Prego no caixão

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RIO DE JANEIRO – O Brasil era um asterisco no calendário do Campeonato Mundial de Fórmula 1 para 2021.

Não é mais, a partir de hoje.

Dia 16 de dezembro de 2020 marca o fim do devaneio de Deodoro como sede do GP do Brasil. Uma pista que nunca existiu, uma picaretagem sem tamanho, na qual o presidente da república, um governador afastado e um prefeito derrotado ‘acreditaram’.

“Nós não perderemos a Fórmula 1. O contrato vence no ano que vem com São Paulo e eles resolveram retornar a Fórmula 1 para o Rio de Janeiro. Obviamente, ou seria isso ou seria isso a saída do Brasil. […] Noventa e nove por cento de chance, ou mais, de termos a Fórmula 1 a partir de 2021 no Rio de Janeiro”, declarou o presidente.

Aliás, meus parabéns a Bolsonaro: excelente como gestor na pandemia, excelente como médico e excelente em previsões, análises e matemática. Contém (muita) ironia, a propósito.

O acordo finalizado entre Liberty Media e prefeitura de São Paulo, que também contempla a mudança do promotor – entra Alan Adler, ligado ao fundo árabe Mubadala – o que é um indicativo também da mudança do nome oficial do evento de GP do Brasil para GP de São Paulo, é o prego no caixão da turma que um dia empurrou essa picaretagem de Deodoro e Rio de Janeiro como sede do GP do Brasil goela abaixo de muita gente boa.

O bom senso prevaleceu. Interlagos está de pé. O GP do Brasil (agora GP de São Paulo) segue e tem mais. O grupo Disney desistiu das negociações para fazer Fórmula 1 e a Globo deve seguir – com menos provas na TV aberta e mais eventos no canal de TV fechada SporTV, com um novo contrato.

E eu pergunto: que outra emissora tem a expertise da Globo para transmitir F1 no país, hoje? Sem contar que para o departamento comercial, as cotas de patrocínio geram lucro. Então, meus amigos, tudo aponta para um desfecho feliz nas negociações que estão em curso e devem brevemente ser finalizadas.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

25 Comentários

  • (…) Noventa e nove por cento de chance, ou mais, de termos a Fórmula 1 a partir de 2021 no Rio de Janeiro” (…)

    Para que Jair Bolsonaro NÃO seja candidato à reeleição em 2022, uma dessas três coisas teria que acontecer: morte, renúncia ou impeachment. Se não rolar nenhuma das três, espero que os candidatos da oposição se lembrem da mentira – acima – no horário eleitoral e nos debates.

    Espero estar 200% errado, mas pelo andar da carruagem, provavelmente veremos canalhas e picaretas falando em construir autódromo no Rio a partir de 2022 ou 2023, para sediar a 1ª corrida em 2026.

      • Encaro a reeleição do Bolsonaro como uma piada, então vou retribuir com outra piada: acho mais fácil o Nicholas Latifi ser campeão mundial de F-1 – já em 2021 – do que o Bozo ser reeleito em 2022, mas essa é a beleza da democracia: respeito o seu direito de querer reeleger um psicopata, genocida, racista e homofóbico.

      • Jeferson,

        Tirando a “thurma da Lacração”, quais são os processos que o presidente está respondendo sobre racismo e homofobia???

      • O presidente envergonhou a presidência ao garantir em público algo que o público sabia ser falso.

        Foi desmentido, ao vivo e na hora, pelo funcionário bigodudo da Liberty.

        A solução mostra algo que os olhos de muitos parecem não gostar: corrida é uma despesa estatal.

        Essa é a F1: xupim de dinheiro público de qualquer nacionalidade.

      • Sim Walter, vc tem razão, essa história da F1 no Rio foi absurda, basta ler meu outro comentário aqui mesmo…

        Mas daí desejar a morte do presidente???

        Imagina só se falássemos isso do presidiário?!

        Seríamos acusados até mesmo de CRIME!!!

        Mas como é o atual presidente, então pode…

      • André Fonseca:

        É difícil processar o Bolsonaro, pois ele nomeou o Procurador Geral da República justamente para barrar processos contra ele e os três filhos. Mas ontem mesmo ele deu mais um exemplo de homofobia, dizendo dois absurdos: quem tomar a vacina corre o risco de virar jacaré ou, se for homem, afinar a voz.

        Sobre Carlos Bolsonaro: o cara é o único vereador FEDERAL da história da humanidade!!! É vereador pelo Rio, mas trabalha em Brasília!!

      • Jeferson,

        Então quer dizer que, se o povo fala tá tudo bem, mas quando é ESSE presidente, é homofobia?!

        Por favor né, aí não dá. O presidiário falou do GRELO DURO das mulheres da quadrilha dele e foi tudo bem, agora com ESSE presidente tudo é motivo.

        Sobre os filhos dele, aí não tenho como discordar de vc, esses são o “calcanhar de Aquiles” do Bolsonaro!!!

      • “Qual crime”???

        Maior escândalo de CORRUPÇÃO da História da Humanidade!!!

        PETROLÃO!!!

        Sobre os crimes do Bolsonaro, quais são, pode colocar aqui!?

        Ele fala muita merda, parece ser mal assessorado (na minha visão, isso é tática, essa verborragia é na medida pra sempre falarem dele), mas crime!?

        Já sobre os filhos, concordo com vc, esse será o “calcanhar de Aquiles” do presidente.

        Mas vc já pensou se essa mesma patrulha tivesse ativa nos tempos dos filhos do Lula!?

      • Quais são os crimes do Bolsonaro?

        Para de passar pano pra genocida, André.

        CENTO E NOVENTA E UM MIL SEISCENTOS E QUARENTA E UM BRASILEIROS MORTOS na Pandemia!

        E seu argumento é “Petrolão”?

        Cara, a corrupção é ENDÊMICA nessa terra, desde que a Família Real de Portugal chegou aqui em 1808. Não me venha com essa de que só o PT roubou ou que o PT foi o maior câncer desse país, porque comigo esse papo não cola. O roubo é descarado e discriminado há dois séculos.

        Mas se você acha que ‘a culpa é do PeTê” e aplaude um assassino, você está no lugar, na hora e no momento errados.

        Me poupe!

      • Mattar,

        Sim, a corrupção é endêmica do Brasil, mas ficou INSTITUCIONALIZADA pelo PT!!!

        Por mais que todos tenham roubado, nenhum antes e certeza, depois também, fará o que o PT fez nos anos que esteve a frente do Brasil.

        As somas são absurdas, e “a alma mais inocente desse país” já está condenado, é culpado, só está livre pq o STF manobrou.

        Sobre Bolsonaro, não passo pano não, não sou defensor dele, e para isso basta acompanhar meu comentários aqui no seu Blog, mas dizer que ele é racista e homofóbico não dá. “Genocida” então, por conta da Pandemia chega a ser pueril. Todos presidentes e demais chefes de estados atuais deveriam ser chamado de Genocidas também, mas a “thurma” só bate no Bolsonaro e no Trump. Macron, Macri e outros parecem ser esquecidos, e também estão vendo seu compatriotas morrerem devido ao Covid.

        A “verborragia” do Bolsonaro é fato, várias vezes parece que ele está em outra realidade, o que pra mim como dito várias e várias vezes no seu Blog é de propósito, para causar assunto. Seus filhos então, esses sim parecem ser o ponto fraco do presidente, onde ele faria / faz / fará de tudo para defende-los, e se vc pegar esse contexto, estamos juntos e vamos criticar fortemente, pois em determinados momentos o presidente que esquece de é presidente e se preocupa mais com a “famílica”. Mas cara, “racista, homofóbico e genocida” não tem como.

      • ‘mas dizer que ele é racista e homofóbico não dá. “Genocida” então, por conta da Pandemia chega a ser pueril.’

        O seu comentário é pueril. Vamos então chamá-lo do que? De um excelente governante? De um grande presidente? De um homem honrado?

        Não dá.

      • Pode chamar do que quiser, principalmente de FALASTRÃO e mal assessorado, embora pra mim seja de propósito.

        Mas racista, homofóbico e genocida, sem chances…

      • Perda de tempo discutir com você.

        Na hora que um parente seu ou conhecido morrer de Covid, lembre-se do que está dizendo, de que ele é só falastrão e mal-assessorado.

      • Mas Mattar, se todos os países do mundo estão no mesmo barco, se todos os povos estão sofrendo com essa doença, pq apenas tachar o presidente do Brasil de genocida!?

        Fosse uma epidemia exclusiva do Brasil, concordaria totalmente com vc, mas é um problema mundial!!!

  • Fala Mattar,

    Eram duas certeza: que Deodoro não existiria e que Interlagos não ficaria fora.

    Deodoro, por motivos óbvios, falácias e mais falácias de todos os envolvidos. Sobre o Presidente, são aquelas duas máximas já conhecidas: falem bem ou falem mal, mas falem de mim e toda propaganda é uma propaganda, mesmo que seja negativa. Não é possível que, por mais que o Presidente seja idiota (não tem outra definição), não exista ninguém na assessoria presidencial que sabia um pouco sobre F1, Interlagos e afins…

    Pra mim, foi pra causar e ficar na mídia.

    Sobre Interlagos, foi o que falei em outros posts seu aqui no blog: iriam chegar ao acordo que foi anunciado aqui, um queria 100, outro queria 50, chegaram nos 75, fica bom pra todo mundo. Os pilotos gostam da pista e é a maior audiência da F1 mundial em TV aberta (se não me engano a única que era exibida em TV aberta, certo?), não tinha como ficar de fora…

    Já sobre ter outro canal com expertise para transmitir, até existiria uma EQUIPE MAIS DO QUE QUALIFICADA para isso, mas a thurma do Mickey acabou com tudo!!!

  • A vantagem do expertise da Globo para a F1 se resume ao lado comercial, pois a única vantagem que entrega é não interromper a transmissão da corrida com intervalos comerciais, como acontece em vários países, e é só.
    Para você é muito complicado discutir a competência dos colegas de profissão, mas ultimamente parece que a RGT quer torturar os apreciadores de corridas do Brasil, escalando para a F1 o mais incompetente dos narradores disponíveis (para corridas) em seu cast, estou falando daquele nº2, cada dia pior, isso quando finalmente possui um profissional adequado, o Everaldo Marques.
    Pelo menos em 2020 ficamos livres do Papagaio Esquizofrênico, o nº1.
    Quanto aos comentaristas, considero satisfatória a participação do ex-piloto de F1 e do ex-piloto de F-Indy, apesar do empobrecimento que a saída do Reginaldo Leme representa.
    Nas transmissões do Sportv, o narrador gente boa e perdidão deixa um pouco a desejar, e o Novo Papagaio comentarista é insuportável, quase não deixa o outro falar…
    A interrupção da transmissão logo após a bandeirada é uma sacanagem, só não dá para reclamar mais porque é TV aberta e grátis…

    • Bela análise. Gostaria apenas de acrescentar que você esqueceu de mencionar o narrador nº 3 – Luís Roberto – que adora GRITAR MUITO durante duas horas. O problema com os narradores ruins da Globo é muito fácil de ser resolvido: se não for o Everaldo Marques, cuja narração merece nota 10 com louvor, eu simplesmente coloco o volume da TV no zero e ligo o rádio na Band News FM,que começa a transmitir 30 minutos antes da largada. Teve uma corrida esse ano, não lembro mais qual, que o Verstappen rodou antes da volta de apresentação, e a Band News informou isso ao vivo, 25 minutos antes da Globo!

      O fato da Globo não mostrar o pódio é uma coisa tão absurda que nem vou comentar.

  • Por fim, como ja mencionado no post, prevaleceu o bom senso.
    E, cá entre nós…é muita inocência acreditar que um autódromo seria construído em tempo recorde e ainda com dinheiro totalmente oriundo da iniciativa privada. Só num país onde alguns que não precisamos de vacina (pois temos a cloroquina) uma presepada dessas foi levada a sério.

  • Rodrigo, tenho uma dúvida que talvez você possa me ajudar a entender. Por que faz tanta diferença assim sair da Globo e ir para o SBT na questão de audiência da F1? Como as imagens seriam as mesmas nos dois canais, pois quem gera o sinal do evento é a própria F1, a qualidade das imagens é a mesma em qualquer canal.
    Teoricamente o público que vê F1 na Globo migraria para o SBT ou seja qual for o canal na TV aberta. A grande vantagem que a Globo teria para os patrocinadores seria a inserção de anuncio nas chamadas que rolam antes no Jornal Nacional, Fantástico e demais programas? Esses programas tem maior audiência, portanto geraria maior audiência para os patrocinadores. Ou somente o fato de passar a corrida na Globo dá um maior valor agregado ao anunciante, pois é a maior emissora do Brasil.

Por Rodrigo Mattar

Reclames

Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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