Fuga para o título?

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Race winner Max Verstappen (NLD) Red Bull Racing celebrates on the podium.
04.07.2021. Formula 1 World Championship, Rd 9, Austrian Grand Prix, Spielberg, Austria, Race Day.
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SÃO PAULO – Na primeira vez em toda a carreira de 128 GPs disputados em que alcança um “Grand Chelem” – pole position, vitória de ponta a ponta e recorde de volta em corrida, o holandês Max Verstappen pode ter dado nesse domingo o passo decisivo para a conquista de um título inédito no Mundial de Pilotos de Fórmula 1.

Que a Red Bull vem demonstrando superioridade em relação à Mercedes isso é noto´rio. Os rubrotaurinos emplacaram uma sequência de cinco vitórias, algo que não acontecia desde a temporada 2013 – quando Sebastian Vettel alcançou incríveis nove triunfos seguidos, no primeiro predomínio da equipe chefiada por Christian Horner na categoria.

Pro meu gosto, embora estivesse entretido com as obrigações pré-GP de Mid-Ohio da Fórmula Indy, achei a corrida desse domingo bem melhor e bem mais interessante que o enfadonho GP da Estíria. A dinâmica da corrida ajudou e é bem possível que a decisão da Pirelli em pôr gamas diferentes de pneus para as duas provas na mesma pista tenha sido um fator preponderante para que uma etapa fosse melhor que a outra.

E houve outros componentes, como as polêmicas envolvendo Lando Norris e Sergio Pérez, ambos punidos por conta de ‘excessos’ em disputas com seus adversários – aliás, uma punição aplicada ao piloto da McLaren foi justamente por conta de um entrevero com o mexicano da Red Bull.

Fico aqui pensando se essa mentalidade da FIA caberia numa categoria como a Indy, por exemplo. Não sei se Michael Masi, o novo diretor de provas, sucessor de Charlie Whiting, teria condições de trabalhar nos EUA. Acho que Jean Todt e seus blue caps cometem vários excessos e essa história de track limits ou de espremer o piloto além do traçado às vezes e quase sempre beira o exagero.

Mas voltemos à corrida: ganhando pela quarta vez nas últimas cinco etapas, quinta em nove disputadas, Verstappen abriu mais do que um GP de vantagem sobre Lewis Hamilton, o que ´é crucial. Com 32 pontos de frente, é evidente que o holandês não pode dormir e a próxima corrida é justamente na casa de LH – que está doido para dar uma satisfação ao seu público.

O detalhe é que a Mercedes parece não ter mais poder de reação. Pelo menos, é a impressão que fica neste momento. Que o W12 chegou ao seu limite e nem Hamilton e muito menos Bottas têm possibilidade de tirar importantes pontos do líder do campeonato. Mas as coisas dentro das fábricas podem acontecer de uma forma tão frenética depois do GP da Hungria, que só mesmo esperando pela segunda metade do campeonato para poder saber o que vem pela frente – sim, eu sei que as fábricas fecham nas férias de verão, mas… vai que, né?

E Lando Norris? Que piloto excepcional. Terceiro pódio na temporada, primeira fila e, longe de mim julgá-lo, mas eu não o puniria pela disputa com Pérez. Automobilismo é assim: pode mais quem chora menos. E o britânico, além da pilotagem acima da média em 2021, parece muito à vontade e não se importa com a presença de Daniel Ricciardo dividindo com ele a garagem. Aliás, Lando estapeia o australiano – que, justiça seja feita, fez uma boa corrida nesse domingo – sem dó nem piedade.

Também é digno de registro o bom 5º posto do espanhol Carlos Sainz e a renhida luta final pelo último ponto do dia, com Fernando Alonso dando tudo de si e um pouquinho mais para ganhar a décima posição de George Russell. Acho que todo mundo ficou triste porque, após o melhor grid do ano, o piloto da Williams novamente bateu na trave. Mas não há como não dizer que foi uma disputa muito legal de assistir – e o próprio Alonso reconheceu isso. No Parque Fechado, o piloto da Alpine desceu de seu A521 e se dirigiu em direção ao rival, dando-lhe um longo e caloroso abraço, como que agradecendo pela disputa limpa e correta.

E é legal ver Alonso, à beira dos 40 anos, dando o sangue por pontos. Como também é muito bom ver um piloto de 23 mostrando que tem talento e infelizmente as oportunidades não lhe sorriem. Mas o dia de Russell há de chegar. A garotada da Fórmula 1 é talentosa e está vindo com os dois pés na porta para destronar a ‘velha guarda’ formada por Räikkönen, Alonso, Vettel e Hamilton.

Parece que é com Verstappen que a história vai começar a ser reescrita…

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

3 Comentários

  • O GP da Áustria mostrou que pode vir aí uma nova geração de pilotos muito boa. Verstappen já é hours-concours, mas Norris e Russell estão indo pra cima, botando os veteranos pra comer poeira.

    Sobre a disputa pelo título, Hamilton, certamente, terá alguma carta na manga do macacão, e vai saber jogar na hora certa. Acredito que Hungaroring será onde a chave da Mercedes vai virar, e aí, meu amigo, inglês e holandês, austríacos e alemães, vão brigar pelo título de piloto e construtores.

  • Caro Mattar,
    Sem dúvida estamos diante de uma geração de novos pilotos muito, muito bons.
    Infelizmente alguns deles não chegarão onde merecem, porque o automobilismo é cruel, mas certamente ficarão para a história, como ficaram Gilles Villeneuve, Ronnie Peterson, Stirling Moss e tantos outros fantásticos pilotos sem títulos.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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