutemann, valendo a 4ª posição. Houve disputas lado a lado na freada da Curva do Tarzan, roda com roda, intimidações e o velho Mario, já com 40 anos, mostrava a Colin Chapman que ainda estava vivo e tinha lenha pra queimar.

Pra seu azar, acabou fora a duas voltas do final, sem combustível. Foi talvez sua melhor apresentação na categoria desde o título mundial de 1978.

E houve, ainda, um pavoroso acidente com a Tyrrell de Derek Daly, cujas fotos já publiquei aqui no blog.

Piquet venceu e deixou a diferença entre ele e Jones em dois pontos – 47 a 45. Foi a 2ª vitória do piloto na Fórmula 1. Sobre a primeira, falaremos em muito breve.

Arnoux ainda passou Laffite e terminou mesmo em 2º, com Reutemann em quarto, Jean-Pierre Jarier em quinto e Alain Prost em sexto. Jones ainda perdeu mais uma volta e terminou em 11º e último entre os classificados ao fim do GP da Holanda.

Espero que não se incomodem com a narração do vídeo em alemão. Vale o registro de uma corrida espetacular.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

7 Comentários

  • Meus três anos de idade em 1980!

    Os carros com seus respectivos conceitos de criação, totalmente diferente dos dias atuais, por sinal uma geração horrenda no critério criatividade dos engenheiros, sem falar no Hallo, mas vamos ao que interessa.
    São os famosos anos dourados de uma F-1 que nunca mais teremos, disputas acirradas com diversas equipes envolvidas, pilotos que guiavam no braço e na raça, câmbio manual, etc.
    Uma época que valorizava-se mais pelo arrojo do piloto ao invés da máquina comandada eletronicamente pelo box nos dias atuais.

    Rodrigo,

    Em sua opinião, haveria alguma corrida dos tempos atuais onde pode-se comparar com essa postada?

    Bela matéria!

    Abrs!

  • Rodrigo que boa recordação você nos trouxe e sem querer ser saudosista, era uma época de deliciosas corridas; ótimos pilotos; carros diferentes entre si; tecnologias diversas e que claro nos proporcionava grandes espetáculos. Diferente dos últimos anos que vive uma grande pasteurização. Carros iguais, quantidade imensa de regulamentos e protocolos que engessam quase tudo e não permitem um melhor acompanhamento por parte das pessoas. Como digo eu era feliz e sabia que era. Obrigado Rodrigo

  • Rodrigo, fica aí uma dica para este período de quarentena. Que tal um desafio de postar uma corrida histórica por dia aqui em seu Blog para que possamos “superar” a abstinência de velocidade? Você deve ter corridas memoráveis em suas lembranças… compartilhe conosco!

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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