Habemus Ferrari Hypercar!

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RIO DE JANEIRO – Escondida numa camuflagem que não esconde muita coisa, aí está a nova Ferrari Hypercar em seu primeiro rollout com vistas à preparação do retorno da marca do Cavallino Rampante às provas de Endurance com equipe oficial de fábrica na divisão principal em quase meio século. Ao volante, o italiano Alessandro Pier Guidi, um dos pilotos integrantes do programa Ferrari GT Competizione. Nicklas Nielsen, da Dinamarca, revezou-se ao volante nesse primeiro teste.

Há quem diga, entre sério e em tom de galhofa, que a divulgação das imagens foi para abafar a crise – mais uma – da Ferrari na Fórmula 1, muito embora Carlos Sainz Jr. tenha ganho domingo o GP da Grã-Bretanha. Mas não é nada disso: esse rollout estava previsto sim para julho. O cronograma de desenvolvimento do carro está saindo como o previsto.

A Ferrari Hypercar terá o motor do modelo esportivo Daytona SP3 e não do SUV que a montadora italiana vai conceber. Essa unidade é de arquitetura V12 deslocando 6,5 litros de capacidade cúbica. Originalmente, a potência do SP3 é declaradamente superior a 800 cavalos que, combinados com o sistema híbrido que a marca desenvolve para este modelo de Endurance, daria incríveis 1200 – mas o regulamento FIA/ACO limita a 1000, apenas nas 24h de Le Mans. Resta saber a quantos km/h o sistema híbrido será ativado.

Pela tabela do BoP, o peso mínimo deste carro deverá ser de 1070 kg.

A equipe AF Corse ficará responsável pelo running da Ferrari pela expertise com a marca, adquirida em mais de uma década. Recentemente, andaram no protótipo LMP2 Pro-Am da equipe de Amato Ferrari, em treinos específicos, grande parte dos pilotos da LMGTE-PRO, exceto Daniel Serra, mais Nielsen e Alessio Rovera, que já estão acostumados ao carro da equipe. Pier Guidi, James Calado, Antonio Fuoco, Miguel Molina e Davide Rigon tiveram, nas palavras do diretor do programa Ferrari GT Competizione Antonello Coletta, uma “visão diferente” de tudo o que já experimentaram na carreira.

Ausente das 24h de Le Mans com time oficial desde 1973, a Ferrari ganhou sua primeira prova em La Sarthe em 1949 e foi dominante na competição até 1965. Pelos quatro anos seguintes, em represália ao fracasso das negociações de compra por parte de Henry Ford II do departamento de competição da marca, Maranello foi massacrada por Detroit. Em 73, José Carlos Pace e Arturo Merzario chegaram em 2º absoluto. Depois, a Ferrari ganharia somente títulos nas subclasses de Grã-Turismo.

Até aqui, o panorama para o ano que vem nos mostra pelo menos seis carros Hypercar de fábrica no WEC – Toyota, Peugeot e Ferrari – mais as possíveis participações de Glickenhaus e Vanwall (ByKolles), além dos LMDh da Porsche – esta com quatro carros, sendo dois do Team Penske, um da Jota e outro da Dempsey-Proton (ao que tudo indica) – e pelo menos um Cadillac da Ganassi. Neste momento, Acura e BMW, que têm projetos LMDh na calha, não vão se envolver com Le Mans pelo menos em 2023. Alpine e Lamborghini estreiam seus projetos em 2024.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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