Nino Vaccarella, “Il Preside Volante”

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RIO DE JANEIRO  – Abro tardiamente o Twitter e me deparo com uma mensagem de Mario Andretti, o campeão supremo das pistas, falando da morte de Nino Vaccarella. Pois é: “Il Preside Volante”, “The Flying Principal” ou, em bom português, “O Reitor Veloz”, morreu aos 88 anos e a not´cia de sua passagem veio nesta quinta-feira, 23 de setembro.

Nascido em 1933 na cidade italiana de Palermo, na Sicília – a mesma onde morreu – Nino foi um piloto de curta passagem pela Fórmula 1. Foi inscrito em cinco GPs oficiais e só correu em quatro, entre os anos de 1961/62 e também em 1965, defendendo equipes não-oficiais como a Serenissima e a SSS Republica di Venezia, com modelos De Tomaso, Porsche e Lotus – com um chassis 24 de motor Climax foi 9º colocado no GP da Itália de 1962 e chegou em 12º na mesma prova três anos mais tarde, com uma Ferrari.

Nos carros esportivos, “Il Preside Volante” foi um craque. Disputou onze edições das 24h de Le Mans entre 1961 e 1972, ausentando-se somente em 1963. Ganhou em 1964 na dupla com Jean Guichet a bordo da Ferrari 275 P. Foi quarto absoluto em 1972 na dupla com Andrea de Adamich a bordo de uma Alfa Romeo da Autodelta e quinto em 1969, com a Matra-Simca partilhada novamente com Guichet. E ainda venceria na subclasse Protótipo até 5 litros em 1965, chegando em 7º geral com a 365 P2 Spyder que dividiu com o mexicano Pedro Rodriguez.

Além disso, dava show no circuito “Delle Madonie”, como era conhecida a variante de 72 km da Targa Florio. Em casa, ganhou três edições da corrida de estrada, nos anos de 1965, com Ferrari, 1971 e 1975 – estes dois últimos pela Autodelta, com protótipos Alfa Romeo. Venceria também as 12h de Sebring de 1970, com a Ferrari 512 S que contou com os préstimos de Ignazio Giunti e também de Mario Andretti. Foi também vitorioso nos 1000 km de Nürburgring ao lado de Lodovico Scarfiotti e disputou duas edições das 24h de Daytona, sendo quarto colocado geral em 1968, junto a Udo Schütz.

Além de um excelente piloto em provas longas, Vaccarella conciliava as atividades de pista com as de educação: ele era Reitor do Instituto Oriani, de propriedade da família. Quando ganhou em Le Mans, há 57 anos, não pôde comemorar como gostaria. Teve que voltar logo para a Sicília: o Instituto Oriani esperava por ele.

#RIP Godspeed.

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Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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