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27 de julho de 2017 - 12:0224 Horas de Le Mans, Mundial de Endurance

Mais uma bomba: Porsche fora do WEC

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Auf wiedersehen: a Porsche deve anunciar muito em breve sua saída do Campeonato Mundial de Endurance (FIA WEC), encerrando seu programa LMP1 após três vitórias em Le Mans e dois títulos mundiais de pilotos e construtores – por enquanto. Mais um baque enorme para uma categoria que vê seu futuro em xeque. Será que a Toyota vai mesmo seguir sozinha junto a construtores independentes que nem mesmo temos certeza que vão disputar a LMP1 em 2018?

RIO DE JANEIRO (Triste…) - Após a saída da Mercedes-Benz do DTM rumo à Fórmula E, outro construtor alemão de imensa relevância no automobilismo vai bater em retirada de outra categoria: a Porsche deve confirmar o rumor já alimentado pela imprensa alemã e cair fora do Campeonato Mundial de Endurance, o FIA WEC. Detalhe: ao fim desta temporada.

A notícia-bomba foi divulgada hoje pelo site alemão Motorsport-Total, ampliando o que a tradicional publicação Auto Motor und Sport já ventilava antes da disputa das 6h de Nürburgring. O anúncio oficial deve acontecer em setembro, na próxima etapa, no México.

É mais um duro golpe numa competição que iniciou em 2012 com Audi e Toyota como montadoras oficiais e que tinha, também, times independentes como a Rebellion, a OAK Racing, a Strakka e a JRM Motorsport. Podia não ser o grid dos sonhos, mas eram mais carros do que hoje a divisão apresenta. Incrível como em cinco anos, tudo piorou e a LMP1 – que só terá quatro carros na próxima etapa do WEC – perdeu praticamente todo o seu grid e a Porsche, que entrou em 2014, agora caminha para a extinção do seu programa.

De acordo com os germânicos, é estudada uma mudança para a Fórmula E – natural, pois a Porsche domina a tecnologia de construção de motores híbridos e não é à toa que o seu protótipo 919 Hybrid é considerado o carro mais complexo do grid – e até mesmo o retorno à Fórmula 1, lá para 2021, muito embora o grupo Volkswagen Auto Group (VAG), que controla a marca, seja avesso ao envolvimento com a categoria máxima do automobilismo.

O que parece é que a Porsche, além do clima de missão cumprida por vencer três vezes seguidas as 24 Horas de Le Mans, ampliando o recorde histórico para 19 triunfos, percebe que o WEC segue um caminho muito complicado na classe LMP1.

Tanto a FIA quanto o Automobile Club de l’Ouest (ACO) mudaram tantas e seguidas vezes o regulamento com o objetivo de conter custos – e, pelo visto, fracassaram. Os programas continuam caros (a Porsche confirma ter gasto US$ 200 milhões/ano) e espantam qualquer outra montadora que quisesse competir na categoria. A Peugeot nunca se decide pelo regresso após abandonar o Endurance às vésperas do anúncio de equipes para o campeonato de 2012. E agora, mais essa.

Perguntas que não querem calar: a Toyota ficará sozinha como única construtora de fábrica em 2018, contra times independentes que nem sabemos se vão mesmo competir na LMP1 ano que vem? Será mesmo que a Ginetta continuará o desenvolvimento de seu protótipo? A SMP Racing dará continuidade ao seu projeto? A ByKolles realmente voltará? Manor, Jackie Chan DC Racing e Rebellion realmente terão esquemas nas duas categorias de protótipos?

Sinceramente, não sei.

Quanto à Toyota, duvido que os japoneses queiram assumir o protagonismo e competir contra eles mesmos, sozinhos. A essência do automobilismo é a rivalidade entre os construtores e, sem alguém como parâmetro, não sei se Pascal Vasselon e companhia limitada vão encarar o campeonato sozinhos.

Os pilotos da Porsche já se preparam para o pior. Andre Lotterer, que está em Spa-Francorchamps para a disputa das 24 Horas neste fim de semana, não esconde sua apreensão.

“O que está acontecendo com as corridas de Carros-Esporte?”, questiona. “Outro dia, a Mercedes anunciou sua retirada oficial do DTM. Agora, estamos todos com medo diante do possível abandono da Porsche no WEC. O que faremos?”

É, leitores… tudo está acontecendo muito rapidamente. A Alemanha prevê o fim da frota de veículos movidos a combustíveis fósseis em 2030 e o futuro chega mais rápido do que pensávamos.

Como já disse Gérard Neveu certa vez, “montadoras vêm e vão”. A Porsche não abandona o WEC por completo, já que seu programa de LMGTE-PRO seguirá ativo. Mas o risco da extinção da categoria principal existe e é cada vez maior.

A menos que o ACO finalmente dê o braço a torcer e reconheça que a fórmula de disputa da IMSA com a classe DPi é eficaz e que os protótipos com múltiplas opções de motor sejam a tábua de salvação não só para o próprio WEC como principalmente para o futuro das 24 Horas de Le Mans, a maior prova de Endurance do planeta.

O último a sair que apague a luz?

Só o tempo dirá…

34 comentários

  1. Jackson disse:

    Acho que a melhor solução seria dar um “upgrade” nos LMP2, transformando em LMP1 e reduzindo os custos para as equipes.

  2. Gustavo disse:

    1°maldito carro elétrico,uma categoria tão sem graça como f-e pode tirar a Porsche do wec e consequentemente das 24 h le mans.2°o futuro da LMP1 podem ser equipes privadas e um barateamento nos custos para que mais gente venha a festa,talvez sem as equipes que iram a lmp1 no ano que vem(talvez até toyota) o A.C.O suspenda em 2018 a lmp1 e retorne em 2019 mas o importante é não desistir da lmp1.
    #oshowtemquecontinuar

  3. Luis Bezerra disse:

    O futuro é sombrio para o automobilismo. Em vinte anos dizem que até possuir carro vai ser “out”. Vc vai acessar um aplicativo e um carro eletrico com inteligencia artificial vai ter pegar e te levar pra aonde vc quiser e sem vc encostar no volante. A própria indústria automobilistica corre risco, com certeza não será como hoje.

    • Rodrigo disse:

      Eu acho que o futuro parece rumar para isso, mas talvez seja exatamente o contrário.
      Em um mundo do futuro onde o padrão é ser conduzido de maneira autônoma por carrinhos elétricos insossos, ser “rebelde”, ser “sedutor(a)”, ser “popular”, talvez volte a ser sinônimo de guiar carros potentes, de maneira destemida. Talvez estejamos criando uma nova época de James Dean, onde há espaço sim para a volta da coragem, da potência e da paixão pelo automobilismo que voltará a ser uma forma de demonstrar liberdade, personalidade e quebra de paradigmas de uma nova sociedade. Talvez os carros sejam outros, talvez o motor a combustão seja apenas uma exceção “vintage”, mas creio que a essência do esporte a motor vai reaparecer exatamente de onde pensam que ele vai morrer. Não começamos a nos apaixonar por carros porque eles são carros, mas pelo que eles nos fizeram sentir. E sinceramente acho, que farão novamente.

      • Luis Felipe Bezerra disse:

        Do fundo do meu coração espero que vc esteja certo, pois amo o esporte. Mas esta geração Nutella liga cada vez menos para o nosso amado esporte

      • Alessandro Neri disse:

        Carro, automobilismo… a nova geração caga e anda pra isso. O carro ( para a molecada) é um vilão. Um mal. O automobilismo como conhecemos morrerá. Aliás.. já está morrendo…

  4. Luis Bezerra disse:

    A solução de imediato seria DPI como P1 com uns 200 cavalinhos a mais que os P2 pra ter alguma diferença.

  5. Vinicius disse:

    Tudo tem seus prós e contras! E o contra sobre a participação de montadoras no automobilismo é que elas entram e saem por interesses próprios, e não pelo automobilismo em si. Ex: a Renault entrou na Fórmula 1 3 vezes em 40 anos!!!! E isso sempre deixa um buraco difícil de ser fechado…

    Outra coisa: em um futuro (bem) próximo, todas as categorias automobilísticas usarão motores elétricos, e não somente a F-E… é inevitável!

  6. Léo Pereira disse:

    Notícia esperada…
    A tendencia será uma “promoção” da LMP2 para única categoria de protótipos. Os GTs ficam como estão.
    o WEC, pelo menos, tem saída… Pior situação esta o DTM.

  7. Fernando disse:

    Se a Toyota não levar Le Mans 2018 agora na boa, desiste.

  8. Gabriel Medina, O outro disse:

    Acho que o WEC emenda dois anos de entre safra com uma mescla de DPis e os novos P1s.

    Quanto a participação da Toyota, é bom salientar que os japoneses se mostram bastante interessados no regulamento de 2020, resta saber se outras marcas compartilham da mesma opinião.

    Por questões profissionais, tenho pesquisado bastante sobre carros elétricos e o futuro do transporte e, pelo que lá, o regulamento de 2020 não é nenhuma sandice e tem sim potencial.

  9. Gabriel Medina, O outro disse:

    Olhando pra trás agora, algumas coisas fazem muito sentido:

    Em determinado ano, nosso comunista preferido foi convidado a cobrir Le Mans in loco e disse que a Audi Joest naquela corrida tinha mais estrutura e tecnologia que qualquer equipe da F1.

    A menos de um ano atrás o Anthony Davidson se dizia grato por pilotar para uma equipe de fábrica em uma época de ouro para elas, que, com certeza acabaria.

    Um dia depois das 24 Horas de Le Mans também do ano passado, alguém escreveu no motorsport.com que a saúde das equipes P2 era a belíssimo plano B para o campeonato.

    E o maior absurdo de todos: A menos de dois anos um dos altos dirigentes da VAG (Piech talvez?) disse que manter Porsche e Audi no WEC era mais caro do que ter duas equipes na F1.

    É bom também lembrar do que aconteceu com a Nissan, que se atreveu a entrar na P1 gastando menos e, ainda por cima, com um projeto ousado: Humilhação em praça pública.

  10. Ashpool disse:

    A Audi competiu durante anos sozinha no ALMS.
    O que impede a Toyota de fazer o mesmo?

  11. Junior disse:

    Triste, mas é inegável que os híbridos são uma maravilha, mas que ninguém quer pagar por eles.
    A Toyota deve mesmo abandonar a categoria, a solução é DPi com mais potência e maior liberdade de regulamentos, mas mesmo assim o futuro da P1 é sombrio.

  12. Claudio disse:

    O futuro dia carros é elétrico, a Alemanha já tem deadline marcado para os motores de combustão, portanto não há motivo, nem dinheiro, para investir nisso.
    Não que as corridas com motores assim vão acabar, só irão perder relevância, para as montadoras, resta saber se esse tipo de corrida irá sobreviver via equipes independentes.

  13. Alessandro Neri disse:

    O mais dramático Rodrigo é que as novas gerações, a molecada, cada vez mais caga e anda pra carro, corrida, automobilismo… O fim do automobilismo como conhecemos e aprendemos a amar se aproxima do fim. Automobilismo elétrico? Eu não consigo ver corrida de carro com motor não faz barulho.

  14. Jarno Saratt disse:

    Acaba de vez por todas com a LMP1, e coloque os LMP2 como a classe principal, e coloque junto os DPIs com a LMP2 para correrem juntos.

    Ou caso contrario o WEC vai acabar, como aconteceu há exatos 25 anos, com o World Sportscar Cjhampionship.

    Pronto, falei!

  15. Robertom disse:

    Quanto à proibição de veículos com motores a combustão na Alemanha a partir de 2030, trata-se de uma NOTÍCIA FALSA.
    É uma proposta e uma bandeira de luta do Partido Verde, mas nada nesse sentido foi aprovado ou regulamentado.

  16. Alessandro Neri disse:

    Em um futuro próximo somente os idosos ( nós), ainda gostaremos de corrida de carros. Os novos nem saberão o que é isso. O automobilismo já perde, e perderá, seu espaço na mídia e na vida das pessoas. O automobilismo está morrendo. Assim como o carro. Fato.

  17. Gabriel Medina, O outro disse:

    Últimas considerações:

    Andre Lotterer é dos nossos.

    A bolha da FE estoura em menos de 5 anos.

    A montadora dos carros mais sem graça do mundo é, no final das contas, a mais coerente, não arreda o pé do WEC e nunca nem sequer aventou a possibilidade de entrar na FE.

    Sempre vejo um Corolla Wagon E110 numa garagem aqui perto, acho uma graça, se a Toyota não sair do WEC, compro a bagaça!

    https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/a/a5/1999_Toyota_Corolla_E110_2.0D_Wagon.JPG

  18. Romulo Dias disse:

    Penso que o WEC se salva com algumas adaptações simples:

    1) Para não dar o braço a torcer para a IMSA eles podem simplesmente permitir o mesmo regulamento de motores do IMSA, mas sem aquelas adaptações aerodinâmicas, mantendo os chassis da P2 como estão;
    2) Incluem a P3 no WEC/LeMans como fará o IMSA já no próximo ano;
    3) Mantém os GT’s dando força aos carros GT3 na categoria GT-Am;

    Agora o DTM e o SuperGT-500 no Japão são certames que vão precisar de uma reformulação profunda.

  19. Para o esporte a motor em geral se salvar é preciso olhar mais para a massa de fãs que sustenta qualquer esporte, esses não são como nós, aficcionados, cheiradores de gasolina, eles se sustentam em três pilares: heróis, carros e marcas. Observem o efeito que o Alonso causou correndo a Indy. Os carros protótipos hoje são muito feios, eu mesmo nunca gostei, nem dos atuais DPi. É preciso ter mais marcas envolvidas, criando mais competitividade, além de Porsche, Ferrari, Lamborghini, Mclaren, coisas que façam pais e filhos ter vontade de assistir. Eu indicaria a volta de uma GT1 como melhor alternativa para a classe mais veloz, aumentar a potência e pressão aerodinãmica dos GTE e distanciá-los dos GT3. Enfim, é minha humilde opinião.

  20. Amadeu Calisto disse:

    acho que a P1 já era…e leva junto a P2. Um Wec só com GTs?

  21. Vinícius M. Serbeto disse:

    Li todos os comentários. Alguns pessimistas, otimistas, realistas e pornográficos.
    Sou engenheiro mecânico e repórter automobilístico.
    Minha opinião é a seguinte: Desde 2000 a BMW vem trabalhando no projeto do H1 e do H7. Eles são carros movidos a hidrogênio e os queimam através de ciclo Otto, como os motores que queimam gasolina e etanol fazem. O H1 bateu o recorde da pista de Nardò na época. Mesmo que a BMW tenha uma equipe de fábrica na Fórmula E, não significa que o projeto do hidrogênio será abandonado. Tanto não foi, que a própria Toyota lançou o Mirai. Embora ele use o hidrogênio como fonte de energia elétrica, ele pode também ser usado como combustível em motores a combustão interna.
    Não se preocupem. Motores que fazem barulho, descompressão, antilag e transmissões que trocam de marchas não vão desaparecer pelo banimento do diesel, gasolina ou etanol. O hidrogênio vai suprir essa lacuna.
    Vários pontos ainda serão confrontados entre os interesses dos defensores do meio ambiente e das montadoras.
    Os carros não vão desaparecer por causa da geração Nutella. O interesse até pode cair, mas se nós, fãs de automobilismo, ajudarmos a perpetuar na cabecinha dos nossos filhos o verdadeiro significado da paixão por carros, o automobilismo e os encontros de antigomobilismo não desaparecerão. O planeta caminha para 8 bilhões de habitantes. Uma parcela está perdendo o interesse, outra mantém o espírito vivo.
    O automobilismo já viveu fases muito mais sombrias e se rearticulou.
    Todos acharam que a briga entre CART e IRL seria o apocalipse. As 500 Milhas de Indianápolis tiveram mais de 100 mil expectadores no autódromo.
    Relaxem e vamos tomar uma cerveja.

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