O espetacular Homem-Aranha: Castroneves e Taylor vencem em Road America na IMSA

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RIO DE JANEIRO – A quarta etapa do IMSA Weathertech SportsCar Championship, disputada em Road America, circuito localizado em Elkhart Lake, no Wisconsin, literalmente deu um banho no GP da Grã-Bretanha de Fórmula 1. Em todos os sentidos.

Talvez tenha sido a melhor corrida de 2020 em qualquer categoria ou campeonato do mundo inteiro. Não só porque Hélio Castroneves venceu em dupla com Ricky Taylor, mas pelo altíssimo nível da disputa e pela loucura do final, com um temporal digno de Noé caindo sobre o circuito, pilotos e carros perdendo o controle, saindo da pista como pombos sem asa, estratégias que foram para o vinagre e uma chegada eletrizante.

Pole position, o Acura #7 guiado por Taylor no começo liderou durante o primeiro stint e o piloto do Team Penske seguiu líder e em dobradinha com Dane Cameron, que o escudava com o carro atual campeão da IMSA. Até que o piloto do #6 mandou mal numa defesa de posição e numa fechada de porta bem acintosa, tocou com o Mazda #55 de Harry Tincknell. O prejuízo foi grande para Cameron e Juan Pablo Montoya, que viram suas chances se reduzirem na disputa.

A oposição ao líder veio não só do carro de Tincknell e do parceiro Jonathan Bomarito, como também do #77 de Oliver Jarvis/Tristan Nunez, com o outro Mazda RT24-P DPi. Aí as estratégias foram cruciais: primeiro a Mazda tentou um ‘undercut’ com o #77 e efetivamente Jarvis chegou à liderança. Mas foi por pouco tempo. Castroneves, que já assumira o carro, reviveu a personagem que lhe apelidaram nos EUA quando subiu os alambrados nas primeiras vitórias da Indy e virou ‘O espetacular Homem-Aranha’. Numa manobra de tirar o fôlego, passou pelos dois Mazda e o #7 recuperou a ponta.

Nisso, Helinho foi em frente enquanto nuvens ameaçadoras perambulavam no horizonte em Road America e o brasileiro acabou atrapalhado nas negociações de ultrapassagem com o tráfego dos carros mais lentos – apesar de rápida, a pista é estreita e perigosa em vários pontos. Jarvis aproveitou a hesitação do rival e assumiu o comando da disputa.

Só que faltando pouco menos de 40 minutos a chuva desabou. Meu amigo, minha amiga, que chuva! Que temporal! A água foi tanta que vários aquaplanaram, rodaram e bateram. Earl Bamber, que era o ponteiro na GTLM, saiu rodando pista afora e deu sorte de não destruir seu Porsche 911 RSR na curva 1 do circuito. Álvaro Parente não teve o mesmo desfecho e bateu com seu Acura.

Não obstante, Montoya foi acertado na traseira pelo líder da LMP2, o suíço Simon Trummer. A chuva inclemente virou granizo e o temporal fez a direção de prova dar bandeira vermelha. E a tensão aumentou quando o cronômetro foi congelado em 30 minutos na regressiva.

A direção de prova tentou esperar a chuva dar uma amainada e mandou os carros à pista. Com um detalhe: o Mazda de Jarvis e Nunez, que era líder, não estava com os pneus apropriados para pista molhada e teve de parar para montar pneus biscoito.

O resultado foi que de repente o adversário de Castroneves passou a ser o Cadillac DPi-V.R de Renger Van der Zande/Ryan Briscoe, com o holandês a bordo e as mudanças estratégicas da velha raposa Wayne Taylor que quase deram certo. Não fosse ‘O espetacular Homem-Aranha’, parte #2: o brasileiro deu o golpe de misericórdia no líder aproveitando-se de um erro do rival, enquanto Pipo Derani, achando aderência onde não havia nada, superou o Mazda de Bomarito e veio para 3º lugar.

Na última volta e meia da disputa, outro temporal daqueles desabou, outros carros bateram e rodaram e Castroneves, mesmo andando lentamente pelo traçado de 4 milhas de extensão para evitar o pior, foi beneficiado pelo Safety Car já que alguns pilotos ficaram em posição perigosa em pontos extremamente críticos do circuito de Road America.

Foi uma vitória daquelas de lavar de forma literal a alma do Acura Team Penske, justamente após o anúncio da ruptura de parceria entre o construtor oriental e a equipe multicampeã das pistas e chefiada por Roger Penske e Tim Cindric. A 2ª posição afinal não foi de todo má para Briscoe e Van der Zande: a dupla lidera  com 124 pontos. Jarvis e Nunez acabaram apenas em 6º lugar.

Para Nasr e Derani foi o segundo pódio consecutivo da dupla em 2020, numa prova onde os Cadillac tiveram que dosar o consumo de gasolina e a Action Express tentou, sem muito sucesso, um ajuste de asa traseira para melhorar o comportamento do seu protótipo durante a disputa. A pilotagem sensacional de Pipo nas últimas voltas salvou o dia da dupla.

Na LMP2, com o incidente que tirou o Oreca da PR1/Mathiasen de esquadro, a dupla Ben Hanley/Henrik Hedman ganhou na categoria terminando a prova em 8º na geral, uma volta inteira à frente de James French/Cameron Cassels.

A DragonSpeed salta agora as demais provas em que os carros da classe correrão na IMSA como preparação para as 24h de Le Mans, em setembro próximo. Lá, Hanley e Hedman terão a companhia de Renger Van der Zande, anunciado como substituto de Felix Rosenqvist, que teve de declinar o convite. O time de Elton Julian precisa preparar o despacho do equipamento para a Europa. E só volta aos EUA apenas para a disputa final, as 12h de Sebring.

A Corvette emplacou a terceira vitória seguida na GTLM na base da sorte. Com os incidentes envolvendo os dois Porsches e a BMW da equipe de Bobby Rahal guiada por Connor de Philippi/Bruno Spengler, principalmente por conta do enorme aguaceiro, o #3 de Antonio Garcia/Jordan Taylor, vítima de um pit caótico antes da chuva, com vários problemas, acabou por triunfar em dobradinha com Tommy Milner/Oliver Gavin.

Já na GTD, quase que o domínio dos Lexus RC-F da AIM Vasser Sullivan teve fim: por pouco a dupla Mario Farnbacher/Matt McMurry emplacou a primeira vitória em 2020. Mas quando não ganha o #14 de Aaron Telitz/Jack Hawksworth, ganha o #12 de Frankie Montecalvo/Townsend Bell, como aconteceu neste domingo. Telitz/Hawksworth chegaram em 3º, seguidos por Cooper MacNeil/Toni Vilander e Ryan Hardwick/Patrick Long.

A próxima prova da temporada será no dia 22, somente com GTLM e GTD, no circuito Virginia International Raceway (ViR), em Alton. Os protótipos retornam em setembro com a disputa das 6h de Road Atlanta, que substituem a prova cancelada em Watkins Glen por conta das restrições devido ao Covid-19.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

5 Comentários

  • Expliquei para o meu filho o por que do apelido do Helinho de Homem Aranha. Ele me disse que deveria mudar para Peixe Aranha depois de ver a corrida.

  • Mandei um twitt pra voces durante a prova, quando dei minha opinião a respeito da união do IMSA, com o WEC, sou totalmente contra essa unificação, minha opinião é contrária a sua, eu respeito claro a sua .
    Mas aí está a prova de que o IMSA, está muito melhor sozinho, tudo bem , vc disse que com a unificação das duas, haverá mais montadoras e tal, mas o problema é que haverá um baita choque cultutal e político.
    Depois dessa prova de ontém, não mudarei de opinião mesmo, até o ambiente dela é juito mais relaxado que no WEC !!

  • Meu amigo: vendo a narração do Cleber Machado é simplesmente horrível. O cara não sabe pronunciar o nome dos pilotos….que pena….

  • Qual será a estratégia do Roger Penske em liberar os pilotos com o fim do acordo com a Honda/Acura?
    Com a fusão da IMSA com o WEC, a possibilidade de uma baita equipe da Penske com a Honda seria sensacional.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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