A Mil por Hora
Fórmula 1

Encontros e despedidas

RIO DE JANEIRO – Foi bem “assim assim” o GP de Abu Dhabi que encerrou neste domingo a temporada 2018 do Mundial de Fórmula 1. Houve até algum agito na pista graças a Max Verstappen (sempre este homem fatal!), mas no bojo a corrida não passou de razoável. Valeu por tudo o que aconteceu neste […]

abud183-1024x576
“Hasta luego”, Don Alonso. Sei que muitos não sentirão sua falta. Mas o escriba aqui acha que a Fórmula 1 perde peso com a saída de um gigante da categoria

RIO DE JANEIRO – Foi bem “assim assim” o GP de Abu Dhabi que encerrou neste domingo a temporada 2018 do Mundial de Fórmula 1. Houve até algum agito na pista graças a Max Verstappen (sempre este homem fatal!), mas no bojo a corrida não passou de razoável. Valeu por tudo o que aconteceu neste fim de semana de mais uma pole position e de uma nova vitória de Lewis Hamilton, envolvendo especialmente o espanhol Fernando Alonso.

O bicampeão da categoria despediu-se com um “Hasta Luego” de uma Fórmula 1 em que hoje ele não era feliz. Com mais de 300 GPs disputados desde 2001, quando estreou em Melbourne pela falecida e saudosa Minardi, Fernando vai buscar outros caminhos.

Recebeu inúmeras homenagens – “Lenda” foi o adjetivo mais bacana com que foi saudado por aquele que foi um de seus grandes desafetos das pistas – Lewis Hamilton. Foi bonito vê-lo ao final dando os “zerinhos” com Vettel e com o piloto da Mercedes-Benz, numa festa que a televisão brasileira ignorou. Para muitos, Alonso não fará falta. Outros, como o escriba aqui, lamentam. Menos campeões significam a priori menos peso num grid que se renova – provavelmente na maior mudança que a categoria experimentou nos últimos, sei lá, 10 ou 12 anos.

A última volta de desaceleração de Alonso foi ao lado de Vettel e Hamilton, dois dos grandes campeões da história recente da Fórmula 1, assim como o espanhol. Tenho certeza que se Räikkönen não tivesse abandonado se juntaria a eles nesta homenagem – que a TV brasileira não exibiu ao vivo

Reconhecido por seus pares, o piloto da McLaren agora vai atrás da Tríplice Coroa. Só falta a Indy 500 para se cumprir a promessa que Zak Brown lhe fez via rádio antes da corrida. O espanhol, que agora vai andar de Nascar – trocando de carro com Jimmie Johnson, que estava lá acompanhando tudo – vai em busca de novos desafios.

E é de novidades que é feita a vida. E Alonso não foi o único a trocar de rumo. Houve também outras despedidas, bem menos emotivas que a dele, é verdade, mas não menos importantes.

Como a de Daniel Ricciardo, que completou uma centena de GPs pela Red Bull e merecia melhor sorte na sua última temporada pelos rubrotaurinos. O “Risadinha” será sempre lembrado pelo que fez na equipe chefiada por Christian Horner e fica a torcida para que a Renault, hoje a melhor equipe do resto, consiga dar ao australiano um bom equipamento.

E deve ser o que Kimi Räikkönen, na condição de decano da Fórmula 1, espera ter da Sauber, a mesma escuderia pela qual estreou em 2001, após dar o salto espetacular para a categoria máxima sem sequer passar pela Fórmula 3 ou Fórmula 3000 – GP2 e Fórmula 2 sequer existiam. Pena para o nórdico a corrida de hoje ter terminado cedo demais. Aliás, um GP de Abu Dhabi com muitos abandonos e, ironicamente, os demais que saíram foram alguns nomes que também se despedem.

Marcus Ericsson, por exemplo, deixa a F1 e vai para a Indy, onde defenderá a Schmidt-Peterson. Esteban Ocon vai para o posto de piloto reserva da Mercedes-Benz (merecia melhor sorte, acho) e Pierre Gasly será o sucessor de Ricciardo na Red Bull.

Alonso ainda conseguiu terminar sua última prova em 11º e merecia ter pontuado. Uma pena. Mas outros pilotos saem de cena em seus carros em alta, enquanto alguns, em baixa. Charles Leclerc pôs mais seis pontos no bolso do macacão e deixa a Sauber com muita moral.

Lance Stroll vai para a equipe de papai em baixa, muito por conta do péssimo ano da Williams. Veremos o que fará ano que vem num carro melhor. Brendon Hartley, que parece rumar para longe da categoria, pelo menos lutou. Sergey Sirotkin, que igualmente se despede, foi tão vítima quanto Stroll de um carro pavoroso. Faltou falar de Stoffel Vandoorne, rumo à Fórmula E e massacrado não só pela comparação com Alonso como também por um carro longe de ser competitivo.

Tirante Verstappen dando seu espetáculo particular para chegar a mais um pódio e fechar o campeonato em quarto lugar, à frente de Valtteri Bottas (ano sem atenuantes para o finlandês, que não ganhou nenhuma), houve ainda o temor pelo acidente entre Romain Grosjean e Nico Hülkenberg, que resultou em capotagem da Renault do alemão, que felizmente nada sofreu. O arco de proteção (Santoantônio) e o Halo cumpriram seu papel e o piloto saiu do que restou do carro sem um único arranhão.

No pódio – igualmente ignorado pela emissora brasileira que detém os direitos da Fórmula 1 – Hamilton estava tão fora de si que arriou o macacão para levar um banho de champagne dado por Vettel e Verstappen. Ele merece…

A última etapa valeu também para quem, como o ator de Hollywood Will Smith, foi aos Emirados Árabes torcer por Lewis Hamilton e o britânico voltou a não decepcionar. Fechou o ano com superlativos, ampliando seu recorde de pole positions para 83, alcançando a 73ª vitória da carreira, a décima-primeira da temporada (oitava na segunda metade do campeonato) e o total de 408 pontos, recorde absoluto na Fórmula 1 desde que a distribuição atual com 25 pontos ao vencedor foi implantada.

Será uma temporada um tanto quanto estranha, a de 2019. Vêm rostos novos, houve muitas trocas e só restarão três campeões nas pistas – Hamilton, Vettel e Räikkönen. A julgar pelos fatos e pelos números, será difícil que isto se modifique ao fim do próximo ano.

Mas, vai saber… né?