Adrián Campos (1960-2021)

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Adrián Campos (1960-2021) em ação na temporada de 1987 com a Minardi Motori Moderni. O espanhol teve pouco sucesso como piloto de Fórmula 1

RIO DE JANEIRO – A quarta-feira chegou ao fim no território europeu com uma notícia triste. Morreu o antigo piloto e dono de equipe Adrián Campos, aos 60 anos. Ele foi vítima de um aneurisma da artéria aorta.

Espanhol de Alcira, na província de Valência, Adrián chegou à categoria máxima com os dólares de seus apoiadores que cacifaram um assento na Minardi, dividindo equipe em 1987 com Alessandro Nannini. Seu currículo na Fórmula 3000, que estava apinhada de pilotos no ano anterior era não menos que modesto. Na Fórmula 3, onde passara em 1985, foi 3º colocado do Campeonato Alemão. Fez provas também de Grupo C com um Porsche da John Fitzpatrick Racing.

Depois de um teste pela Tyrrell, assinou com a escuderia de Giancarlo para guiar o M187 Motori Moderni do time de Faenza. Em 21 corridas que tentou tomar parte, classificou-se em dezessete. Logo na estréia em Jacarepaguá, no GP do Brasil, levou bandeira preta por desrespeitar os procedimentos de largada. Não disputaria também o GP de Mônaco em decorrência de um acidente durante as sessões de treinos.

Em seu primeiro ano, colecionou abandonos e só terminou o GP da Espanha, na 14ª colocação. Contudo, apesar do cartel não muito positivo, Minardi o manteve na equipe em 1988 e trouxe outro espanhol, Luis Pérez-Sala.

E aí Campos não conseguiu manter o nível do colega de time. Com mais carros inscritos – eram 31 a cada fim de semana – Adrián classificou-se no Brasil e em San Marino, onde se arrastou para chegar em 16º. Depois, falhou a qualificação nos eventos seguintes e após o GP do México, Minardi o dispensou e trouxe de volta Pierluigi Martini.

A Fórmula 1 ficou para trás – como piloto. Campos foi para categorias mais periféricas de Turismo e até disputou as 24h de Le Mans com uma Ferrari 333 SP Esporte-Protótipo da equipe de Michel Ferté (Pilot Racing), ao lado do próprio e do estadunidense Charles Nearburg. Abandonaram na 3ª hora por alegados problemas de falta de combustível.

Depois, também a carreira de piloto foi deixada de lado e Adrián emplacou como gestor de equipes em categorias de base, começando no Open Fortuna Nissan, o embrião da Telefônica World Series e, posteriormente, World Series by Renault e Fórmula V8 3.5 – passando aí à GP2 Series, onde inclusive teve entre seus pilotos o brasileiro Lucas Di Grassi. Revelou pilotos como Matteo Bobbi, Antonio Garcia, Marc Gené e… Fernando Alonso, de quem seria empresário antes de Dom Cor… ops! Flavio Briatore.

Campos tentara sem sucesso liderar o projeto da Bravo F1 em 1992 e foi com surpresa que o mundo inteiro soube que para 2010 ele teria uma equipe na categoria máxima, que seria a Campos Meta 1.

Escolhido de forma polêmica por Max Mosley para ingressar na Fórmula 1 como dono de uma estrutura junto à natimorta USF1, além de Tony Fernandes com a Lotus Malaia (depois Caterham) e Richard Branson com a Virgin (depois Marussia, Marussia Manor e por fim, Manor), ele foi vítima da grave crise financeira que se abateu sobre a Espanha, quando mais precisava de patrocinadores que bancassem o projeto – e já tinha inclusive garantido Bruno Senna como um de seus pilotos.

Um de seus homens de confiança, inclusive, era Alejandro Agag, o futuro CEO da Fórmula E e amigo pessoal de Adrián, de quem herdou a estrutura da Campos – chamada então de Addax na GP2.

Um dos últimos registros: Campos e Ralph Boschung, confirmado para a temporada 2021 da Fórmula 2. Com a morte do fundador, não se sabe se a equipe prosseguirá sua campanha no automobilismo…

Com a equipe vendida a José Ramón Carabante e transmutada em Hispania (que só existiria até o fim do campeonato de 2012), Campos voltou às categorias de base. Esteve na falecida AutoGP World Series, na GP3 – hoje Fórmula 3 da FIA e regressou para a GP2, agora chamada de Fórmula 2. No último campeonato, teve o brasileiro Guilherme Samaia – que não pontuou em qualquer etapa – e Jack Aitken, que foi 14º colocado com 48 pontos e dois pódios.

Para 2021, confirmara o suíço Ralph Boschung, de 23 anos, que já passara pela escuderia há quatro temporadas atrás.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

1 Comentário

  • Essa notícia entristeceu meu final do dia de ontem.
    Ele pode ter sido um piloto de F-1 inexpressivo. Mas, sem dúvida, deixou seu legado na história do automobilismo.
    Tomara que a equipe continue. E se possível mantenha o nome como homenagem. Mas pode dispensar o Samaia. Foi a piada do ano passado.

Por Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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