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29 de agosto de 2019 - 01:07Automobilismo Internacional, Indústria Automobilística

Ferdinand Piëch (1937-2019)

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RIO DE JANEIRO – Foi-se no último fim de semana, mais precisamente no domingo, um pedaço da história da indústria automobilística mundial. Morreu aos 82 anos o austríaco Ferdinand Piëch. Neto de Ferdinand Porsche e sobrinho de Ferry Porsche, ele foi o homem que revitalizou e colocou o Volkswagen Auto Group num patamar nunca antes imaginado.

Como CEO da Volkswagen, não só teve o mérito de salvar a companhia de Wolfsburg da iminente bancarrota como de também trazer para a tutela do VAG marcas históricas de diferentes origens e países. Além de conferir excelência e praticidade à linha de produção, dando a modelos Volkswagen, Audi e Sköda características bastante semelhantes – 65% de peças eram comuns aos modelos das três grifes, ajudando na economia de produção em larga escala.

Não obstante, some-se a isso o fato de Bentley, Lamborghini e Bugatti, todas marcas de carros de luxo ou de alta performance, terem sido absorvidas pelo VAG em curto espaço de tempo, somando-se às já citadas e também à espanhola Seat e à Porsche como as principais marcas do grupo que hoje é uma potência da indústria automobilística mundial e também do motorsport.

E não nos esqueçamos que as motocicletas Ducati hoje também são do Volkswagen Auto Group, bem como os caminhões MAN e Scania.

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A “mais arriscada aposta” da vida de Ferdinand Piëch: para homologar um carro e disputar as 24h de Le Mans, mandou construir 25 unidades do 917. O modelo tornou-se lenda e venceu em La Sarthe duas vezes, afora outras provas pelo planeta inteiro

Voltando no tempo, Piëch também fez história ao assumir o risco de produzir um carro de competição enquanto ele era chefe de desenvolvimento da Porsche. Peitando a própria família, que o acusou de má conduta por apostar dois terços do orçamento do construtor de Weissach num único veículo: mandou produzir 25 unidades de um carro que seria uma autêntica lenda.

A partir de 1969, surgiu o modelo 917 que se tornou um ícone das pistas com seu motor boxer 12 cilindros e potência de 600 HP, que venceria as 24 Horas de Le Mans nos anos de 1970/1971, além de diversas outras corridas planeta afora, nas mais variadas pistas e com diferentes escuderias.

“Foi o maior risco que cometi na minha carreira”, admitiu.

Como engenheiro, não necessariamente ele sempre esteve ligado às empresas de seus parentes. Chegou a trabalhar na Mercedes-Benz e o motor a diesel do 240D, modelo da marca de Stuttgart, era uma criação sua. Na Audi, para onde migraria, concebeu o modelo 100 do construtor quatrargólico – esse carro serviria de base para o lendário projeto Audi Quattro.

Sob seu comando entre 1993 e 2002, o Volkswagen Auto Group tornou-se uma companhia lucrativa. Seu estilo de gestão agressivo poderia ter salvo a companhia do escândalo do Dieselgate, que custou à companhia uma fortuna de € 30 bilhões em multas e açóes judiciais – e que resvalaria no fim dos programas de esporte a motor de Audi e Porsche no WEC e também da própria VW no Campeonato Mundial de Rali, tudo isso num espaço de dois anos.

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