Ron Tauranac, 95

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Ron Tauranac (1925-2020): mais que cofundador da Brabham e amigo de Jack, com quem dividiu a alegria de dois títulos mundiais de Construtores e de pilotos nos anos 1960, um gênio da engenharia a quem hoje pagamos tributo no dia de sua partida

RIO DE JANEIRO – A Fórmula 1 e o automobilismo perdem nesta sexta-feira um dos nomes mais proeminentes de todos os tempos na área da engenharia de competição e construção de carros. Morreu hoje aos 95 anos o cofundador da Brabham e dono da Ralt Racing Cars Ron Tauranac, britânico de nascimento e australiano de coração.

Ron era o T (de Tauranac, evidentemente) da sigla de todos os carros da Brabham, que começou a construir carros de corrida em 1962, sonho tornado realidade pelo então bicampeão mundial Jack Brabham, até 1991.

No clique de Bernard Cahier, o BT33, última criação vitoriosa de Tauranac na F1, com Jack Brabham pelas ruas de Monte-Carlo

Juntos, Jack e Ron fizeram carros de Fórmula 1, Fórmula 2, Fórmula 3 e USAC. Foram campeões mundiais duas vezes, em 1966 com Brabham – único piloto-construtor campeão na categoria máxima e 1967, com Denny Hulme.

Em 1970, aos 44 anos, Jack aposentou-se e deixou a Brabham nas mãos de Tauranac. Sozinho, o australiano comandou a estrutura não sem antes conceber o modelo BT34 “Lobster Claw”. No fim de 1971, Bernie Ecclestone comprou a Brabham Motor Racing Developments das mãos de Tauranac.

Gênios também erram a mão de vez em quando: e Ron errou feio no Trojan T103, aqui com Tim Schenken em Brands Hatch: o carro disputou seis GPs em 1974

Ron serviu a Frank Williams por um tempo, sendo o responsável pelo reestudo do March 711 da equipe pela qual correram José Carlos Pace e Henri Pescarolo. Em 1974, fez o projeto do Trojan T103 e seu último modelo Fórmula 1 foi o Theodore TR1 guiado por Eddie Cheever e Keke Rosberg em 1978.

Dezenas de pilotos brasileiros guiaram as criações de Tauranac para a Ralt Racing Cars em categorias abaixo da Fórmula 1: com o RT30 “Flat-Bottom” da foto, Maurício Gugelmin venceu a F3 inglesa em 1985 e o Grande Prêmio de Macau

Naquela época, Tauranac fundara a Ralt Racing Cars. Em meados dos anos 1970, rivalizava de igual para igual com a March nas Fórmulas Atlantic, 3 e 2. Vários pilotos brasileiros passaram por essas categorias guiando os chassis construídos pelo engenheiro que se graduou no Sydney Technical College: Roberto Pupo Moreno, Nelson Piquet, Ayrton Senna, Maurício Gugelmin, Gil de Ferran, Rubens Barrichello e por aí afora…

Ron vendeu a Ralt para a March em 1988, mas se manteve ainda na ativa por muito tempo. Colaborou discretamente em projetos de Fórmula 1 até voltar para a Austrália. Morreu em Queensland, onde residia há dois anos.

RIP, Godspeed.

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Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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