Direto do túnel do tempo (456)

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RIO DE JANEIRO – Fim de semana de GP do Japão de Fórmula 1 e tivemos um piloto local voltando a sentar num carro da categoria desde 2014, quando Kamui Kobayashi fez sua última corrida pela Caterham em Abu Dhabi. Foi a vez de Naoki Yamamoto acelerar no FP1, pela Toro Rosso, no lugar de Pierre Gasly.

A trajetória dos pilotos japoneses na categoria teve início em 1975 com Hiroshi Fushida, que fracassou em todas as tentativas com o modelo Maki, também oriental. Só no ano seguinte haveria estreantes – três ao todo. Masahiro Hasemi, Kazuyoshi Hoshino e Noritake Takahara.

Os patrocinadores deixaram Kuwashima na mão e o japonês nunca mais correu na Fórmula 1, após a tentativa em Fuji, no ano de 1976, com a Wolf-Williams

Mas poderiam ter sido quatro, não fosse por um detalhe que atendia pelo nome de Masami Kuwashima.

Então com 26 anos, ele foi um dos vários nomes do automobilismo de seu país a peregrinar pelas provas europeias – se não me engano, outro que trilhou o mesmo caminho foi Hiroshi Kazato.

Kuwashima foi rival de Alan Jones e do brasileiro Leonel Friedrich na Fórmula 3 inglesa, antes de migrar à Fórmula 2, onde não obteve muito sucesso. Em 1976, ele voltou ao Japão e era um dos principais nomes do esporte – venceu a F2 local e também a temporada de Carros-Esporte.

Com o apoio de seus patrocinadores, ele quase convenceu John MacDonald a lhe alinhar a Brabham BT44 para sua estreia na Fórmula 1 em Fuji, no fim de semana que decidiria a batalha Niki Lauda versus James Hunt. Mas a escuderia particular RAM fez forfait e o jeito foi levar os ienes de Kuwashima a outra escuderia.

Havia a Wolf-Williams.

Sim: Williams de Frank Williams, esse mesmo. E Wolf de Walter Wolf. O austro-canadense do petróleo era sócio de Sir Frank e a equipe, embora tivesse alguns recursos, não era competitiva.

Os carros eram revezados por diversos nomes e nem o belga Jacky Ickx resistiu à ruindade dos modelos FW04 e FW05, desenhados por Ray Stokoe e Harvey Postlethwaite – o FW05 era uma ‘evolução’ do Hesketh 308C – considerado inclusive por James Hunt, que o guiou ainda no ano anterior, um carro muito pior que o 308/3.

Pois bem: Kuwashima sentou na bagaça, fez os treinos livres e a primeira sessão de classificação. Seus tempos não foram desastrosos (sua melhor volta foi em 1’17″90), mas os patrocinadores dele esperavam mais – ou talvez não soubessem que Masami estava a bordo do que se chama vulgarmente de ‘cadeira elétrica’.

E como efeito, caíram fora da empreitada. Deixaram Walter Wolf com uma única alternativa. Ele tirou o japonês do carro e botou de volta o austríaco Hans Binder, a quem justamente tirara para pôr o piloto local.

Curiosamente, Binder foi apenas meio segundo melhor que Kuwashima, o que faz crer que o carro era mesmo uma merda. E não o japonês, que depois daquela decepção toda, seguiu carreira no Japão e com relativo sucesso.

Há 43 anos, direto do túnel do tempo.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

4 Comentários

  • o m elhor piloto japonês do momento que infelizmente não tem vaga na f1 é o piloto da f2 nobuharu matshushita, pilotaaaaaaaaaaaaaaaaaa muito, que a f1 está esperando para ter esse japonês no grid?melhor que gasly e kyatt ele é,para mim é

  • O Japão vai bem na tecnologia, mas fracassa nos pilotos.

    Essa safra de 1976 tinha bons valores, mas nem mesmo o total conhecimento e intimidade com a pista de Fuji, nem o fato de que havia corridas nacionais de F1 levou os japoneses a sequer pensar em pódio. Não fizeram um só pontinho.

    • É, mas Masahiro Hasemi fez a melhor volta da corrida.

      Quanto a “fracassar nos pilotos”, discordo. Eles podem não ser multicampeões, mas são rápidos. Satoru Nakajima é um ídolo absoluto em seu país. Kunimitsu Takahashi, chefe da equipe campeã ano passado com Jenson Button, idem. Sem contar Satoshi Motoyama.

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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