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Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (322)

RIO DE JANEIRO – O ano era 1968. Num dia 7 de abril como este, eram realizados os 1000 km BOAC em Brands Hatch e em Hockenheim, na Alemanha, havia uma corrida de Fórmula 2 tida como “de pouca importância”, mas que tinha no grid pilotos como Jean-Pierre Beltoise, Clay Regazzoni, Carlo Facetti, Derek Bell, […]

Formula One World Championship

RIO DE JANEIRO – O ano era 1968. Num dia 7 de abril como este, eram realizados os 1000 km BOAC em Brands Hatch e em Hockenheim, na Alemanha, havia uma corrida de Fórmula 2 tida como “de pouca importância”, mas que tinha no grid pilotos como Jean-Pierre Beltoise, Clay Regazzoni, Carlo Facetti, Derek Bell, Piers Courage, Henri Pescarolo, Chris Amon, Graham Hill e um certo Jim Clark.

Pois essa corrida entrou para a história. E quem acompanhava os 1000 km de Brands Hatch teve uma notícia bem desagradável ao telefonar para as redações de jornais no envio de informações: a morte prematura de Jim Clark, aos 32 anos. O piloto escocês foi vítima de um acidente ao volante de sua Lotus 48B na veloz pista germânica durante a 5ª volta da corrida e faleceu em decorrência das graves lesões sofridas na batida.

Por um desses acasos do destino, Clark estava inscrito para a prova na Inglaterra, onde correria com o protótipo Ford da equipe de Alan Mann, mas por ser exilado em outro país europeu para fugir dos altos impostos taxados pelo governo britânico (mesmo sendo agraciado com a Ordem do Império), restringia sua cota de aparições no Reino Unido à disputa do GP da Inglaterra de Fórmula 1. A rigor, não foi esse o motivo que o tirou da corrida do Mundial de Resistência e sim uma imposição da Firestone, fornecedora de pneus da Lotus, que exigiu sua presença na corrida de Fórmula 2 na Alemanha.

Clark foi um meteoro. Um devorador de recordes e um piloto com sede de vitórias – e de corridas. Não tenho o número exato de triunfos que conquistou ao longo da carreira, mas com certeza foram mais de 100. O que tinha quatro rodas e andava para frente, ele traçava. De modelos Ford Cortina a Aston Martin, passando pelos Fórmula 1, Fórmula 2, USAC e Fórmula Tasmania – sempre pela Lotus. Aí, sem medo de errar, cravo que o escocês foi o maior piloto da história da equipe de Colin Chapman, pela qual conquistou dois títulos mundiais, 25 vitórias (recorde absoluto entre 1968 e 1973) e 33 pole positions (recorde absoluto entre 1968 e 1989). O homem era uma máquina. E em seus melhores dias, era simplesmente imbatível.

Para recordar o talento natural de Jim Clark, o blog coloca esta foto de sua Lotus 49 atravessada na curva Becketts do circuito de Silverstone, num powerslide perfeito, durante a disputa do GP da Inglaterra, no ano de 1967.

Há 48 anos, direto do túnel do tempo.