Rally Dakar 2021, dia #12

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RIO DE JANEIRO – Terminou nesta sexta o 43º Rally Dakar, não sem antes termos conhecimento de uma triste notícia: a morte do piloto francês de Motocicletas Pierre Cherpin, de 52 anos.

Inscrito com o dorsal #111 e participante da categoria Original by Motul, ele caiu durante a sétima etapa no domingo (10), primeira perna da Maratona, entre Ha’il e Sakaka. O acidente se deu no km 178 da especial por volta de 13h locais (5h da manhã de Brasília). Os médicos já o encontraram inconsciente – ele fora vítima de um trauma severo no crânio. Evacuado de Sakaka, onde foi operado de urgência, o francês foi primeiro transportado a Jeddah para ser mantido em coma induzido e seu quadro grave se estabilizasse, até que em seguida fosse para Lille.

Não foi possível, entretanto, que Cherpin se recuperasse e o participante que disputava seu quarto Dakar torna-se a 31ª vítima entre os competidores, 75ª da história – e terceira na Arábia num espaço pouco superior a um ano: dia 12 do ano passado, morreu o popular piloto português Paulo Gonçalves em Wadi Ad-Dawasir. Doze dias depois, com o Dakar encerrado, faleceu o piloto holandês Edwin Straver, que fora vítima de um grave acidente.

Enlutado, o Dakar chegou à etapa final de Yanbu a Jeddah com um percurso 25 km mais curto e com bastante dunas, o que dificultou a navegação e reduziu a zero as chances de Sam Sunderland de reverter a vantagem do argentino Kevin Benavides: o saltense de 32 anos entrou para a história – tendo feito aniversário no último dia 9, o piloto da Honda é o primeiro sul-americano em quatro décadas a triunfar no evento e apenas o terceiro não-europeu. Além dele, ganharam o australiano Toby Price e o então campeão Ricky Brabec, agora vice.

Para a Honda, foi uma vitória redentora: um segundo triunfo seguido sobre a então dominante KTM com as motos de 450cc quatro tempos e a primeira dobradinha do construtor japonês em 34 anos. A última fora com Cyril Neveu e Edy Orioli.

Na classificação final, além da batalha Honda-KTM, restou o ótimo sexto lugar da Sherco de Lorenzo Santolino, a Husqvarna de Pablo Quintanilla no top 10 e uma Hero, com Joaquim Rodrigues, em 11º lugar. A Yamaha viveu mais um Dakar infernal: a moto de Adrien Van Beveren, último piloto oficial restante, quebrou no trecho final de competição.

A Original by Motul foi ganha pelo lituano Arunas Gelazninkas, seguido do romeno Emanuel Gyenes e por Benjamin Melot, da França. A espanhola Laia Sanz chegou em seu 11º Dakar seguido como a melhor piloto feminina, seguida por Sara Garcia e Audrey Rossat.

Daniel Sanders, da Austrália, foi disparado o melhor novato em duas rodas, com a 4ª colocação, vários postos à frente do espanhol Toscha Schareina. Três rookies figuraram no top 20 final, com Rui Gonçalves em décimo-nono.

Nos Quadriciclos, festa argentina – pela sétima vez – e latina, com 100% de pilotos sul-americanos no pódio. Deu Mariano Andújar de forma inédita, com Italo Pedemonte vice e Pablo Copetti, correndo com licença dos EUA (ele é argentino) em terceiro. Apenas onze competidores terminaram – 16 largaram dia 3 em Jeddah.

Stéphane Peterhansel, aos 55 anos, teve como aliada a regularidade, uma ótima performance de seu buggy Mini John Cooper Works e, além disso, uma excelente navegação por parte de seu compatriota Édouard Boulanger, possivelmente o maior responsável pela 14ª conquista do “Monsieur Dakar”, que ampliou seu recorde de títulos e de triunfos em especiais – 81.

Nasser Al-Attiyah/Matthieu Baumel e Carlos Sainz/Lucas Cruz repetiram, com Sainz em inverso em relação ao companheiro de equipe, o top 3 do ano passado. Excelente prestação de Kuba Przygonski com um Toyota Hilux e o buggy BRX preparado pela Prodrive deu a Nani Roma um razoável 5º lugar.

Os Peugeot 3008 DKR, inscritos de forma não-oficial, ainda dão caldo: foram 7º e 10º com Khalid Al Qassimi e Cyril Despres, que avançou na segunda semana de prova. E os brasileiros cumpriram o objetivo de terminar o evento, com Guiga Spinelli/Youssef Haddad em 17º na geral – em meio a um mar de pilotos chineses – e Marcelo Gastaldi debutando com o 29º posto ao repartir um Buggy Century com a lenda Lourival Roldan.

Chaleco López/Juan Pablo Latrach chegaram à segunda vitória em três anos nos UTVs (misturados com alguns buggies, viraram a categoria dos ‘veículos leves’) e ao terceiro pódio seguido, batendo Austin Jones e o brasileiro Gustavo Gugelmin, que ficaram com o vice. Reinaldo Varela/Maykel Justo fecharam num bom 5º lugar, numa competição de altos e baixos da dupla brasileira.

Por fim, nos Caminhões deu Kamaz pela 18ª vez na história e um novo piloto russo é campeão da categoria: aos 35 anos, Dmitry Sotnikov finalmente chegou lá no topo do pódio, seguido por Anton Shibalov e Ayrat Mardeev numa surra dos camaradas no Iveco de Martin Macik – que venceu três especiais e foi quarto – e no caminhão Praga de Ales Loprais.

E este que vos escreve, com o canal A Mil Por Hora conquistando pouco em pouco um espacinho no YouTube, ficou feliz em poder oferecer um material diferente do que a emissora oficial do evento no Brasil. Sim, as imagens foram as mesmas – mas houve qualidade (não se esqueçam que era eu que comentava de 2014 até o ano passado a maioria dos boletins) e informação o tempo todo. E eram boletins ao vivo, exibidos cedo e, felizmente, disponíveis no canal e aqui no blog, pra quem quiser ver e rever.

Asseguro: não vai ficar só nisso.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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