Mário Olivetti, 91

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Mário Olivetti, que morreu nesta quinta-feira aos 91 anos, posa ao lado do protótipo “Tanto Faz”, estranho carrinho concebido por Renato Peixoto com mecânica FNM que causaria surpresa e espanto nas Mil Milhas Brasileiras de 1961

RIO DE JANEIRO – Fechou-se uma página da história do combalido e, por que não dizer?, destruído automobilismo carioca: morreu nesta quinta-feira aos 91 anos de idade o lendário Mário Olivetti, um dos grandes nomes do esporte no Rio de Janeiro e também da Região Serrana. Oriundo de Petrópolis, ele participou de grandes provas e de momentos inesquecíveis do automobilismo brasileiro.

Há um mês, Olivetti sofrera um acidente doméstico, sofrendo fratura num fêmur. Internado desde então, passou por procedimentos cirúrgicos e estava na UTI do Hospital Santa Teresa, mas infelizmente não resistiu.

Mário teve muito sucesso no automobilismo do Rio de Janeiro e nacional, ganhando títulos aqui e também do Brasileiro, em 1970. Sua relação com a Alfa Romeo era quase umbilical, tanto como piloto quanto como concessionário, tendo aberto uma revenda da marca do Quadrifoglio na rua do Imperador.

Além dos modelos GTA, que conduziu com competência e brilhantismo, Olivetti desfilou competência em protótipos como os que ilustram essa postagem. Este com o numeral #65  foi dividido com outro carioca, Carlos Bravo, terminando os 1000 km de Brasília de 1966 com o segundo lugar.

Mas não há história mais deliciosa que a do outro carro que vemos aqui, com o dorsal #5. É o protótipo “Tanto Faz”, que disputou as Mil Milhas Brasileiras de 1961 e foi um espetacular 3º colocado daquela prova, em dupla com Aílton Varanda.

O “Tanto Faz” era um FNM JK batido e encurtado pelas hábeis mãos de Renato “Martelinho de Ouro” Peixoto, que além de funileiro de mão cheia era também bom piloto. O carro era 350 kg mais leve que o original e muito veloz, já que conservava as características mecânicas com a unidade 2 litros do modelo de série.

Mas havia um sério problema: era um foguete, mas não fazia curva nenhuma. O carro rodava mais que pião da casa própria e à guisa de lastro, foi usado um saco de areia de 60 kg, para melhorar a estabilidade.

Olivetti e Peixotinho se aperceberam que o carro não tinha nome e soltaram a frase lapidar.

“Tanto faz, estamos em teste”. Sem querer, batizaram o carrinho, que terminou seis voltas atrás da Carretera dos campeões da prova, os gaúchos Ítalo Bertão e Orlando Menegaz e de Christian “Bino” Heins/Chico Landi, que dividiram um FNM JK – este, original.

Em 1970, Olivetti teve em mãos um Porsche 910 com mecânica 2,2 litros que dividiu com José Moraes (sim, aquele mesmo que vocês estão pensando…) nas Mil Milhas Brasileiras daquele ano. Naquela oportunidade, numa corrida com pista prejudicada pela chuva, a equipe Speed Motors optou por uma ‘tocada’ mais cautelosa e a dupla carioca chegou em 2º lugar, perdendo por três voltas para os irmãos Abílio e Alcides Diniz, que guiaram uma Alfa Romeo GTAm, da equipe Jolly-Gancia.

Infelizmente, por conta do Covid-19, a despedida de Olivetti não foi como ele merecia. O velório foi até aberto, mas não poderia haver aglomeração. Mário, que deixou cinco filhos, sete netos e um bisneto, foi sepultado nesta sexta-feira de sol e calor no Cemitério Municipal de Petrópolis. E já deixa saudades.

Sentimentos à família e amigos.

Sobre o Autor

Rodrigo Mattar

3 Comentários

  • bom dia rodrigo mais uma perda super para nosso esporte ja tao enfraquecido ele era da leva dos melhores cariocas raiz fazia a caranga pilotava a caranga preparava a caranga levava a caranga piloto completo agora nao consigo pensar no jose quem?

  • Uma pena… Além de ótimo piloto, um sujeito simpático e muito correto. Minha irmã comprou uma casa dele, no início dos anos 70, na Rua Mosela, em Petrópolis. E na mesma ocasião ele comprou meu kart Cox-Riomar para o filho dele.

    Vi correr muitas vezes em Jacarepaguá e em Interlagos, acelerava muito. R.I.P.

  • Segundo o amigo Pedro “Baleiro”, ex piloto, natural de Petropolis e amigo do Mário, ele já vinha com saúde debilitada a alguns anos. O que aliás era compatível com a idade avançada.
    A ultima vez que vi o Pedro, pouco antes do inicio dessa maldita pandemia no Brasil, falamos bastante do Mario. Era sempre um prazer ver o Mario chegar no Autódromo do Rio com sua GTA vermelha.
    RIP

    Antonio

Por Rodrigo Mattar

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Perfil

Rodrigo Mattar, carioca de 49 anos. Apaixonado por automobilismo desde os nove, é jornalista especializado em esportes a motor desde 1998. Estagiou no Jornal do Brasil e numa assessoria de comunicação antes de ingressar na Rede Globo. Em 2003, foi para o SporTV, onde foi editor dos hoje extintos programas Grid Motor e Linha de Chegada. No mesmo ano, iniciou sua trajetória como comentarista, estreando numa transmissão de uma corrida de Stock Car, realizada no saudoso Autódromo de Jacarepaguá. Há sete anos, está no Fox Sports, atuando como editor responsável do programa Fox Nitro e comentarista de diversas categorias, entre as quais Rali Dakar, Nascar, MXGP, WTCC, WRC, FIA WEC, IMSA, Fórmula E, WTCR e Superbike Series Brasil. Conduz o blog A Mil Por Hora, agora no GRANDE PRÊMIO, desde 2008.

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