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18 de março de 2013 - 22:03Automobilismo Nacional, Memorabilia

Moco e Marivaldo

Formula One World ChampionshipRIO DE JANEIRO - Faz 36 anos que uma tragédia entristeceu todo o automobilismo brasileiro. No dia 18 de março de 1977, José Carlos Pace, tido por muitos como “o campeão mundial sem título”, desapareceu quando tinha apenas 32 anos de idade, num acidente aéreo nas proximidades de Mairiporã, em São Paulo.

A perda prematura de Moco abalou profundamente um homem tido como frio e calculista: ninguém menos que Bernie Ecclestone, que acreditava em seu potencial e tinha certeza que o brasileiro seria campeão a bordo de um de seus carros. A tristeza do dirigente, genuína como poucas vezes se viu ao longo de sua trajetória como o homem mais poderoso da Fórmula 1, o fez mudar diametralmente suas relações com seus contratados, sem manter nenhuma relação de amizade com eles.

Alfa_Romeo_P-33_-_Marivaldo_Fernandes_-_1969_7

Amizade que, por exemplo, marcou a vida de Pace e durou até o fim da vida, foi a de Marivaldo Fernandes, o “Muriva”, que correu de tudo na vida e dividiu com o amigo a lendária Alfa Romeo P-33 com a qual os dois conquistaram o título brasileiro de automobilismo em 1969, um ano antes de Moco ir para a Europa. Marivaldo, em contrapartida, jamais deixou as pistas do país e se manteve ativo até o ano de 1975, quando venceu corridas na Fórmula Super Vê e também competiu na Fórmula Ford.

É preciso se fazer justiça, nesta data, não só a Moco, como uma saudade. Muita gente, assim como aconteceu no tenebroso fim de semana de San Marino em 1994, esquece do Roland Ratzenberger em detrimento de Ayrton Senna. E durante um bom período da carreira de José Carlos Pace, não se pode deixar de dissociar de sua vida como piloto a parceria e a amizade com Marivaldo Fernandes, tragicamente encerrada há mais de três décadas e meia.

4 comentários

  1. O acidente do Ratzenberger foi horrível, nunca vou esquecer. Lembro bem de ver na TV o corpo dele “solto” dentro do carro, aliás que carro aquele da Simtek?

  2. Fabio disse:

    Desculpe usar o comentário deste post, mas, achei um site muito legal que você vai adorar, o próprio nome já diz tudo “F1 Rejects”, fala sobre pilotos que não deixaram saudades, equipes esquisitas, momentos embaraçosos e muito mais. O último perfil postado foi o do Antonio Pizzonia, ficou bem legal. Aqui vai: http://www.f1rejects.com, divirta-se!

  3. Luis Felipe disse:

    Meu pai conta uma história de humildade que poucos pilotos tem hoje em relação ao Moco.
    Durante os treinos para uma corrida de longa duração em Brasilia. O Moco (que já era piloto de formula 1 na época) tava tomando 2 décimos do Paulão e não sabia aonde. Subiu na torre e ficou observando o Paulão na pista e de repente ele disse “FDP, é ali que põe dentro de mim”. Desceu como um corisco e pediu para o Paulão parar e ele andar. Em poucas voltas já era mais rápido que ele.
    Hoje poucos pilotos tem a humildade de observar o companheiro e ver aonde ele é mais rápido e também melhorar.

  4. Antonio Seabra disse:

    Eu vinha no meu andando meio rapido com o meu vetusto TL 72, cor de laranja, rebaixado, com rodas de Brasilia e pneus radiais. Quando entrei num tunel o sinal da radio FM se perdeu. Ao sair daquele tunel e receber de volta a voz grave do locutor, percebi que ele confirmava o acidente com o pequeno aviao que estava desaparecido, e que entre os mortos estava o piloto de F1 Jose Carlos Pace. Eu tinha 23 anos, e, ao mesmo tempo em que tentava nao acreditar naquilo que estava ouvindo, as lagrimas despencavam pelo meu rosto. Pensei no quanto a vida era injusta, de levar o Moco justamente no ano em que ele poderia vencer algumas corridas com aquele lindo Brabham BT-45B, e quem sabe, ser campeao mundial (nao era um sonho absurdo, tendo vista o desempenho do Watson com o carro naquele ano, em que deixou de ganhar algumas corridas por erros bobos). Era a mesma sensaçao que eu tinha experimentado aos 13 anos, ao ler num jornal que habitualmente nao dava espaço as corridas de carro, a noticia da morte do meu primeiro idolo, Jim Clark. Só que agora a tristeza era muito maior: uns 15 anos antes o Moco era como eu, apenas um dos raros moleques brasileiros apaixonados pelas corridas de carro, avido por noticias de uma F1 distante e desconhecida, habitada por lendarios pilotos, como Clark, Hill, Gurney, Amon e Brabham.
    Uns 10 anos antes, ou um pouco mais, eu tinha babado na camisa no velho autodromo do Rio (traçado antigo, anterior ao recem-assassinado), ao asisitir o show de pilotagem do Moco com um dos primeiros KG-Porsche da Dacon, ainda de lata, volta apos volta saindo de lado da antiga Curva Norte, enquanto os pneus Cinturatto nao dechapavam, por nao sem capazes de suportar a tocada portentosa daquele piloto de habilidade incomum.
    Pouco tempo se passou, e eu estava em Interlagos pra ver a temporada sul-americana de F2, e os meus olhos nunca vao esquecer o Moco fazendo a Curva do Sol com o sofrivel March 712M do Frank Williams. O carro nao tinha preparaçao a altura dos ponteiros, mas ninguem fazia aquela curva como o Pace, de lado a mais de 220-230 por hora, controle absoluto, talento natural puro, na veia. No intervalo entre as 2 baterias, ele foi ate o seu carro de rua, estacionado la longe no padock – naquela epoca era mato puro – buscar uma viseira mais escura para o capacete, e eu fui atras. Eu estava apenas a poucos passos do meu idolo !!!! Me aproximei, balbuciei uma pergunta boba, tipo se ia dar pra andar na frente na segunda bateria, ele respondeu que o carro nao estava bom, mas que ia tentar. Sem saber o que dizer, pedi um autografo, mas eu nao tinha nem papel nem caneta. E muito menos ele, que estava de macacão. Desejei boa sorte, enquanto ele voltava aos boxes, e eu o seguia de perto, nao querendo incomodar.
    Em 75 eu voltei a Interlagos, para finalmente ver a F1, e a sorte me permitiu ver a primeira vitoria dele. Primeira, sim, porque eu tinha certeza de que seriam muitas. E agora o radio, o locutor, e essa noticia destruiam aquele sonho.
    A vontada imediata era dar marcha a ré no tunel, desligar o radio, e entrar de novo no tunel, como se nao ouvir a noticia pudesse alterar a realidade, como se retroceder no tempo pudesse transformar os fatos, e no proximo grid da F1 o Moco pudesse estar alinhado na pole position.
    Nao haveria mais vitorias, nem pole positions. Era verdade, e os meus olhos nao iam parar de verter.
    Naquele mesmo dia Watson venceria a corida dos Campeoes em Brads Hatch, prova extra-campeonato, na unica vitoria do BT-45B.
    E eu só iria chorar de novo por um idolo quando vi na TV a noticia da morte do Gilles: o pequeno canadense tinha uma habilidade e uma coragem imensas, e uma tocada magistral. Como o Moco !

    (eu queria ter sido capaz de escrever um texto a altura da habilidade do Moco, uma homenagem, mas só pude escrever sobre o que senti naquele dia. Na verdade, o que eu queria mesmo é que todos os fãs atuais do automobilismo, os mais jovens, pudessem ter visto, ao vivo, o Moco guiando qualquer coisa de 4 rodas. Como bem definiu o Greco, sentado atras de um volante o Pace era um extra terrestre)

    Antonio Seabra

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