Direto do túnel do tempo (453)

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RIO DE JANEIRO – Mais uma homenagem à memória de Anísio Campos aqui no blog – e não podia faltar uma menção ao protótipo AC que ele idealizou para ser o primeiro modelo do gênero a ser construído em série no Brasil.

Com o valioso apoio da Puma, o “Barbosinha” construiu cinco desses carros, que poderiam ser equipados com qualquer motor da época, fosse nacional ou importado. De fato, um dos AC concebidos por Anísio chegou a ter mecânica Porsche (2 litros, do modelo 904) – sendo, inclusive, guiado pelo próprio e também por Marinho Antunes.

Mas em sua maioria foram equipados com o tradicional Volkswagen a ar de quatro cilindros.

Roger Resny, por exemplo, aperfeiçoou uma unidade alemã VW com capacidade de 1,9 litro encomendada pela equipe de Eugênio Martins, num carro patrocinado pelo Arroz Brejeiro (lembram?).

Angi Munhoz também guiou um dos protótipos AC e depois esse carro foi comprado por Wilsinho Fittipaldi e dotado de motor 1750cc com carburadores Weber duplo corpo 48mm.

Fritz Jordan também teve o seu – igualmente preparado por Roger Resny, só que com um motor 1,6 litro mais “manso” e não menos eficiente. Com esse carro, o piloto foi 2º colocado nas 3h da Guanabara, no antigo Autódromo da Barra da Tijuca.

E foi Chiquinho Lameirão quem conseguiu belas façanhas com o AC da foto acima – o de 1,9 litro de mecânica alemã. Seu carro também tinha os Weber 48 mm, mas as rodas eram Scorro de aro 13. No bojo, foi o melhor dos AC em termos de performance.

Contudo, a única vitória de uma das criações de Anísio Campos viria com Clóvis da Gama Ferreira em Belo Horizonte, na prova 100 Milhas da Independência em 1972, disputada no entorno do Mineirão.

Os protótipos AC, salvo engano, resistiriam até 1973/74, quando já tinham sido superados pelos modelos mais modernos construídos principalmente por Herculano Ferreirinha (Heve), Ronald Rossi e Ricardo Achcar (Polar) e Márcio Leitão (Manta).

Na foto acima, Lameirão toca o seu AC-VW numa prova disputada no Rio de Janeiro em junho de 1969.

Há 50 anos, direto do túnel do tempo.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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