Team WRT fatura abertura do GT World Challenge Europe Endurance

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RIO DE JANEIRO – A tradicional escuderia belga WRT de Vincent Vosse e Yves Weerts largou na frente na temporada 2020 do GT World Challenge Endurance Europe, cuja abertura foi neste domingo com as 3h de Imola, no Autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Imola.

Com participação de 46 carros, a prova foi ganha pelo Audi R8 LMS GT3 #31 guiado por Matthieu Vaxivière, Kelvin Van der Linde e Mirko Bortolotti. A trinca completou 86 voltas pelos 4,933 km do traçado, com pouco menos de três segundos e meio de frente para o Porsche da GPX Racing alinhado para o trio Mathieu Jaminet/Matt Campbell/Patrick Pilet.

A estratégia da trinca vencedora foi perfeita, com Vaxivière, quinto no grid, mantendo um bom ritmo inicial. Outro Audi, o #66 da Attempto Racing, partiu da pole com o belga Fréderix Vervisch a bordo, seguido pela Ferrari #51 da AF Corse tripulada no início por James Calado e a Mercedes-AMG do Team AKKA-ASP conduzida por Raffaele Marciello, que logo depois passaria Calado para assumir o segundo posto.

Após o primeiro stint, marcado por vários incidentes e períodos de FCY, a Attempto Racing saiu do jogo. O carro #66 voltou à pista num modesto 20º lugar, com duas Ferrari liderando – a #51 então com Nicklas Nielsen e a #72 da SMP Racing, tendo a bordo o russo Sergey Sirotkin.

Van der Linde voltou em quinto após o turno de Vaxivière e desceu o sarrafo no acelerador do Audi. Fez rápidas e precisas manobras de ultrapassagem sobre o Porsche de Louis Déletraz e a Mercedes #88 então com o russo Timur Boguslavskiy. E, sem transição, despachou primeiro Sirotkin e depois Nielsen, assumindo a liderança das 3h de Imola.

Com uma vantagem superior a 20 segundos, o sul-africano entregou o carro a Bortolotti, enquanto as Ferrari saíam da jogada: a #51 foi punida com um drive through por infração num período de bandeira amarela e a #72 foi vítima de um pit desastroso. O ponteiro chegou a abrir 25 segundos, mas dois períodos de Safety Car aumentaram a possibilidade de um revés. Só que Bortolotti controlou a situação e cruzou à frente.

Atrás de si, Mathieu Jaminet resistiu à intensa pressão do brasileiro Felipe Fraga, que assumiu o #88 do Team AKKA-ASP no último turno e por pouco não superou o rival. A diferença entre os dois foi inferior a um segundo e meio na quadriculada. Dois outros Audi R8 LMS GT3 terminaram em quarto e quinto, com o #32 do Team WRT guiado por Charles Weerts/Dries Vanthoor/Christopher Mies adiante de Markus Winkelhock/Dorian Boccolacci/Christopher Haase, da Saintéloc Racing.

“Não tenho palavras”, disse Mirko Bortolotti. “Esse é um resultado excepcional, o sentimento de ganhar em casa é fantástico, num novo campeonato e na nova casa, debutando pela Audi com meus colegas no Team WRT. A equipe fez um grande trabalho e a estratégia foi perfeita. Só quero agradecer aos meus colegas: Matthieu (Vaxivière) chegou de última hora e fez um stint perfeito. Kelvin guiou muito, com ultrapassagens espetaculares. Eles fizeram meu trabalho mais fácil”, avaliou.

Nas demais subclasses do GT World Challenge Endurance Europe, o 12º posto geral deu à Barwell Motorsport a vitória na Silver Cup, com o trio Patrick Kujala/Alex MacDowall/Frëderik Schandorff, chegando imediatamente à frente do trio vitorioso na Pro-Am com o Aston Martin Vantage GT3 da Garage 59, guiado por Alexander West/Jonathan Adam/Chris Goodwin.

E na divisão Am Cup, a CMR Racing levou o Bentley Continental #108 à vitória com o trio Bernard Delhez/Stéphane Tribaudini/Romano Ricci, exatamente uma posição atrás na bandeirada que o trio da K-PAX Racing do qual fez parte o brasileiro Rodrigo Baptista: largando de oitavo do grid, o carro do time estadunidense logo perdeu duas voltas na primeira meia hora e caiu para 45º e penúltimo na geral. Ganharam até a metade da corrida mais seis posições e ainda subiriam mais algumas até a hora e meia final – mas insuficiente para tirar as voltas perdidas. Ficou como aprendizado para as próximas.

A temporada de Endurance volta com um evento em setembro no circuito alemão de Nürburgring. E antes disso, na pista italiana de Misano, o Marco Simoncelli World Circuit, abre-se a série Sprint, com rodada tripla para compensar a perda de um dos eventos de provas curtas neste ano.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

6 Comentários

  • O nível de pilotagem na classe pro é excepcional, será muito bom se os LMDh forem o sucesso que prometem para dar a caras como Bortolotti, Marciello, Van der Linde e praticamente todos da Porsche a chance na classe rainha do endurance.

      • Claro, mas acho que muitos pilotos pro do atual GT3 serão selecionados, são jovens, experientes e sabem trabalhar em equipe. Por enquanto, estou otimista e acho, sim, que teremos um bom número de marcas na classe, inclusive Porsche e Audi ou Lamborghini, quanto a Mercedes, acho muito difícil, o que minaria Marciello, justamente o melhor piloto da categoria hoje.

  • Acho e torço para que o Fraga aproveite as oportunidades para ir se impondo como um dos principais pilotos de GT, e acabe indo para as equipes de ponta nos principais campeonatos. Como o Daniel Serra ja conseguiu.
    Com isso o Brasil vai criando uma dinastia de pilotos de GT iniciada com o Jaime Melo, que, infelizmente, desperdiçou uma grande carreira. Jaime tinha granjeado grande prestigio na Europa, com grandes atuações como piloto da Ferrari. Pude perceber isso nas minhas ultimas idas a Maranello, onde o nome dele ainda é lembrado. Hoje quem goza desse prestigio por lá é o Daniel Serra, e, um pouco menos, o Pipo Derani, que eu preferia que tivesse ficado mais centrado no automobilismo europeu. O Augusto Farfus também é bastante reconhecido. Mas sinceramente, fazendo parte da equipe BMW, esperava mais dele em termos de resultados.
    Não temos hoje um piloto (de preferência que fosse um bom piloto) na F1, em compensação temos vários pilotos bons e de sucesso espalhados nas principais categorias de turismo e protótipos pelo mundo afora.
    Acredito que o Felipe Fraga tem o talento natural e a dedicação pra ser o próximo nome de grande destaque nas provas de GT

  • Mattar,

    Felipe Fraga mais uma vez mostrando que tem braço para pilotar em qualquer categoria.

    Com mais tempo de pista e resultados como Le Mans no ano passado, seria ele um dos maiores brasileiros a pilotar um GT??

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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