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26 de abril de 2013 - 19:34Túnel do Tempo

Direto do túnel do tempo (73)

RIO DE JANEIRO – Dia 26 de abril de 1987, domingo. Naquele dia, no Autódromo de Cascavel, nascia o Campeonato Sul-Americano de Fórmula 3. Uma categoria que tivera sua gênese na Fórmula 2 continental, com predomínio dos argentinos com seus carros Berta impecavelmente preparados e movidos a gasolina, onde vez por outra, alguns brasileiros davam trabalho.

A nossa gênese de uma categoria de monopostos semelhante à F-3 fora a Fórmula Super Vê (depois chamada Fórmula VW 1600), que lotou autódromos país afora e revelou uma talentosa geração de pilotos que teve sequência por, pelo menos, três décadas. Dessa geração saiu gente como Ingo Hoffmann e Nelson Piquet, sem contar outros nomes consagrados do automobilismo interno, feito Guaraná Menezes, Marcos Troncon, Chiquinho Lameirão, Antônio Castro Prado, Vital Machado, Dárcio dos Santos e muitos outros.

Com o fim da F-VW 1600 e sua transformação em F-2, veio a aproximação com os argentinos e por anos a fio, levamos a pior em vários duelos. Afinal, los hermanos vinham com motores a gasolina e nossos preparadores, com motores a álcool. A garra de nomes como os do gaúcho Leonel Friedrich compensava a disparidade de equipamento e ele conseguia vitórias épicas sobre Guillermo Maldonado e cia.

Passadore 87

E foi assim que começou o campeonato da F-3 Sul-Americana em 1987, com poucos brasileiros no grid (salvo engano, Leonel, Cézar “Bocão” Pegoraro, Chico Feoli, Pedro Grendene Bartelle e o incansável Pedro Muffato), uma dezena de argentinos e um uruguaio, o veterano Pedro Passadore, que vinha a bordo de uma das novidades do campeonato: um Reynard Alfa Romeo novinho, importado da Inglaterra e alinhado pela equipe Ge.Mo. Uruguaya.

Sommi 87a

A outra cara nova era um chassis italiano Dallara, o primeiro que aportou por aqui, trazido por Gustavo Sommi. Naquela época, ninguém podia prever, até porque no automobilismo não há bola de cristal, mas o construtor europeu se tornaria dominador absoluto da categoria a partir dos anos 90, com os problemas que Ralt e Reynard – maioria quase absoluta em termos de chassis aqui no começo da categoria – passaram a enfrentar.

leonel_87

Leonel Friedrich, alinhando um Berta com um moderno motor Volkswagen Spiess 2 litros da equipe argentina INI Competición, era o homem certo, na hora certa e no momento certo. O Pelado (Careca), como era chamado pelos argentinos, usou a experiência de muitos anos e de quem passara pela Fórmula 3 inglesa em 1973 para derrotar os rivais, em sua maioria, todos argentinos. Ele entrou para a história como o primeiro vencedor da categoria na América do Sul, foi o primeiro campeão da F-3 e seu título foi um divisor de águas para o automobilismo brasileiro.

F2 a

Enquanto a rivalidade entre os dois países acirrou-se a ponto de uma decisão de título provocar uma cizânia que fez surgir um certame brasileiro de F-3, em 1994, a categoria teve uma invasão de pilotos do nosso país de uma forma tão acachapante que hoje a presença argentina na categoria é cada vez mais rara.

A Fórmula 3 Sul-Americana quase morreu ano passado, mas continua aí. E felizmente podemos celebrar seu aniversário de nascimento neste dia 26 de abril.

Há 26 anos, direto do túnel do tempo.

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2 comentários

  1. Granito disse:

    Belo texto Rodrigo, é isso mesmo, só faltou colocar q do lado argentino a f2 se originou da queda de concorrentes na maf1 , o fortalecimento da f2 argentina q com o fim da maf1 se tornou o melhor campeonato de monoposto na Argentina e a busca do campeonato continental quando a situação economica na Argentina mostrava q um campeonato nacional deste porte não duraria muito sem o reforço de pilotos e patrocinadores de outros paises sulamericanos. Em linhas gerais quem vê corridas da f3 hj, não tem idéia desta categoria até o inicio dos anos 2000 e das suas precursoras f2 codasur , f2 brasil, f2 argentina e f wv 16000, verdadeiras guerras entre os melhores nomes do automobilismo de formula q não estavam na f1 ou na europa tentando chegar lá. Hj em dia a categoria ficou muito cara ( não só na america do sul, mas no mundo), e se tornou uma categoria escola ao longo dos anos, sem a mescla com os veteranos ( fato comum no seu inicio) . Estes fatores foram determinantes no declíneo da categoria, mas não consigo enxergar como fazer veteranos buscarem a f3 como no passado. Vale a pena ver a prova de f3 brasil de 94 no you tube, onde mesmo com a cisão com argentinos, tinhamos 16 carros no grid e os pilotos q brigavam na ponta eram Castroneves tricampeao da indy500, cristiano da matta campeão da indycart, bruno junqueira campeao da f3000,ricardo zonta campeao da fia gt world series e f3000, alem de rubens fontes e outros…

  2. fabio de souza disse:

    A F2 era genial.As corridas passavam na tv Manchete, e como o Granito disse , em sua bela análise, as pessoas não tem idéia o que foi a f2 e a f3 no início.O Gilfermo Maldonado e seu Berta dourado pareciam imbatíveis na f2, mas haviam grandes pilotos como Miguel Angel Guerra e Leonel.A f3 começou bem legal com o Grid cheio de carros novinhos com tres marcas de chassis(eu acho) e nomes como Élio Seikel, Muffatão, Nestor Furlan.Parecia a coisa só iria crescer.Há de se lembrar que se tentou criar tambem, meio que por iniciativa de Josué Pimenta que trouxe um chassis Reynard, a F3000 Brasil, mas a f3 parecia tão forte que não houve demanda para essa categoria em moldes tupiniquins.

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