O imprevisível de Indianápolis

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RIO DE JANEIRO (Não é o fim do mundo…) – Mais que a pole de Simon Pagenaud, o que foi notícia sem nenhuma dúvida neste último domingo lá em Indianápolis foi a eliminação de Fernando Alonso do plantel de 33 pilotos classificados para a 500 Milhas do próximo dia 26 de maio.

Por todos os acontecimentos envolvidos, por ser a figura que é o espanhol, bicampeão de Fórmula 1, vencedor em Le Mans, líder do WEC e novato do ano em sua estreia lá mesmo na mítica pista estadunidense em 2017.

Chovem críticas pela sucessão de erros cometidos, pela associação McLaren-Carlin e principalmente pelo fato de que, com pouco tempo de pista disponível, por conta de um número bem menor de dias de treinos em relação a outras épocas, se a equipe e o piloto não estivessem bem afiados, não daria tempo de reverter o quadro.

Como não aconteceu, aliás: registre-se que, dos quatro carros que a Carlin inscreveu para a prova, só Charlie Kimball classificou-se. Alonso, Pato O’Ward e Max Chilton assistirão a prova pela televisão.

É um vexame? Sim. Mas não é o fim do mundo. Alonso pode ser capaz de voltar em 2020 ou em qualquer ano e tentar de novo. Há quem diga que ele precisaria disputar uma temporada completa. Eu não sei, honestamente. Talvez ganhar mais horas de voo nos ovais seja uma saída. Reconhecer os erros do planejamento para esta edição, outra.

Inclusive, já houve consequências da desclassificação, com a demissão de Bob Fernley, o diretor responsável pelo projeto McLaren Indy. A corda tinha que arrebentar de algum lado.

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Erros de planejamento e avaliação custaram à equipe McLaren e ao bicampeão de Fórmula 1 Fernando Alonso a classificação para as 500 Milhas de Indianápolis do próximo domingo

Se por um lado muitos ficaram tristes por Alonso fora do grid, por outro a gente não pode deixar de louvar os esforços de quem lutou e conseguiu vaga. É o caso da DragonSpeed, da Clauson-Marshall e, principalmente, da Juncos.

Pensem no escândalo que é um time dirigido por um latino-americano, sem patrocínio, com um bom carro nos treinos, ver o seu único piloto sofrer um acidente. Após 40 horas de angústia, muito trabalho feito, um carro novo (de misto) montado com ajuste de oval, mangas arregaçadas por uma garagem inteira e a recompensa veio, na última tentativa do Shootout dos seis que lutavam por três vagas.

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Último no grid? O que importa? Kyle Kaiser comemora a conquista da 33ª vaga no grid, num esforço coletivo da Juncos Racing em proporcionar ao piloto a classificação para as 500 Milhas

Kyle Kaiser destronou Alonso da 33ª e última posição por pentelhésimos. E foi bonito, foi genuíno ver a emoção daquela gente de verde no pitlane, comemorando uma classificação merecida. Afinal, se o próprio Fernando na véspera já dizia “se não estivermos no grid é porque não merecemos”, ele tem toda razão.

E ainda vimos o choro incontido de Pippa Mann, que deu a volta por cima após ficar de fora do grid do ano passado e a classificação improvável de Ben Hanley, em quem todos apostavam que era pule de dez para ser “bumpado”. E o britânico foi lá no sábado e calou a boca de todo mundo.

A DragonSpeed, aliás, vai levar o negócio a sério. Em 2020, disputará toda a temporada da Indy, abrindo mão de competir no WEC na classe LMP1 e também na LMP2. O time de Elton Julian seguirá no ELMS e em provas pré-selecionadas (Daytona, Sebring, Interlagos e Spa – talvez Le Mans, se receberem convite) e a opção por encarar o desafio de seguir na categoria é um tapa na cara da arrogância da McLaren, que tomou decisões equivocadas que foram determinantes para o vexame histórico no qual Alonso se meteu.

Essa é a graça, o imprevisível de Indianápolis. Já vimos a gigante Penske de fora noutras eras. Já vimos ídolos como Bobby Rahal, Johnny Rutherford, Gordon Johncock, Al Unser Jr. e Emerson Fittipaldi fracassarem. Faz parte do show e da vida.

Que sirva como lição a todos os envolvidos. Subestimar a pista e a importância das 500 Milhas de Indianápolis talvez tenha sido o maior dos erros de avaliação cometidos por Zak Brown, Gil de Ferran, Fernando Alonso e companhia limitada.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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