Nicha Cabral (1934-2020)

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“Nicha” Cabral, o pioneiro português na F1

RIO DE JANEIRO – Luto entre os irmãos portugueses fãs do automobilismo, o desporto motorizado, como eles o chamam: Mário “Nicha” Cabral, o primeiro piloto daquele país a disputar uma corrida de Fórmula 1, morreu nesta segunda-feira em Lisboa aos 86 anos, após longa enfermidade.

Em caráter oficial, o piloto nascido em Cedofeita, na região do Porto, no dia 15 de janeiro de 1934, foi inscrito em cinco GPs da categoria máxima do automobilismo, tendo disputado quatro. O melhor resultado foi logo na prova de estreia: 10º lugar no circuito de Monsanto, tendo completado 56 voltas – seis a menos que o vencedor da oportunidade, Stirling Moss – de quem ganharia elogios na ocasião. “Nicha” guiou um Cooper Maserati da Scuderia Centro Sud, um dos muitos times não-oficiais da época.

Elogiado por Sir Stirling Moss, “Nicha” Cabral estreou em 1959 na Fórmula 1 e foi 10º colocado em Monsanto

No ano seguinte, Mário voltou a disputar o GP de Portugal pela mesma equipe e com o mesmo pacote técnico. Largou em 15º e era sétimo colocado quando foi traído pela caixa de marchas. Depois das aparições nas pistas de Monsanto e do Porto, “Nicha” voltaria a uma corrida oficial somente em 1963: 20º no grid de largada em Nürburgring, já era décimo colocado no GP da Alemanha quando novamente teve problemas de câmbio – desta vez com um Cooper Climax. Com este mesmo equipamento, o português não se classificou para o GP da Itália, onde tinha tempo melhor que Giancarlo Baghetti – que por ser vencedor de corridas anteriores na Fórmula 1 tinha a chamada “qualificação de ofício”.

Ironicamente, Cabral alinhou para sua última prova de F1 com o mesmo carro que Baghetti usara na temporada de 1963, porém com outro nome. O A-T-S 100 virou Derrington Francis graças a uma atualização de construção que incluiu um câmbio Colotti de cinco marchas e pneus Goodyear. Largou da 19ª posição e desistiu na vigésima-quarta volta, em decorrência de uma falha de ignição.

Um grave acidente sofrido em 1965 numa prova de Fórmula 2 disputada no circuito francês de Rouen les Essarts quase lhe custou a carreira e a vida. Sobreviveu a quase 20 fraturas no corpo para voltar aos cockpits – porém em Carros Esporte e Grã-Turismo, permanecendo na ativa até 1977, quando conquistou a última vitória da carreira numa prova de monopostos disputada em Benguela, cidade de Angola.

Após um acidente sofrido numa prova de F2 na França, Mário Manuel Veloso de Araújo Cabral (seu nome de batismo) voltou às pistas com modelos Grã-Turismo e eventualmente guiaria até encerrar a carreira em 1977, quando já tinha 43 anos

“Nicha” Cabral era um emérito contador de histórias, um grande papo, segundo os conterrâneos dele e amigo, ora vejam, de Sacha Distel e de ninguém menos que Paul Newman. Foi também diretor da escola de Fórmula Ford em Portugal, que revelou dezenas de talentos portugueses para os cockpits. Um deles, Ni Amorim, tornou-se inclusive presidente da Federação de Automobilismo e Kart de Portugal. Hoje, o dirigente, outrora piloto, lamentou a morte do pioneiro luso na F1.

“Foi um ícone do automobilismo português e internacional”, destaca Amorim. “É com muita consternação que vejo partir uma pessoa que conheci muito bem”, disse.

Pedro Lamy, que pelas estatísticas foi o primeiro português a se classificar para um GP após “Nicha” Cabral – Pedro Matos Chaves não alcançou o objetivo em 1991 – se disse ‘triste’ pela morte daquele que considerava um grande amigo.

“Agora temos de recordar os bons momentos dele. Perdemos o nosso primeiro piloto de Fórmula 1.”

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

1 Comentário

  • bom dia este lusitano bom de braço era amigo de um amigo meu antonio de castro prado que morreu na decada de 80 correram juntos em provas de endurance com um march 75a amarelo dois litros e andaram muito bem bons tempos aqueles depois de tanto tempo vao se encontrar la em cima um abraço

Por Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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