Chris Craft, 81

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A bordo do De Cadenet Lola nas 24h de Le Mans de 1978: Chris Craft morreu sábado aos 81 anos. O piloto foi 3º na geral em 1976 na clássica prova francesa, onde ele e Alain De Cadenet sobreviveram à disputa com um único jogo de pneus (Foto: Reprodução Auto Hebdo)

RIO DE JANEIRO – Morreu sábado, dia 20, o britânico Chris Craft, aos 81 anos. Nascido em 17 de setembro de 1939 em Porthleven, na região da Cornualha, ele chegou a disputar uma prova de Fórmula 1 nos anos 1970, sem muito sucesso.

Já com 32 anos, o piloto foi inscrito pela Ecurie Evergreen para duas corridas. Com o velho Brabham BT33 de chassis #2 com que “Black” Jack Brabham venceu o GP da África do Sul de 1970, o último da carreira, Craft tentou classificação no GP do Canadá em Mosport, mas o motor quebrou. Fez então no GP dos EUA, em Watkins Glen, sua única corrida na categoria máxima. Largou em 27º entre vinte e nove pilotos e desistiu por quebra de suspensão, completando 30 voltas.

Retardatário durante a disputa, Craft ficou durante 20 passagens no meio de uma batalha entre Denny Hulme (McLaren) e Ronnie Peterson (March), até abandonar. Em 2005, numa entrevista, justificou sua desistência.

“O carro rachou em dois!”, exclamou Craft. “(Ron) Tauranac (N. do blog: dono da Brabham na temporada de 1971), repreendeu-me por desistir”, disse.

“Eu venho dos Esporte-Protótipos, onde a gente não sai do cockpit até que o carro atinja o solo”, argumentou Craft. “Não é assim que funcionam as coisas na Fórmula 1”, retrucou Tauranac.

“Acho que no fim das contas não nos demos muito bem”, finalizou Chris.

Craft teria mais sucesso mesmo com os carros esportivos. Participou em 14 oportunidades entre os anos de 1971 e 1984 das 24h de Le Mans, a maior prova de resistência da galáxia. Logo na estreia, foi 4º colocado geral em dupla com David Weir, numa Ferrari 512 M alinhada pela escuderia de David Piper.

Seu principal parceiro foi, no entanto, o também britânico Alain De Cadenet, com quem disputou sete vezes a corrida em La Sarthe. Em duas delas, fechou no top 5 e o melhor resultado de Chris em Le Mans foi um 3º lugar absoluto em 1976, atrás do Porsche de Jacky Ickx/Gijs Van Lennep e do Mirage GR8 de Jean-Louis Lafosse/François Migault.

Com um De Cadenet Lola T380 LM dotado de motor Ford Cosworth V8 e inscrito com o dorsal #12, eles conseguiram uma façanha. Fizeram a corrida inteira com o mesmo jogo de pneus, evitando trocas por furos e alcançando 4.603 km percorridos sem apresentar nenhum tipo de desgaste extra. Inacreditável!

Craft também correu em Le Mans com o baterista do Pink Floyd Nick Mason (na edição de 1983, com o protótipo Dome RC82/83), além de outros pilotos como John Nicholson, Gordon Spice, Tony Trimmer, Bob Evans, Eliseo Salazar e Allan Grice.

Chris teve sucesso também no Campeonato Europeu de Esporte Protótipos 2 litros: venceu a temporada de 1973 derrotando Gérard Larrousse a bordo de um Lola T292, alcançando duas vitórias e dois segundos lugares. Também obteve bons resultados no BTCC a bordo de modelos Ford Capri e na Fórmula 5000.

#RIP

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Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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