Alpine na F1… e na LMP1!

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RIO DE JANEIRO – Leitoras e leitores, ninguém leu o título errado: a Alpine, lendária griffe francesa fundada por Jean Rédélé em Dieppe, atual bicampeã das 24h de Le Mans na LMP2 e vencedora da lendária prova francesa em 1978 com Jean-Pierre Jaussaud e Didier Pironi estará em duas frentes de grande porte em 2021.

Não só na Fórmula 1, como estratégia de marketing da Renault para alavancar as vendas da nova versão do Alpine A110 como também na LMP1 do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC), preparando o terreno para o regulamento convergente entre Hypercars e LMDh, a partir de 2022 ou 2023 – ainda não está certo.

“Mas a LMP1 não vai acabar?”, vocês me perguntarão.

Vai. Pelo menos para os carros com sistemas híbridos, sim. Porém, FIA e ACO deram uma colher de chá. Haverá pelo menos um ano em que Hypercars e LMP1 sem sistemas híbridos vão correr juntos. E esse ano será o próximo, talvez 2022 ainda.

A Auto Hebdo francesa trouxe, com exclusividade, a informação de que a Alpine estará no grid do Mundial de Endurance e das 24h de Le Mans de 2021 competindo na divisão de cima contra Toyota, Scuderia Glickenhaus e talvez ByKolles como construtores de Hypercars. A Ginetta anunciou em julho passado que não dará sequência ao programa no Mundial de Endurance por conta das dificuldades financeiras provenientes da Pandemia – não com equipe oficial, talvez com a Dyson Racing.

Segundo a publicação, a equipe procederá à absorção do equipamento da Rebellion, rebatizando o R13 usado pela escuderia anglo-suíça, que se desmantela ao fim da Super Season 2019/20, (possivelmente) de Alpine A480 e contando com o auxílio luxuoso da Oreca, construtora do carro. Os pilotos inclusive já estariam definidos: o brasileiro André Negrão, o estadunidense Gustavo Menezes (embora tenha uma perspectiva que não) e o francês Nathanaël Berthon.

E, cá pra nós, não faria sentido nenhum que o diretor geral da Alpine Patrick Marinoff e o diretor comercial e de competição da marca, Régis Fricotte, estejam em Le Mans junto ao proprietário da Signatech, Philippe Sinault, à toa. O anúncio oficial do envolvimento da Alpine com um LMP1 e a posterior presença na LMDh em 2022 ou 2023 será feito no próximo dia 14, vulgo segunda-feira.

Com vistas ao futuro regulamento técnico de convergência entre Le Mans Hypercar e LMDh, nada impede que a Alpine lance uso do motor… Renault de Fórmula 1. Pois é: a unidade V6 com 1,6 litro e dotada de turbocompressor pode muito bem ser aproveitada num Esporte-Protótipo e nada impede que isso aconteça, já que existe essa liberalidade das regras.

E com um sistema híbrido padrão a ser implantado nos Esporte-Protótipos LMDh, que desonera em demasia os custos de investimento de qualquer fabricante, Alpine e Renault dão uma cartada de mestre para entrar na turma de cima no FIA WEC e em Le Mans – ao mesmo tempo em que a Peugeot retorna com seu Hypercar a partir de 2022.

Os franceses terão não só um, mas dois motivos, para encher La Sarthe de fãs no futuro.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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