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6 de novembro de 2014 - 12:11Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (227)

 

Ribeiro-Alex-NURBF2-1978

Alex e seu “Jesus Saves” March 782 no Karussell de Nürburgring em 1978: a maior vitória da carreira do piloto que neste dia 7 completa 66 anos de idade

RIO DE JANEIRO – É só amanhã. Mas desde já o blog faz a homenagem: Alex Dias Ribeiro, aquele que – sem medo de errar – é um dos mais queridos do meio do automobilismo entre todos nós, jornalistas, fãs, pilotos e ex-pilotos, completa nesta sexta-feira 66 anos de idade.

A foto que ilustra este post é do momento mais marcante da carreira do mineiro de Uberlândia que, massacrado por uma temporada sem qualquer atenuante na Fórmula 1 a bordo do March 761, com a carreira questionada por Max Mosley, recorreu – mais do que nunca – à sua fé inabalável de cristão convicto para dar a volta por cima num esporte tremendamente mundano como o automobilismo.

Em 1978, no dia 30 de abril, seria disputada a 3ª etapa do Campeonato Europeu de Fórmula 2, a ADAC Eifelrennen, no lendário Nordscheleife de Nürburgring. Foram 45 inscrições para um máximo de 36 vagas. Uma corrida de oito voltas na pista mais desafiadora do mundo, em qualquer tempo.

Alex estava iluminado naquele fim de semana. Fez o 3º tempo no treino classificatório e se encheu de confiança antes de ir para o autódromo no dia da corrida, tanto que ouviu de Robin Herd, o projetista da March, o seguinte. “Você está com um jeito de que vai ganhar essa corrida.”

“Vou sim!”, exclamou o brasileiro.

A Wayne Eckersley, um de seus dois ou três mecânicos da época, o recado.

“Guarde este boné, pois estarei no pódio ao final da corrida”.

Eckersley, é claro, não acreditou muito. Mas Alex não tinha por que temer. E nada a perder: seu esquema era mínimo. Tinha o carro, um March 782, um motor Hart 420R cedido por Brian Hart e o dinheiro dos prêmios que conseguisse – se conseguisse, é claro – é que tornaria possível manter a pequena estrutura pelo resto do campeonato. Alex tinha sido 15º em Thruxton na abertura da temporada e 6º em Hockenheim – que lhe rendeu dois pontos porque Jean-Pierre Jarier, graduado na F-1, foi terceiro e não marcava para o campeonato.

Com a força do Senhor, o brasileiro pulou para a liderança antes da primeira curva. E olha… o que o Alex andou naquele dia não foi brincadeira. Resistiu à enorme pressão dos March 782 BMW da equipe Polifac, que tinham toda a atenção não só de Robin Herd como da marca bávara, que dava verdadeiros canhões de motor a Bruno Giacomelli e Marc Surer. Mas tudo começou a dar certo: Surer rodou na curva Pflanzgarten. E na penúltima volta, quebrava o carro de Giacomelli.

Não ficou só nisso: Keke Rosberg, num Chevron B42 Hart da equipe de Fred Opert e Eddie Cheever, a bordo de outro March BMW, só que da equipe Project Four, de Ron Dennis, meteram em Alex uma pressão absurda na última passagem. O resultado foi que Rosberg cruzou a 0s1 do brasileiro e Cheever, a seis décimos. Surer ainda foi o 4º colocado, seguido por Brian Henton e Ingo Hoffmann.

Alex entrou para a história: foi o primeiro e único brasileiro a vencer uma prova de monopostos no lendário circuito alemão. E o primeiro do país a ganhar o Ring (anel) oferecido aos vencedores de provas internacionais no Inferno Verde.

Parabéns, Alex! Hoje e sempre, um iluminado por Cristo.

Há 36 anos, direto do túnel do tempo.

9 comentários

  1. Zé Maria disse:

    Irrepreensível (mais uma vez!!) em seu texto, Rodrigo!!
    Dá gosto poder participar de um espaço tão privilegiado como esse. . .
    Abraço de que te admira!
    Zé Maria

    • Zé Maria disse:

      (Off-Post)
      Depois que atualizei meu xpto para a versão iOS 8.1, é um tal de ” Ocorreu um problema com essa página web, por isso ela foi recarregada”, que tá impossível de acessar tanto você (principalmente) como o resto da turma do Grande Prêmio. . .
      Sabe se mais algum leitor seu ou dos demais escribas reportou o mesmo problema?
      Abraço.
      Zé Maria

  2. Lago disse:

    esse realmente é um ser humano excepcionalmente simples. não houve uma só vez que o visse nos boxes em interlagos e não recebesse um largo sorriso em cumprimento. e eu ali, perto de um dos grandes nacionais, louco para pedir que ele desse umas voltinhas e acertasse antigo sonho que se esvaiu precoce. li seu livro em tocada única, horas sem pit stop, e o que mais recordo é que do início ao fim da leitura estava impregnado de um sentimento de torcida, de esperança pelo resultado de cada uma de suas inúmeras batalhas. parabéns sr. alex! parabéns campeão!!!

  3. TARCISIO FRASCINO FONSECA disse:

    No seu livro (eu não li) ele conta que Deus deu muita força a ele. Que foi graças ao Senhor que ele não esganou Max Mosley (seu patrão da March na Fórmula Um).

  4. AGS disse:

    Pessoa de grande personalidade, respeitoso, e educado.
    Uma vez em Silverstone. eu fazendo escolinha do Jim Russel, quando eu vi uma Van vermelha, só com o nome Jesus Save, me apresentei e claro muita fino, disse poucas e relevantes palavras.
    Tipo de pessoa, no meio do automobilismo, r.a.r.i.s.s.i.m.o. de achar..
    Que venha, mais aniversário pela frente, grande Alex…

  5. Fernando Kesnault disse:

    de Uberlandia ???? Uai, nunca soube disso…….surpreso!

  6. Manfred W. disse:

    Parabéns pele excelente texto…
    A NASCAR também tem seus “Alexandre Dias Ribeiros” o Morgan Shepherd e o Trevor Bayne…
    Abs

  7. Manfred W. disse:

    Desculpe,Alex não Alexandre,culpa do editor de texto

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