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2 de dezembro de 2019 - 16:21Mundial de Endurance

Mico

RIO DE JANEIRO (Lamentável) – O Brasil perde mais um evento internacional de automobilismo por incompetência e amadorismo. A edição 2020 das 6h de São Paulo, marcadas para 1º de fevereiro no Autódromo José Carlos Pace, em Interlagos, estão oficialmente canceladas – exatos dois meses antes da data prevista.

Na ocasião das 4h de Xangai, a etapa mais recente do campeonato 2019/20 do Mundial de Endurance, Gérard Neveu (CEO da competição) alertara equipes e pilotos de que não se programassem – ainda – para ir ao Brasil. Havia problemas a serem resolvidos.

E não foram poucos.

O mais grave deles foi o não pagamento integral do que se chama de “fee”, a taxa cobrada pelo promotor como garantia financeira de realização do evento. Eram R$ 12 milhões – foram conseguidos R$ 8 milhões.

Mesmo com as parcerias de mídia e o apoio da prefeitura de São Paulo, também não houve patrocínios. A organização do FIA WEC diz não haver nenhum tipo de problema com o município e tampouco com o autódromo, segundo o comunicado que anunciou a mudança de praça de Interlagos para o Circuito das Américas em Austin, nos EUA – a capital do Texas receberá a Lone Star Le Mans, com duração de 6 horas, em 23 de fevereiro.

A data foi movida mais para a frente por algumas razões: é inverno nos EUA, haverá o Superbowl da NFL em fevereiro e, também, o ePrix do México da Fórmula E.

O problema foi com os promotores, leia-se a N/Duduch Motorsports, que tinha na linha de frente Nicholas Duduch, o sócio Moyses Parizatto e Aline Vilatte.

Aliás, parecia tão crível o negócio quando houve a coletiva de anúncio do retorno do evento ao Brasil, com a presença de autoridades, do próprio Gérard Neveu, de Bruno Senna, enfim… só parecia.

Quanta ilusão: depois da empolgação e de todo o tempo para uma preparação adequada, o balde de água fria.

Reproduzo abaixo o comunicado oficial – vejam as partes grifadas e reflitam sobre a conduta – ou a falta dela – dos promotores do evento agora cancelado.

É com grande pesar e surpresa que a promotora do evento 6 Horas de São Paulo informa que foi cancelada, por ato unilateral da organização do Campeonato Mundial de Endurance (WEC), a etapa do campeonato que seria realizada nos dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2020 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, em prejuízo dos amantes do automobilismo brasileiro e de todos os fãs do esporte da América Latina.

A despeito de todos os investimentos realizados até a presente data, que montam a mais de R$ 8 milhões do total de R$ 12 milhões que seriam investidos pelos promotores e patrocinadores do evento; de todos os esforços da Prefeitura de São Paulo, parceria de primeira hora para trazer de volta ao Brasil este importante campeonato do automobilismo internacional, promovendo as adequações e infraestrutura necessária, de acordo com os cadernos de encargos, seguindo as exigências da Federação Internacional de Automobilismo para que o Autódromo de Interlagos pudesse receber a prova; em prejuízo dos patrocinadores oficiais do evento, que de imediato não mediram esforços para se engajarem e fazerem do retorno das 6 Horas de São Paulo um marco para os amantes do esporte, a organização do WEC decidiu não honrar os compromissos assumidos com a cidade de São Paulo, com os amantes do esporte e com o público em geral. (grifo meu)

Rumores e alegações que surgiram recentemente acerca da preocupação, por parte do WEC, com o momento econômico que o País atravessa, não se sustentam. Em verdade, e apesar de tudo aquilo que foi investido e realizado até a presente data, a organização do WEC não se satisfez com as garantias financeiras (emitidas por instituição financeira, como é praxe em eventos desta magnitude) disponibilizadas pelos promotores do evento, decidindo, unilateralmente, cancelar a prova. (grifo meu)

Lamentamos muito a forma com que a direção do WEC conduziu suas obrigações em detrimento do Brasil, da cidade de São Paulo e dos amantes do automobilismo da América Latina. (grifo meu)

Informamos a todos os fãs que compraram ingressos que estes serão contatados pela empresa parceira que opera a bilheteria e serão devidamente reembolsados.

Mas eu pergunto: e quem comprou passagem? E quem reservou hotel? Haverá ressarcimento?

Como sempre escrevo, parabéns aos envolvidos.

É mais um capítulo lamentável na história do automobilismo nacional, cuja credibilidade já anda em baixa faz tempo e mais este cancelamento dá razão aos que dizem que promover e manter um evento dessa magnitude não é coisa para amadores.

Olha que até gente com uma certa credibilidade já pagou outros micos históricos. Emerson Fittipaldi que o diga: o bicampeão de Fórmula 1 e das 500 Milhas de Indianápolis ficou com fama de ladrão e caloteiro na época do WEC quando promoveu as 6h de São Paulo e, por apoiar a candidatura de Luiz Paulo Conde contra Cesar Maia, fez o Rio perder a Fórmula Indy.

Sem contar que, no passado, Emerson tentou inúmeras vezes fazer corridas da categoria no Brasil. Lembram das tentativas? Pista de rua em Recife, anel externo em Interlagos… nada feito. Nem Brasília rolou, muito menos a ideia estapafúrdia de uma pista de rua no Rio com o sambódromo da Marquês de Sapucaí como pano de fundo.

E não faltam outros exemplos: as diversas tentativas frustradas de voltar com a MotoGP, os cancelamentos da Fórmula E, a Mil Milhas de 2008 que teria os carros do Le Mans Series e não teve, a Fórmula 1 histórica que viria em 2010, enfim… tantos outros exemplos de fracassos que caberiam num manual de picaretagens que fariam corar de inveja de Ali Babá a Al Capone.

Triste a sina deste país que não consegue mais ser qualquer coisa próxima do que já foi um dia no automobilismo.

O que faltaria? Acabar o contrato do GP do Brasil de Fórmula 1 e não ser renovado para 2021 e diante?

Na boa: se isso rolar, peguem a chave, passem o trinco e joguem fora.

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20 comentários

  1. alex disse:

    Eu sou um dos que compraram o ingresso,passagem e hotel reservado…Sinceramente,não sei o que dizer,exceto que perdi a minha confiança em qualquer evento desse tamanho daqui pra frente.Lamentável…

  2. Rodrigo botana disse:

    É ainda dizem que a moto gp voltara ao Brasil
    Em.2021 ,conta outra gente,Isso queima a imagem.do Brasil la fora,tirando a f1 duvido que alguma outra categoria internacional queira correr aqui

  3. Carlos Eduardo disse:

    Tá foda esse país…

  4. Fernando Silva' disse:

    Por algumas razões aleatórias, ainda não havia comprado o ingresso. mas estava determinado em fazê-lo agora no mês de Dezembro e, apesar de algumas baixas importantes no grid (SMP Racing, Ford, BMW) ainda estava muitíssimo entusiasmado para rever as máquinas de perto. É triste e, ao mesmo tempo revoltante…
    Eu estive nas três edições da prova (2012,13 e 14) e, principalmente na última, ocorrida há exatos cinco anos completados no último sábado (30/11), fiquei com a impressão de que os organizadores do WEC ficaram com uma imagem tão péssima dos organizadores brasileiros que custei a duvidar que retornariam algum dia, o que fora confirmado ainda no primeiro semestre deste ano.
    Sinceramente, não cheguei a ficar surpreso, principalmente depois da papagaiada que seria a então “Brasilia Indy 300”, em 2015 e que eu cheguei a ver passagens e hospedagem…
    Existe algo que talvez o dinheiro não compre mais…respeito…credibilidade…
    Hoje estou convencido de que, se eu quiser ver o WEC in loco novamente vou ter que planejar muito bem e viajar. Para o Brasil, acabou…Le Mans é logo ali.

  5. Ivair disse:

    Infelizmente o Brasil é uma verdadeira lixeira. Quanta incompetência e irresponsabilidade dos chamados promotores do evento e o comunicado é daquelas “coisas” típicas nossas atualmente. Que lixo!

  6. Claudio disse:

    Gato escaldado tem medo de água fria. Nesse caso, depois do caloteiro Fittipaldi, os organizadores do WEC ficaram espertos e na primeira gaguejada pularam fora. Mais do que certos.

  7. Wesley Andrade disse:

    Estou completamente pasmo com mais este mico!

    Eu não deveria estar surpreso, mas estou, até pela forma como se deu.

    Pra mim não tem mais jeito: no dia que o contrato do GP do Brasil de F1 não for renovado, acabou tudo!

    QUE PAÍS DE MERDA é esse Brasil, que não é capaz de honrar os compromissos com as entidades internacionais.

    Eu já estou juntando recursos para deixar esse lixo de país, e eu sugiro que todo mundo faça o mesmo, porque a coisa por aqui já está piorando em todos os aspectos.

    E essa notinha da promotora do evento foi de péssimo gosto, como se ela não tivesse culpa no cartório.

    É imperdoável.

  8. Pedro Ribeiro disse:

    O prazo final para aporte do dinheiro para pagamento da taxa de homologação da corrida foi combinado com o WEC para quando? Hoje? Já houve dilação de prazo anteriormente?

    Me foge a compreensão alegar que houve cancelamento unilateral antes de decorrer esse prazo. Se venceu o prazo, realmente só lamentar esse fiasco. Se o WEC reservou o direito de cancelar unilateralmente na falta de confiança com os promotores também só lamento, seria uma burrice do Duduch se um ou AMBOS os casos se confirmarem.

  9. Marcos Ferreira disse:

    Rodrigo, algum dos 3 organizadores é do meio automobilístico ou pelo menos do meio de organização de eventos? Parece que eles acordaram um dia, bateram a cabeça e resolveram organizar uma corrida de carro.

  10. Leonardo Silva Conrado disse:

    Uma pena este cancelamento, iria comprar meu ingresso este mês. Posso estar falando besteira, mas este cancelamento não pode ter acontecimento por falta de patrocínio, em razão do WEC ser uma corrida em que não tem tanto público nas arquibancadas? E alguns patrocinadores não quiseram colocar dinheiro no evento, com medo da falta de retorno?

  11. Paulo disse:

    Rodrigo, foi uma falta de respeito, tanto pelos organizadores locais como do WEC. O WEC jamais poderia ter permitido vender os ingressos sem estar garantido. Quem comprou os ingressos, as passagens aéreas e o hotel, vão reembolsar? Agora eu entendo o porque a Audi, Porsche, Ford e BMW saíram do WEC. Outro detalhe, Austin vai pagar algo para realizar a prova?

  12. Wilton Sturm disse:

    Não ia comprar passagens, mas as datas já estavam reservadas por mim. Ia com amigos e tudo mais.
    Bela pisada na bola.

  13. Wilton Sturm disse:

    Rodrigo, venha pra SP (ou se preferir, em Itu, onde moro!) na época e vamos fazer as 6 horas de… um bom bate papo sobre automobilismo.
    O convite tá feito:)

  14. Alan disse:

    Talvez os organizadores não estejam acompanhando o andamento do WEC e botaram muitas fichas na venda de ingressos.

    Automobilismo é um esporte de um nicho cada vez mais específico. Não tem levado tanto público como um dia já levou (com algumas categorias ainda se mantendo…).

    Patrocinador precisa também de garantias de que vale a pena investir nesse tipo de evento. Se não conseguiram ninguém é pq de fato não é uma prova interessante como retorno financeiro.

    Paciência. Da próxima vez que analisem muito bem antes de entrar na jogada.

  15. Milton Almeida disse:

    Já tive a oportunidade de ver estes carros correndo em Le Mans e comprei os ingressos com uma baita expectativa de vê-los aqui em Interlagos… Pura ilusão!

  16. Samuel Ferreira de Figueiredo disse:

    Como não ficar triste com essa notícia, as corridas de WEC “in loco” são um espetáculo para os fãs, ver de perto esses bólidos tecnológicos rasgando a reta de Interlagos, passear pelo autódromo, ver carros históricos, comer bem e conhecer pessoas etc, bem mais legal que F1 que o evento fica lotado, trânsito etc.

    São decisões assim que vai distanciando o público dos eventos a motor, assim quando não há público, patrocínios e pilotos não adianta “questionar onde o automobilismo Brasileiro errou” – Atualmente temos campeonatos (Nutella feitos por Nutellas para Nutellas que não gostam de Graxa, Barulho, disputas de roda roda, esse público gosta de Camarote, Moda, Competições e Ego de quem pode mais.

    O Brasil tem que apreender com os Argentinos a gostar do Esporte a Motor Raiz e criar um público fiel, que gosta de ir nos Autódromos e ser bem tratado, sem distinção, o menino pobre não pode ser barrado por não ter as “pulseirinhas” dos Nutella.

  17. Junio disse:

    Excelente no seu comentário

  18. Amaral disse:

    Mico. Tamanho GG.
    Aliás, esse ano dá pra tirar os micos da lista de ameaçados de extinção, tamanha a velocidade com que eles se reproduziram…
    Enquanto quem organizar deixar a visão de lucro em primeiro plano e pensar em automobilismo não como competição, mas como business, é isso aí que vai acontecer.
    Mas… Se perdermos a esperança, não vai ter mais nada pra fazer. Aí é só apagar a luz e trancar a porta.

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