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7 de agosto de 2019 - 23:50Super GT

Estratégias definem vencedores das 500 Milhas de Fuji

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Uma estratégia executada à perfeição: e o Wako’s Team Le Mans alçou Kenta Yamashita/Kazuya Oshima ao posto de líderes da GT500 com a segunda vitória seguida no campeonato do Super GT – desta vez nas 500 Milhas de Fuji

RIO DE JANEIRO – Alçada à condição de mais longo evento do calendário com a defecção dos 1000 km de Suzuka, a corrida de 500 Milhas disputada no último domingo em Fuji (com público superior a 60 mil espectadores, registre-se) mostrou que com inteligência e estratégia as equipes conseguem ter sucesso no Super GT. Foi o que fizeram o Wako’s Team Le Mans e a JLOC, as grandes vencedoras da 5ª etapa do campeonato – única com pontuação diferenciada no top 10 em relação aos demais eventos do calendário.

Vencedora na etapa anterior em Buriram, na Tailândia, a escuderia chefiada pelo antigo piloto Juichi Wakisaka e pelo engenheiro-chefe Kazuya Abe tinha como principal objetivo alcançar o topo da tabela. Com 35 pontos somados, o time do carro #6 era um dos que teria que lidar com as limitações do fluxo de gasolina a cada reabastecimento e, sobretudo, administrar o consumo de combustível nos stints. Também havia a obrigatoriedade de pelo menos três pit stops compulsórios ao longo da disputa, com 177 voltas previstas ou máximo de 5 horas por tempo.

Largando de 11º de um pelotão de 15 carros, a dupla formada por Kazuya Oshima e Kenta Yamashita fez um trabalho perfeito na pista. Em dado momento, com Yamashita a bordo do Lexus LC500, a equipe já estava em posição de pódio. O golpe de misericórdia para os rivais veio com os problemas do carro #24 da Kondo Racing, guiado por Jann Mardenborough e Mitsunori Takaboshi, que chamaria um Safety Car.

Antevendo a entrada do carro de segurança, o chefão Wakisaka fez o ‘undercut’ e mandou antecipar a parada do #6. Serviço completo e Kazuya Oshima de volta ao volante. As demais equipes que brigavam na frente não pararam. E quando foram a box para o último serviço compulsório, era tarde demais para deter a equipe que chegou a duas vitórias seguidas na categoria GT500 – algo que não ocorria desde 2016, com Tsugio Matsuda/Ronnie Quintarelli.

Para Jenson Button/Naoki Yamamoto, as 500 Milhas de Fuji foram redentoras: os atuais campeões fizeram uma ótima corrida e, beneficiados por não ter o fluxo limitado de combustível (válido para carros com além de 50 kg extras de peso), chegaram em 2º lugar, melhor resultado do Raybrig Team Kunimitsu na temporada 2019 – e um belo presente para o mais novo papai do pedaço: dias antes da corrida, nasceu Hendrix, filho de Jenson Button com Brittny Ward, sua segunda esposa.

Pole position, a dupla Matsuda/Quintarelli pelo menos foi ao pódio e as três marcas da categoria ficaram representadas nas três primeiras posições. Algumas potenciais candidatas a pódio tiveram uma corrida atribulada: o #36 do Team Tom’s bateu com um adversário da GT300 e ficou de fora; o Nissan #3 da Craftsports, que se valia da experiência pregressa de Fred Makowiecki na pista japonesa, teve uma rodada e vinha em ótima recuperação quando uma falha mecânica mandou o Nissan para a garagem. Cumpriram tabela: ficaram em último entre os 11 carros da GT500 que terminaram a disputa.

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A JLOC queimou dois pit stops compulsórios no começo da disputa. Contou com a autonomia de combustível do Lamborghini Huracán e venceu na GT300

Também o fator estratégia fez a diferença na disputa da GT300 e seu enorme plantel de 29 carros. A JLOC Isao Noritake, com seu T-Dash Lamborghini Huracán GT3 partilhado por três pilotos – André Couto, Kiyoto Fujinami e Tsubasa Takahashi – optou por fazer dois de seus pit stops compulsórios no espaço inferior a uma volta. O que podia parecer uma grande bobagem acabou sendo benéfico para a equipe – afora a autonomia de gasolina do motor 5,2 litros do carro de Sant’Agata.

Com uma parada feita na passagem 84 e outra a 40 voltas do final, a JLOC praticamente dividiu a corrida em quatro metades iguais e foi premiada com uma belíssima vitória, num momento crucial para a carreira de André Couto. Depois de perder um filho pequeno para uma leucemia, em 2010, ele praticamente não pôde competir ano passado por conta de uma lesão nas costas em decorrência de um incidente na China, há pouco mais de dois anos. O português de 42 anos chegou à terceira vitória na série – e a primeira desde que ganhou os 1000 km de Suzuka em 2015, também na GT300.

Pole position na tomada de tempos, o “Mother Chassis” da Saitama Toyopet Green Brave deu a Shigekazu Wakisaka/Hiroki Yoshida o melhor resultado do ano com a 2ª posição, ainda que uma volta atrasado. A Modulo Drago Corse fechou o pódio com o Honda NSX-GT EVO do experiente Ryo Michigami – que além de pilotar é o dono da escuderia – em dupla com Hiroki Otsu.

Líder e vice-líder do campeonato terminaram próximos: com o Honda da ARTA, Nirei Fukuzumi/Shinichi Takagi somaram pontos importantes para terminar na sexta posição, logo à frente de Kazuki Hiramine/Sacha Fenestraz. A vantagem da dupla do #55, que era de meio ponto para os então vice-líderes Morio Nitta/Sena Sakaguchi (que terminaram apenas em 15º) subiu para 4,5 pontos em relação aos pilotos da Realize Kondo.

A D’Station Racing, equipe do brasileiro João Paulo de Oliveira, passou perto do primeiro ponto: acabaram em 11º lugar, com o carro #7 também guiado por Tomonobu Fujii e pelo experiente Darren Turner. Lembram que em parágrafos acima falei de um carro com quem o Lexus #36 da Tom’s bateu?

Pois é: foi justamente no Aston Martin Vantage V8 GT3 do “Oribeira”. Falta de sorte define…

A próxima etapa do campeonato será no circuito de Autopolis, na região de Oita, no dia 8 de setembro.

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