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31 de agosto de 2019 - 15:00Fórmula 2

Anthoine Hubert, 22

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RIO DE JANEIRO (Descanse em paz) – Sábado de profunda tristeza no automobilismo mundial. A Fórmula 2 e o esporte perdem um dos nomes mais promissores da atual safra de pilotos da categoria.

Um grande e grave acidente na saída de Eau Rouge e Raidillon, na segunda volta da corrida programada para a pista de Spa-Francorchamps acabou por tirar a vida do francês Anthoine Hubert, da Arden.

Campeão da GP3 Series no último ano de disputa da categoria – hoje Fórmula 3 – no seu formato anterior, Hubert subiu à Fórmula 2 na esperança de impressionar a Renault, com quem assinou um acordo para participar de seu programa de jovens talentos.

Vinha de duas vitórias na atual temporada, na icônica pista de rua do principado de Mônaco e também na sua França natal, no tradicional Paul Ricard. Estava em 8º na classificação com 77 pontos.

Na corrida deste sábado, largou em 13º e buscava uma posição melhor quando saiu da pista na curva Raidillon. Bateu na proteção de pneus que margeia a pista do outro lado de onde perdeu o controle – e foi acertado em cheio pelo carro da Sauber by Charouz, guiado por Juan Manuel Correa. Outros pilotos envolvidos na confusão foram Giuliano Alesi, da Trident, além de Marino Sato, da Campos e Ralph Boschung, também da Trident.

A batida no monoposto de Hubert foi no pior ângulo possível – em T a 90º, o que provocou um rombo no habitáculo. A corrida foi cancelada. Não fazia sentido continuar.

Os pilotos foram hospitalizados. Alesi não teve nada de mais sério e recebeu alta. Correa está na cidade de Liège, em tratamento intensivo e condições estáveis, segundo o comunicado da FIA. E Hubert, infelizmente, teve o óbito declarado às 18h35 da Bélgica (13h35 de Brasília).

Por vezes, o esporte que tantas alegrias traz para os fãs nos desperta para o risco sempre presente a cada reta, a cada curva.

Cada morte é um pedaço de nós que também se despede da vida. Só quem, como eu, trabalha com esse esporte – mesmo que nos bastidores – sabe que uma notícia como esta dói fundo na alma. Ainda mais quando se trata de um jovem de apenas 22 anos feito Anthoine Hubert.

Mais detalhes, no GRANDE PRÊMIO.

9 comentários

  1. Claudio disse:

    Triste notícia. Eu que gosto de acompanhar as categorias de base já o conhecia desde quando ele pilotou na Van Amersfoort junto do Pedro Piquet na F3 Europeia. Uma pena, tinha muito futuro

  2. Antonio Seabra disse:

    Dia triste.
    Acompanhei (só pela TV, infelizmente) um pouco da carreira de Hubert, tanto na GP3 quanto na F2, e o considerava um piloto promissor. E era jovem demais pra ir embora assim. E sempre triste ver partir assim um jovem que ainda estava no vestibular para uma bela carreira.
    Os videos que vi até agora não mostram exatamente como ocorreu o acidente, mas parece que ele perdeu o controle sozinho, bateu na barreira de proteção e foi devolvido para a pista, tendo sido colhido em T pelo J. Manuel Correa. Batida não muito comum, mas em geral catastrófica. Como bem disse o Hamilton, não podemos nunca nos esquecer que automobilismo de competição é um esporte de alto risco.
    Por mais que as pistas tenham sido modernizadas, e que os carros tenham hoje estruturas bastante seguras, é impossível banir a morte, ou as sequelas graves, do cenário do nosso amado esporte.
    Acredito que ainda ha muito por fazer pra incrementar a segurança, mas nada disso ira diminuir os riscos de um contato em T.
    Pessoalmente, apesar de não saber como estão as zebras de SPA, acredito que elas tenham tido um papel determinante nesse acidente: Vejam o acidente de Hamilton mais cedo. o toque na zebra desestabilizou o carro, e a partir dai, não existe tempo ou espaço pra retomar o controle do carro. Ainda mais em curvas de altíssima velocidade como a Eau Rouge e o Radillon.
    Ao longo dos anos já foram alguns graves acidente nesse trecho de SPA: Bellof, Zonta e Villeneuve,o de Pietro Fittipaldi. Algo deve ser feito ai nesse trecho: alterar para softwall e aumentar a area de escape, sei la como, mas algo deve ser tentando. Mas, principalmente, é necessário rever e estudar uma solução para essas zebras..

    RIP Antoine.

    • ALLAN PEREIRA GUIMARAES disse:

      Após a primeira batida, ele não foi devolvido para a pista, mas para a área de escape, onde o Corrêa foi -lhe atingir a uns 270… Passou da hora de acabar com essas áreas asfaltadas em prol do “espetáculo”.

  3. Antonio Vidal disse:

    Realmente um dia triste para todos nós que acompanhamos quase que diariamente o automobilismo. Concordo com Antonio Seabra sobre o complexo Eau Rouge/Radillon e muito provavelmente irão “inventar” alguma coisa naquele trecho do traçado. Pra quem assistiu as 24 HS de SPA deste ano, sabe que por muita sorte não houve um acidente tal qual estge que vitimou o francês hoje…RIP ANTOINE HUBERT.

  4. Alvaro Ferreira disse:

    Os Antônios (Seabra e Vidal) disseram tudo, do ponto de vista técnico.
    Mas eu queria falar de uma sensação que tenho, como velho aficcionado; quando acontece uma morte de piloto assim, hoje em dia, eu me transporto imediatamente para os anos 60 e 70, quando a gente recebia várias dessas notícias todo ano.
    Era péssimo, claro, mas parecia que a gente estava mais preparado. Porque era mais, digamos, comum, corriqueiro, era aceito como parte do jogo…
    Hoje, ainda bem, é mais raro, mas o choque que a gente recebe é bem mais forte.
    Uma pena. R.I.P. Anthoine Hubert.

    • Rodrigo Mattar disse:

      Continua sendo chocante e triste, Álvaro. Só quem não viveu isso ou não vive nesse meio como nós vivemos é incapaz de auferir o nosso sentimento de tristeza.

  5. Marcelo disse:

    Quem causou o acidente foi o Alesi (causa raiz) que rodou sozinho na entrada da Raidillon. Ele estava duas posições a frente do Hubert que bateu ou tentando desviar do Alesi ou foi tocado por ele.

    O Correa também teve de sair da trajetória normal por causa disso, pois pegou o Hubert já fora da pista.

    Sempre achei o Alesi um piloto bem abaixo da média… na minha opinião não deveria estar correndo na F2.

  6. Jonny'O disse:

    É sempre triste a noticia , infelizmente aconteceu em Spa , não quero demonizar a pista nem alguns dados tecnicos , estes serão sempre desenvolvidos , diminuindo a sequencia de acidentes mortais , como vem acontecendo.

    Mas gostaria de chamar atenção a um detalhe, talvez esteja passando despercebido por todos, todos os aspectos técnicos evoluíram indiscutivelmente , carro e pista. Mas tenho notado que acidentes em T vem acontecendo de forma mais violenta que no passado , não estou dizendo a quantidade, mas sim a força do acidente, venho reparando acidentes na Nascar e Indy em ovais onde acidentes multiplos são mais frequentes, e reparei em um detalhe, “hoje os pilotos tem menos medo porque se acham seguros dentro dos atuais chassis ” e “demoram a frear” antes em fração de segundo tendem a arriscar a passar pelo acidente e ali ganhar posições , talvez, mas frequentemente não freiam em verem uma fumaça a frente , é o que percebo, nem sei se é o caso deste acidente , mas antigamente existia um respeito maior ao menor sinal de alerta, reparem hoje as disputas na tera , vejam o GP de França de 79 completo ( tem no youtube) os pilotos disputavam a reta sem ficar no zig zague. Isso é fato!

    • Antonio Seabra disse:

      O ganhar a qualquer preço foi um a tendencia iniciada nos anos 90, e ede le pra ca vem se exacerbando. mas o que mais me incomoda nessa tendencia, da “Lei de Gerson”, de levar vantagem, são as zebras. Essa estoria do “zebra já virou pista” (olha o Galvão ai…) vem trazendo desdobramentos, e um deles é a perda de controle ao subir com o carro em zebras altas. Algo tinha de ser pensado a esse respeito que penalizasse quem andasse nas zebras, sem colocar em risco a segurança., tipo um asfalto que danificasse o pneu. Porque do jeito que tá, subir na zebra em alta velocidade é quase que entrar numa rampa de lançamento.
      Vejam o acidente de Hamilton nos treinos, bateu devagar porque não era curva de altissima, senão, teria sido uma panca forte.
      do jeito que tá, os pilotos avaliam: vou entrar forte pra ver o que dá, se sair da pista, tá tudo bem. Só que, com as zebras altas, não está tudo bem !!!
      Todo o conjunto zebra/área de escape/barreiras de contenção tem que ser revistos, visando uma solução unica e melhor.
      Além disso, os pilotos precisam voltar a temer as situações de perigo, senão vamos ver o Verstappen e cia limitada empurrando todo mundo pra fora da pista, na ansia de passar…

      Antonio

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