24h de Le Mans: comparativo pós-corrida

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RIO DE JANEIRO – Para tentar ilustrar como foi mais esta edição das 24h de Le Mans, o blog A Mil Por Hora contempla este post com uma comparação de dados entre os pilotos de cada uma das quatro categorias presentes à competição no último fim de semana. Serve para entender porque algumas equipes tiveram vantagem clara sobre outras, bem como diferenciar nas subclasses Pro-Am o ritmo dos profissionais em relação aos diletantes.

Vamos começar pela Hypercar.

É covardia comparar os tempos dos pilotos Toyota com os demais – principalmente com os da Alpine, penalizados por um BoP que tirou potência e performance do carro que, não obstante as dificuldades, teve muitos problemas ao longo da disputa.

Autor da volta mais rápida da prova com 3’27″769, o argentino Pechito López foi também melhor do que os demais colegas de equipe na média dos 20 giros mais rápidos, superando o sempre rápido Kamui Kobayashi. No #8, Brendon Hartley confirmou através dos números que foi o melhor piloto do carro vencedor da disputa.

Na Glickenhaus, Olivier Pla espantou com uma volta apenas 0″003 acima do melhor tempo de Kobayashi, mas faltou constância na média das melhores voltas – o veterano Westbrook, do alto dos seus 46 anos, foi na média 0″4 melhor que Ryan Briscoe e Romain Dumas esteve ligeiramente acima de Pla e do brasileiro Pipo Derani em performance – talvez o trio mais coeso de todos.

A Alpine sofreu: a melhor volta foi 3’30″030, mais de dois segundos mais lenta e na média do top 20 de melhores voltas, Vaxivière foi 2″543 mais lento que López e o brasileiro André Negrão pouco pôde fazer – a melhor volta dele foi 3’30″715 e a média de 20 giros mais velozes ficou em 3’32″615.

Pla foi o piloto que mais voltas percorreu a bordo entre os 15 inscritos da Hypercar – foram 165 giros no total, equivalente a 44,6% do total percorrido pelo #708 da Glickenhaus. Curioso: entre os Toyota, Hartley e López foram os pilotos mais ativos na pista – 140 voltas para cada um.

LMP2

Não fosse por dois fatores – a limitação de potência por conta dos Hypercars e a ausência de pneus macios da Goodyear, fora o desgaste, e o delta da LMP2 poderia ter caído para quase meio segundo em relação às estatísticas aqui acima, precisamente 0″487.

A vinda de última hora do holandês Nyck de Vries foi um adicional e tanto para a TDS Racing x Vaillante, com o campeão da Fórmula E sendo o mais veloz na média de 20 voltas, em 3’32″803, com Patrick Pilet e Ferdinand Von Habsburg mostrando insuspeitas capacidades de rapidez a bordo de seus carros. Norman Nato foi o autor do giro mais rápido da classe – 3’30″918 – mas foi menos constante que o austríaco da RealTeam by WRT.

Na equipe vencedora, para espanto de ninguém, Antonio Félix da Costa ditou o ritmo com a tocada mais rápida. Surpresa foi na Prema, onde Robert Kubica e Lorenzo Colombo foram superiores a Louis Déletraz.

Felipe Nasr estabeleceu-se como referência na Penske – top 20 de melhores voltas na média de 3’33″696 e giro mais veloz em 3’32″464, embora Dane Cameron tenha feito a melhor passagem do #5 na disputa, com 3’31″910. Contudo, Emmanuel Collard, apesar de toda a experiência, deixou a desejar no quesito velocidade. A melhor volta do veterano francês foi 3’34″801 – pouco mais de dois segundos e nove décimos acima de Cameron. O top 20 de melhores voltas de Manu foi 3’36″163, melhor somente que outros oito pilotos de graduação prata na disputa.

Além da melhor volta do carro #43 em 3’33″137, Pietro Fittipaldi ‘cravou’ Fabio Scherer na média das 20 voltas mais rápidas. O brasileiro teve 3’34″718 contra 3’35″125 do helvético. O piloto prata David Heinemeier-Hänsson andou bem: médias de 3’36″156 e melhor volta em 3’34″287.

Em matéria de velocidade, há que se destacar a alemã Sophia Flörsch, uma das mais velozes entre os pilotos de graduação prata – na volta mais rápida em prova, ela só perdeu para Reshad de Gerus e o melhor top 20 desta classe de participantes foi de Bent Viscaal, muito rápido com o #44 da ARC Bratislava.

Dos bronze, Alexandre Cougnaud foi quem estabeleceu a melhor passagem – 3’36″618 e o melhor top 20 de voltas rápidas – 3’37″837 na média. David Droux foi dos 81 inscritos o que mais andou – 157 voltas, dentre as 344 do #39 da Graff Racing – correspondentes a 45,63% do total percorrido pelo carro na disputa.

LMGTE-PRO

Com 3’48″356, Kévin Estre pode até ter sido o piloto mais rápido numa única volta, mas quem se estabeleceu como sinônimo de rapidez na LMGTE-PRO foi Laurens Vanthoor, com andamento médio em 3’49″711, 0″030 melhor do que a surpresa Alexander Sims, o mais rápido dos pilotos do #64 do Corvette abalroado pelo protótipo da AF Corse na manhã da corrida.

Outro destaque é a superioridade de condução de Fred Makowiecki entre os pilotos do Porsche vencedor e, incrivelmente, Felipe Fraga como o melhor piloto Ferrari do plantel, apesar do equipamento parecer não ajudar: o brasileiro fez a melhor volta em 3’49″391 e seu top 20 de melhores voltas foi 3’50″705, praticamente um décimo acima de Ale Pier Guidi – porém, superior em mais de oito décimos ao britânico Sam Bird e um segundo inteiro melhor que o neozelandês Shane Van Gisbergen. Uau!

Em ritmo de prova no top 20 de giros rápidos, Daniel Serra perdeu por apenas 0″145 para Pier Guidi e 0″095 para James Calado. A melhor volta do brasileiro foi somente 0″004 acima que a do britânico e APG, em ritmo de prova, foi superior em seis décimos no giro mais rápido.

Makowiecki, que após 12 tentativas levou sua primeira 24h de Le Mans, foi o que mais voltas percorreu – 131, 37,42% do total de 350 voltas do Porsche vencedor. Porém, percentualmente, Fraga andou mais – 37,46%, posto que completou 130 giros dos 347 do carro #74.

LMGTE-AM

Na classe mais numerosa de competidores em Grã-Turismo, Julien Andlauer foi o melhor em velocidade pura – quatro décimos superior que qualquer outro e um dos dois únicos a rodar abaixo de 3’51” em ritmo de prova, mas no top 20 de média, o francês da Weathertech Racing bateu por pouco o britânico Ben Barker – por apenas três milésimos de segundo!

Esse ranking também mostra como os Porsches eram melhores: os 13 primeiros do top 20 de médias guiaram os carros do construtor alemão, vindo na sequência Nick Cassidy com Ferrari e o surpreendente português Henrique Chaves, da Aston Martin que venceu a disputa. E – quem diria! – ele e David Pittard bateram os experientes dinamarqueses Marco Sörensen e Nicki Thiim numa única volta rápida, também.

Todavia, com 3’51″972, Riccardo Pera foi o melhor entre os graduados prata na categoria.  Thomas Merrill cravou todo mundo entre os pilotos bronze com 3’52″696 – quase dois segundos melhor que Ben Keating, da trinca vencedora, e a boa surpresa entre os diletantes foi o novato Conrad Grunewald, que andou bem com o #61 da AF Corse.

Michelle Gätting mostrou predicados com a Ferrari das Iron Dames. A dinamarquesa foi a mais consistente do trio do #85, com 3’54″044 na melhor volta e 3’54″991 no top 20 de voltas rápidas, superando e bem a experiente Rahel Frey.

Páreo duro entre os mais lentos entre o “Magneto” Michael Fassbender e o italiano Claudio Schavoni – os dois estiveram entre os sete nomes que viraram a melhor volta acima de 4 minutos, mas o piloto da Iron Lynx foi 0″158 mais regular que o austro-irlandês no top 20 de melhores voltas. Fassbender pelo menos não foi o mais lento entre os 186 concorrentes numa única volta – Schiavoni acabaria superado pelo galã de Hollywood – que teve uma estreia bem atribulada em La Sarthe, aliás – por 0″196.

Julien Andlauer foi o que mais andou com 152 voltas, mas proporcionalmente aos giros completados por carro, o novato argentino Nicolás Varrone ‘carregou’ o #75 da Iron Lynx por 46,29% do total de 324 voltas percorridas pela equipe.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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