Money talks

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RIO DE JANEIRO – Pouco (ou de nada) adiantou a fúria nas redes sociais contra Nikita Mazepin e a acusação de assédio que o russo sofreu logo depois de ser anunciado como piloto titular da Haas na temporada 2021 da Fórmula 1. Via Twitter, a equipe divulgou o comunicado acima reafirmando que ele e Mick Schumacher serão a dupla do time.

É o automobilismo mais uma vez revelando uma de suas piores faces. A primeira, da passada de pano em prol do dinheiro. Mazepin, piloto de duvidoso talento, chega à categoria máxima com mais de 35 milhões de motivos (se é que vocês me entendem) para salvar o time de Gene Haas de ir para o espaço. Pietro Fittipaldi, que poderia brigar por essa vaga e foi o regra três de Romain Grosjean nas duas corridas finais deste ano, tinha perto de 1/5 do valor de Mazepin via patrocinadores.

Os de Mazepin, 21 anos, vêm das empresas do pai Dmitry, que dizem ter conexões fortíssimas com a máfia daquele país e com o governo de Vladimir Putin. US$ 35 milhões (ou mais do que isso) são fichinha perto da fortuna que esse senhor possui, mas dinheiro não compra talento. E Mazepin, apesar de uma campanha ok na Fórmula 2 este ano, não tem.

Nem dinheiro e nem caráter. Várias vezes em categorias menores ele foi alvo de polêmicas. Seu estilo de pilotagem é agressivo e por vezes sujo, colocando em risco a si próprio e todos os seus adversários nas pistas.

Como na Fórmula 1 hoje o negócio é “money talks”, a Haas toma o pior partido possível e ficamos por isso mesmo. As últimas linhas do comunicado que ilustra esse post dão o tom.

‘As ações foram tratadas internamente e nenhum novo comentário será feito’.

Nenhum novo comentário será feito…

Essa última frase soa como um acinte. E a Haas e a própria Fórmula 1, além da FIA, que arquem com as consequências. Aliás, num ano de muitos protestos e de total descaso de vários países com os riscos do Covid-19, aquela hashtag #weraceasone era fachada né? Porque a própria FIA jogou areia nessa mensagem ao ‘investigar’ a atitude de Lewis Hamilton ao subir no pódio do GP da Toscana com uma camiseta de protesto sobre o macacão da Mercedes.

Se a atitude da Haas mostra que o mundo do esporte a motor é hipócrita, machista e opressor, então que FIA e Liberty Media não me venham com teatrinhos no próximo ano.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

20 Comentários

  • Infelizmente o ‘arquem com as consequências’ escrita no texto no mundo de hoje não tem muito valor. Quando Gene Haas montou sua equipe de F1 para tornar o nome da sua empresa mundialmente famosa através do retorno de marketing que a F1 trás deve ter colocado na ponta do lápis os possíveis problemas como o do Mazepin surgiriam. Mas deve ter levado em consideração que a F1 também não faz muito caso para casos como esse, ela é mestre em passar o pano, ou varrer tudo para debaixo do tapete, no fim o que vale é o quanto de dinheiro o cara trouxe para a equipe.

    Infelizmente o ser humano é assim: ele não vai pensar se compra ou não uma máquina de CNC da Haas pelo fato do braço esportivo da empresa ter um piloto molestador, vai comprar o equipamento por que ele é bom e recomendado. Se vivessemos num planeta mais sério, ninguem compraria carro do grupo VW por que é uma empresa que frauda a emissão de CO2. Ninguem compraria um equipamento da Apple, pois seus equipamentos são de dificil manutenção e quando quebra, tem que gerar lixo eletronico e comprar equipamento novo. E tem muitos outros casos onde isso ocorrem.

    Infelizmente é nesse mundo que temos que viver. Como diria, ‘O mundo é belo, o que estraga ele é um ser de duas patas que acha que é racional’.

  • Como eu já disse em algum lugar: “alguém esperava algo diferente ???”

    Com tanto dinheiro em jogo, uma equipe pequena como a Haas, que precisa de grana pra sobreviver, não ia abrir mão de 40 milhões de dólares, nem mesmo por reserva moral. Isso é Formula 1 gente, e já vimos coisas moralmente iguais ou piores do que um moleque sem vergonha passar a mão nos peitos de uma mulher, sentindo-se um semideus apenas porque o pai é rico, e depois publicar o video.
    Aliás, aqui mesmo no Reino Encantado já vimos tantas vezes os filhos de ricos e poderosos fazerem tanta merda e fiarem impunes (fora do ambiente das corridas).
    Na F1 já vimos batidas propositais (varias) pra modificar resultados, já vimos a burla de regulamentos (motores fora do regulamento, controle de tração escondido, remoção da válvula de enchimento do tanque de combustível, caixa d’água de refrigeração de freios, etc), piloto que (parece) favorecia sexualmente o dono da equipe para ter onde correr, pilotos que tomavam um golinho ou fumavam uma coisinha antes de entrar no carro, “hoje sim/hoje não”, “Fernando is faster than you”, pilotos chantageados e forçados a correr em condições extremamente perigosas (Montejuich 1975, Monte Fuji 1976) ou sob forte coação em Kyalami 1982.
    Enfim, já vimos muitas atitudes amorais na Formula 1, ao longo dos anos, quase todas calcadas no “vil metal”, e veremos outras no futuro, com certeza.
    Então, pra mim, “no surprise at all”.

    Só acho que a FIA poderia ter punido, ou pelo menos advertido o Mazepin de alguma forma. Ou por sanção pecuniária ou por suspensão por 2 corridas.

    Antonio

      • Antonio: fiz uma “varredura mental” no período 1950/2020, e concluí que provavelmente você responderia Hunt e Hesketh, pois não me lembrei de outros nomes.Grato por confirmar a minha suspeita.

        Lembrei também de uma entrevista muito antiga, na Playboy. Ruy Castro entrevistando Emerson Fittipaldi, com uma pergunta seca e bem direta:

        “Existe algum piloto na Fórmula 1 que você desconfia que é homossexual?” Resposta: “Não. Não sei de nenhum caso. Na F-2 tinha um cara que levava jeito”.

  • Se algo parecido tivesse acontecido na época em que o James Hunt “fazia aquilo tudo” com a mulherada, o caso Mazepin nem seria notícia nos anos 70!!! Mas o mundo mudou muito nos últimos 40, 45 anos, e hoje não dá para passar pano na atitude do russo.

    Eu $abia que ele $eria mantido na Haa$, mas estava imaginando que o Mazepin – no mínimo – tomaria a punição de ficar de fora da primeira corrida e seria exigido que ele postasse um video pedindo desculpas, falando que não fará mais isso etc etc etc. Mas… tem sempre o mas, né?

    Em tempo: acho que seria inédito uma punição antes dele estrear, mas depois da aposentadoria do Nico Rosberg, tudo pode acontecer na F-1.

    Sobre o “estilo de pilotagem”: Nicholas Latifi está muito feliz. Mazepin é 10 mil vezes pior que o canadense.

  • Eu vejo sempre com alguma desconfiança querer que F1 ou qualquer outra federação de outro esporte se meta fora das pistas , ou fora da área esportiva .
    Não que será correto ou não , mas que vai ser sempre uma ação hipócrita.
    O que vai fazer algo mudar é a reação das pessoas , faz parte da evolução ou retrocesso ao longo da historia , antigamente fazer papel de segundo piloto era coisa normal , hoje em dia é inaceitável , mas se disfarçar pode !!! É um pouco confuso isso.
    No mais , as mulheres ainda acreditam que seus homens vão em grupos a pescarias no mato grosso .
    Menos!

  • Cadê os outros pilotos?
    Ninguém fala nada?
    Nem aquele famoso do “Black Lives Matter”?
    Curioso, sempre imaginei que “All Lives Matter”. . .
    Já entendi, o protesto dele é seletivo.
    Segue o jogo. . .

    • Tens razão, é seletivo, falar disso não da ibope. Trata-se de mais um marketeiro que se aproveita da desgraça alheia para fazer figura. Lamentável, isso sim.

    • Deixa de ser alianado Zé maria ! cada um cuida da sua vida e Hamilton que já trata de tanta miséria que vai se preocupar com Mazepin fazendo uma surubinha no carro… ? Muito Mi mi mi e falso moralismo…
      2021 tá chegando e vai chupar mais e mais …Lewis hamilton …

      • Alguma coisa aconteceu consigo, Flavio!
        Dose errada do anticonvulsivante talvez?
        Só escreveu groselha. . .
        Quer dizer então que o LH sempre está super ocupado, tratando de tanta miséria?
        Faça-me rir.
        Ou então cite algum caso concreto que corrobore a sua afirmação.
        Falso moralismo meu?
        #falaséério!
        O que eu disse, em bom português, compreensível por qualquer criatura minimamente alfabetizada, está claro e cristalino, só não entende quem não quer.
        Parece ser o seu caso.
        PS: pelo que eu entendi, você disse que ele vai continuar chupando =)

  • Latifi está feliz, com certeza. Apareceu alguém pior do que ele, que, por sinal, vai tomar outro 21×0 do Russell. A menos que o cabeça quadrada quebre na primeira volta do quêum.
    E o Miguel Júnior vai meter 21×0 nesse braço duro molestador. E se dê por satisfeito, porque essa história ficou barata demai$. Se ainda dessem uma corridinha de suspensão dava até pra engolir a passada de pano. Ia descer quadrado. Mas não tava ruim não. Esperar mais que isso seria quase utópico mesmo.
    Além de braço duro é sujo, conforme o Rodrigo citou.
    Poderia ter matado o Drugovich naquele lance da placa de sinalização, se aquela placa fosse de concreto em vez de um isopor maluco qualquer.
    Mas ele vai se revelar. A primeira fechada que ele resolver dar em alguém na F-1 desse jeito ele vai aprender que o buraco é mais embaixo. O povo vai perder o respeito por ele rapidinho, vão sentir saudades do K-Maguinho de Copenhague. Vai tomar um trampaço, um pescotapa e um sermão da montanha no briefing. E periga acumular pontos na carteira nessas palhaçadas e tomar suspensão. O Latifi pelo menos é ruim, mas não bate em ninguém. Pelo menos que eu lembre.

    • Amaral, o cara não é ruim não.
      Pode ser sujo, mas ruim de braço não é não.
      Ganhou 2 corridas, mesmo numero de Mick Schumacher, e Christian Lundgaard, e 1 a menos que Drugovich, Tsunoda e Illot, 2 a menos do que o co-nacional Schwartzman, e 1 a mais do que o companheiro de equipe Luca ghiotto, muito mais experiente. Chegou em quinto no campeonato, bem a frente do companheiro de equipe Ghiotto.
      Acho que em treinos vai dar trabalho pro filho do multitcampeão, em corridas o Mick tem mais cabeça.

  • Minha impressão é de que o pessoal da Haas faz isso não só pela grana que o russo traz, mas também porque após esses anos no grid da categoria máxima, eles tem certeza de que jamais serão a equipe que imaginavam no início da empreitada. A Haas se assume de vez na F1 como uma equipe de fundo de pelotão e “caça-níquel”.

  • Muito exagero com este caso do Mazepin. Prato cheio para a corrente de pensamento medíocre e engajado tão comum hoje em dia. Falsos defensores do que consideram politicamente correto ou daquilo que convém à sua ideologia. Ou a moça acompanhando o panaca e seu amigo era uma inocente dama que estava ali simplesmente de carona?

    Num grid com santos coroinhas como o Hamilton ou simpaticões como o Ricciardo, faz bem um contraponto de personalidades idiotas como o Verstappen e agora o riquinho russo.
    Afinal, além do mundo não ser perfeito, o Drive to Survirve precisa de assunto.

  • Nem a Haas nem nenhuma outra equipe menos rica do grid iria abrir mão dos bilhões de rublos do Mazepin. Até porque o tal abuso sexual que ele cometeu não será nada perto da merdas que ele vai falar e das cagadas que ele vai fazer na pista. Enquanto o suportarem na F1. Parece uma versão piorada do infame Petrov.

  • Não quero fazer apologia ao assédio, muito menos ser misógino, machista, etc, mas se a Haas aceitou seguir em frente com Mazepin é pq não adiantou as mídias levantarem a bandeira de um moralismo forçado e fazerem um escarcéu por conta daquele vídeo imprudente do russo. Foi por dinheiro? Provavelmente, mas certamente calcularam o dinheiro que perderiam com o risco de imagem e concluíram que apesar de condenável, o vídeo não evidenciava nada do que vomitavam os moralistas babacas da internet. Gostei da atitude da Haas. Se der corda a tudo que dizem vão pedir pena de morte pro garoto que fez o que todo garoto já fez um dia, passar dos limites. É o mundo politicamente correto e insuportável dos que nunca pecaram na vida.

Por Rodrigo Mattar

Reclames

Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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