Aposta campeã

A

RIO DE JANEIRO – A Nascar tem um novo campeão. Aliás, novos campeões. Quem diria: a tradicional Penske, muitas vezes ganhadora na Fórmula Indy e nas 500 Milhas de Indianápolis, chega ao título pela primeira vez desde que a Stock Car estadunidense foi criada, em 1949. E com uma aposta arriscada – e bem-sucedida – do velho Roger, que demitiu sumariamente o antigo titular Kurt Busch, por indisciplina: Bradley Aaron “Brad” Keselowski, piloto de 28 anos nascido em Rochester, no estado de Michigan, levou o troféu de campeão da Sprint Cup Series na temporada 2012.

Um título meritório de um piloto que, quando despontou, ganhou a minha antipatia por sua vitória fazendo “justiça com as próprias mãos” em Talladega, no Alabama, quando jogou o Ford de Carl Edwards na cerca de proteção, num dos acidentes mais aterradores que já vi. Para os torcedores e para Roger Penske, isto pouco importou. Ao volante do Dodge Charger #2, um número imortalizado por Rusty Wallace para a escuderia, Brad é o campeão.

Na última corrida da temporada, disputada neste domingo, em Homestead, a matemática foi quase sempre favorável ao campeão. Seu principal antagonista, o pentacampeão Jimmie Johnson, tinha que contar com uma estratégia mais ousada e/ou um acidente de Keselowski, apostando também numa improvável falha de concentração do piloto da Penske. Mas foi a experiente equipe Hendrick, do sempre saudado estrategista Chad Knaus, que pôs tudo a perder, quando num pit stop uma das porcas da roda traseira esquerda não foi corretamente aparafusada. Regra é regra, um dos fiscais da Nascar, de olho no pit stop do #48, imediatamente, chamou a atenção do time e Johnson fez um pass through. Perdeu uma volta e depois, com problemas mecânicos, JJ foi à nocaute junto com o sonho do hexa. E mais: desde 2004, quando o mal-amado Kurt Busch foi campeão, só dava Johnson ou Tony Stewart, que venceu em 2005 e no ano passado.

Aliás, Johnson sequer chegou ao vice, por conta do abandono. A posição de 2º colocado da Nascar Sprint Cup Series ficou com Clint Bowyer, num grande ano do piloto do carro #15 e da escuderia de Michael Waltrip, que fez um excelente trabalho ao longo do ano com o Toyota Camry.

A etapa final da Sprint Cup marcou também o fim da linha para a Dodge, ironicamente com o primeiro título da marca na principal categoria da Nascar desde… 1975, quando Richard “The King” Petty foi o campeão com o indefectível #43. A Penske resolveu mudar de fornecedor para 2013, passando da Dodge para a Ford. E sem uma equipe forte, a Dodge, que tinha carro apresentado há alguns meses para o próximo campeonato, resolveu tirar seu time de campo.

Keselowski pagou com juros e correção tudo o que sua família lhe fez para investir em sua carreira. Faliram, perderam tudo, mas o esforço não foi em vão. O “tuiteiro” Brad é o novo campeão da Nascar. Que desfrute da glória e não deite nos louros deste título, como muitos pilotos fizeram – e ainda fazem – vida afora.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

4 Comentários

  • Eu ainda tenho antipatia pelo Keseloser, muito por não ter ido com a cara dele e por eu ser um fã do Kyle Busch hehehe!

    Fiquei muito mais feliz por causa do Roger Penske e da equipe! Em 2013 o título vai ser decidido entre Jeff Gordon/Kyle Busch/Dale Jr.

    E o “novo” Amil Por Hora já está favoritado no meu pc!

  • não sou muito ligado em ovais. Acabo assistindo quando a FOX (maledetta) resolve apresentar alguma coisa que não o famigerado futebol, que detesto, e não tem um documentário ou filme que me chame a atenção. Enfim, comecei a ficar meio ligado mas não engulo que uma cusparada no piso, seja motivo para bandeira amarela., assim como só consigo identificar o carro vermelho #42 do Montoya, por conta da ‘barulheira’ dos narradores. Os outros trocam de cor em quase todas as corridas que não deu, ainda, pra se ligar num ou noutro piloto. Quem sabe, ano que vem eu me entusiasme um cadinho a mais. Sorte na casa nova, e dê uma banana estragada a quem puxou o tapete. Não merece coisa melhor. Abs

  • Achei merecido o titulo do Brad Keselowski. Merecido também o título de Roger Penske, principalmente depois do papelão do Will Power na Indy. A conquista do piloto do carro número #2 da equipe Penske deve ter deixado muito piloto de orelha em pé. Existe na Nascar uma grande quantidade de “pilotos promessas”, promessas essas que nunca vingam, alguns já estão até se tornando veteranos na categoria e continuam usufruindo do “status” de promessas.

    Rodrigão já favoritei o seu novo endereço, afinal, informação jornalistica e de qualidade no automobilismo não é fácil de encontrar. É lamentável que tenha gente que pense diferente.

    Grande abraço!

  • Sou fã do Keselowski desde que ele apareceu , porque tem algumas caracteristicas do meu idolo Nelsão: não arrega pra ninguem, e é muito inteligente e consciente nas provas , como ano passado em Pocono economizando combustivel e vencendo.Deve ser mais respeitado de agora em diante depois de vencer as pressões de J johnson este ano sendo campeão antes de feras como Kyle Bush ou hamlin.Extremamente frio e rápido.E o fato de correr de Dodge dava-lhe um certo ar fora da lei .Taça merecidissima pra ele e Seo Roger.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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